ROBERTO MONTEIRO PINHO -
No Rio de
Janeiro o prefeito Eduardo Paes continua sua saga de covarde, e anunciou á
pouco que vai criar um código de postura para manifestantes, que tem como
objetivo estabelecer local próprio para atos públicos. Ventríloquo do Cabral, e
oficce boy do Planalto, ele leu o bilhete: quem não cumprir as regras pode ser
punido. Paes disse em entrevista que os detalhes sobre o código serão
divulgados depois do Carnaval e que abrirá uma linha de diálogo (ou monólogo) com
manifestantes sindicais ou independentes.
O
prefeito oferece como justificativa que a lei tem como objetivo é impedir que
os protestos fossem repentinos, como os ocorridos nos últimos dias, e causaram
transtornos ao trânsito e à população. Ele sugere a Cinelândia ou a praça em
frente à prefeitura, na Cidade Nova, como locais específicos para os protestos.
Ele também quer que as manifestações sejam agendadas previamente, e presumo
aceite por SMS.
A
proposta é polêmica e vai entrar em erupção, por três motivos: primeiro porque
cria uma expectativa, que contradiz a postura do prefeito, quanto a essas
manifestações, depois pelo fato de que essas manifestações serem de cunho
ideológico, independentes e dentro do eixo, governo ruim, critica e
manifestação nele, e isso nos sabemos que o Prefeito, o governador Sergio Cabral e a presidenta Dilma
Rousseff se enquadram. E quanto às manifestações pontuais e de menor densidade
de participantes, essas deveriam, sim serem constantemente realizadas na porta
dos três políticos, só assim, quem sabe ouviriam as vozes das ruas.
As
alegações de que as pessoas ficam prejudicadas pelos engarrafamentos causados
por protestos, são diminutas diante do caos social que esses dirigentes
submetem a sociedade civil, do Estado e do país.
Fora as revoltas
históricas, inconfidência e outros eventos de tom social, os principais eventos
que considero significantes, começando pela Revolta da Vacina em novembro
de1904 para combater epidemias no Rio de Janeiro, quando o sanitarista Osvaldo
Cruz conseguiu que a vacinação contra a varíola virasse obrigatória. Em
novembro de 1904. Em meio a uma crise política, o presidente Getúlio Vargas se
suicidou em agosto de 1954. Deixando uma "carta-testamento", com
críticas aos seus opositores, o trauma levou populares as ruas em várias
cidades, nos dias seguintes, cujas estimativas apontavam para até 3 milhões de
pessoas nas ruas do país.
Mas foi entre janeiro e
abril de 1984 que grandes comícios foram realizados no país pedindo a volta das
eleições diretas para presidente, ceifadas do brasileiro desde 1964. Os dois
maiores foram em abril: na Candelária, no Rio, quando1 milhão de pessoas se
reuniram no dia 10; no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, o número estimado
chegou a 1,5 milhão, no dia 16. Em 19 de
março de 1964, reuniram-se em São Paulo quase 500 mil pessoas na "Marcha
da Família", um protesto contra o presidente João Goulart. Poucos dias
depois ele foi deposto e, em 2 de abril, cerca de 1 milhão de pessoas
participaram, no Rio, da "Marcha da Vitória" para saudar a queda de
Goulart. Entramos nos “anos de chumbo da ditadura militar de 64 a 85”.
Por último denúncias de
corrupção que atingiam o presidente Fernando Collor pipocaram na imprensa em 1992.
Passeatas ocorreram em vários estados para exigir o impeachment de Collor, ou
seja, seu afastamento da presidência. Uma das delas em São Paulo, no dia 18 de
setembro, reunindo cerca de 750 mil pessoas. Todas de cunho político, realizado
por organizações atreladas a partidos políticos.
Em junho de 2013, ai sim,
tivemos uma autêntica mobilização popular independente, reunindo vários
segmentos, sem a participação de agremiações, políticas. Poderia então alguém
de sã consciência, pretender que esses manifestantes tivessem lugares
demarcados para suas ações? Menos ainda, que tipo de estado quer se impor a
natureza de uma manifestação que vai ganhando densidade na medida em que se
aproxima de seu ato final?
Há pouco uma pesquisa de opinião dividiu o país,
a metade concorda com os movimentos de ruas, outra metade subdividida, discorda,
mas admite para certos direitos, ou seja, se a pergunta do instituto bem contratado
fosse dirigida para saber se é a favor do movimento ou quer melhoria e baixo
preço nas passagens de ônibus, e um transporte de qualidade, a resposta seria
100% a favor. Pesquisa confiável, a sim! essa, meu avô chefe de estação me
dizia, olha o trem vindo, era a negra e densa fumaça ao longe que se dissipava
aos céus.



