3.3.14

PAES VENTRÍLOCO DO PLANALTO QUER ASSENTAR MOVIMENTOS SOCIAIS EM ESPAÇO CONFINADOS, MAS ONDE CONSEGUIRA LUGAR PARA UM MILHÃO DE PESSOAS? CARNAVAL SEM GARI, CIDADE É UMA LATRINA DO TAMANHO DA DICTOMIA DO PREFEITO. EM JUNHO FORAM 3 MILHÕES NAS RUAS, NA COPA QUANTOS ESTARÃO? RIO BRANCO QUE JÁ FOI O CHAFARIZ DOS DITADORES, JAMAIS RELEGARÁ SEUS JOVENS IDEALISTAS

ROBERTO MONTEIRO PINHO -

No Rio de Janeiro o prefeito Eduardo Paes continua sua saga de covarde, e anunciou á pouco que vai criar um código de postura para manifestantes, que tem como objetivo estabelecer local próprio para atos públicos. Ventríloquo do Cabral, e oficce boy do Planalto, ele leu o bilhete: quem não cumprir as regras pode ser punido. Paes disse em entrevista que os detalhes sobre o código serão divulgados depois do Carnaval e que abrirá uma linha de diálogo (ou monólogo) com manifestantes sindicais ou independentes.

O prefeito oferece como justificativa que a lei tem como objetivo é impedir que os protestos fossem repentinos, como os ocorridos nos últimos dias, e causaram transtornos ao trânsito e à população. Ele sugere a Cinelândia ou a praça em frente à prefeitura, na Cidade Nova, como locais específicos para os protestos. Ele também quer que as manifestações sejam agendadas previamente, e presumo aceite por SMS. 

A proposta é polêmica e vai entrar em erupção, por três motivos: primeiro porque cria uma expectativa, que contradiz a postura do prefeito, quanto a essas manifestações, depois pelo fato de que essas manifestações serem de cunho ideológico, independentes e dentro do eixo, governo ruim, critica e manifestação nele, e isso nos sabemos que o Prefeito, o  governador Sergio Cabral e a presidenta Dilma Rousseff se enquadram. E quanto às manifestações pontuais e de menor densidade de participantes, essas deveriam, sim serem constantemente realizadas na porta dos três políticos, só assim, quem sabe ouviriam as vozes das ruas.

As alegações de que as pessoas ficam prejudicadas pelos engarrafamentos causados por protestos, são diminutas diante do caos social que esses dirigentes submetem a sociedade civil, do Estado e do país.

Fora as revoltas históricas, inconfidência e outros eventos de tom social, os principais eventos que considero significantes, começando pela Revolta da Vacina em novembro de1904 para combater epidemias no Rio de Janeiro, quando o sanitarista Osvaldo Cruz conseguiu que a vacinação contra a varíola virasse obrigatória. Em novembro de 1904. Em meio a uma crise política, o presidente Getúlio Vargas se suicidou em agosto de 1954. Deixando uma "carta-testamento", com críticas aos seus opositores, o trauma levou populares as ruas em várias cidades, nos dias seguintes, cujas estimativas apontavam para até 3 milhões de pessoas nas ruas do país.
Mas foi entre janeiro e abril de 1984 que grandes comícios foram realizados no país pedindo a volta das eleições diretas para presidente, ceifadas do brasileiro desde 1964. Os dois maiores foram em abril: na Candelária, no Rio, quando1 milhão de pessoas se reuniram no dia 10; no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, o número estimado chegou a 1,5 milhão, no dia 16.  Em 19 de março de 1964, reuniram-se em São Paulo quase 500 mil pessoas na "Marcha da Família", um protesto contra o presidente João Goulart. Poucos dias depois ele foi deposto e, em 2 de abril, cerca de 1 milhão de pessoas participaram, no Rio, da "Marcha da Vitória" para saudar a queda de Goulart. Entramos nos “anos de chumbo da ditadura militar de 64 a 85”.
Por último denúncias de corrupção que atingiam o presidente Fernando Collor pipocaram na imprensa em 1992. Passeatas ocorreram em vários estados para exigir o impeachment de Collor, ou seja, seu afastamento da presidência. Uma das delas em São Paulo, no dia 18 de setembro, reunindo cerca de 750 mil pessoas. Todas de cunho político, realizado por organizações atreladas a partidos políticos.
Em junho de 2013, ai sim, tivemos uma autêntica mobilização popular independente, reunindo vários segmentos, sem a participação de agremiações, políticas. Poderia então alguém de sã consciência, pretender que esses manifestantes tivessem lugares demarcados para suas ações? Menos ainda, que tipo de estado quer se impor a natureza de uma manifestação que vai ganhando densidade na medida em que se aproxima de seu ato final?
Há pouco uma pesquisa de opinião dividiu o país, a metade concorda com os movimentos de ruas, outra metade subdividida, discorda, mas admite para certos direitos, ou seja, se a pergunta do instituto bem contratado fosse dirigida para saber se é a favor do movimento ou quer melhoria e baixo preço nas passagens de ônibus, e um transporte de qualidade, a resposta seria 100% a favor. Pesquisa confiável, a sim! essa, meu avô chefe de estação me dizia, olha o trem vindo, era a negra e densa fumaça ao longe que se dissipava aos céus.