11.3.14

COM TEMER NO CONTROLE, NADA A TEMER…

JOSÉ CARLOS WERNECK -

Com uma habilidade e desenvoltura à altura das antigas raposas políticas do PSD mineiro, o vice-presidente Michel Temer esvaziou rapidamente a crise entre o PMDB e o PT.

“Não é A nem B ou C nem sou eu quem vai dizer se o partido vai para um lado ou para o outro. É a Convenção Nacional é que decide o que deve ser feito”, disse Temer na cidade paulista de  Tietê, onde nasceu e esteve neste domingo, participando de uma homenagem antes de voltar a Brasília. “Tem dois terços que pensam em manter o casamento e, portanto, a maioria é pela manutenção da aliança, como eu.”

Desta maneira,funcionou como um eficiente bombeiro e desautorizou Eduardo Cunha,  líder do partido  na Câmara . Horas antes de encontrar-se com a presidente Dilma Rousseff, no Palácio da Alvorada, declarou que “o PMDB quer manter o casamento com ela e não vê chance de divórcio”.

No fim da tarde, antes do encontro com Dilma, Temer convocou um seleto grupo do PMDB para uma reunião no Palácio do Jaburu, quando ficou acertado que o partido não aprofundaria as divergências com o Planalto nem daria aval às posições de Eduardo Cunha. Os peemedebistas consideraram que as desavenças com o PT só prejudicavam o próprio partido, que aparecia para os eleitores como fisiológico.

CONCÓRDIA

“Vou levar para Dilma uma mensagem de concórdia”, declarou vice, que deseja repetir a chapa com Dilma, na disputa pela reeleição. “A presidenta quer ter uma aliança muito sólida e quer fazê-la prosperar. É conversando que se entende. Tenho certeza de que vai dar certo.” Não obstante a troca de acusações e insultos entre dirigentes do PT e do PMDB, Temer disse não acreditar na cisão. “É uma situação passageira e logo estará superada.”

O mesmo foi comunicado a Valdir Raupp, presidente do PMDB, aos presidentes do Senado, Renan Calheiros, da Câmara, Henrique Eduardo Alves, e ao líder do partido no Senado, Eunício Oliveira,  antes da reunião com a presidente da República.

A presidente ofereceu novamente o Ministério do Turismo para o senador Vital do Rêgo, do PMDB da Paraíba, e não se mostrou disposta a aumentar o espaço do PMDB no Governo. Portanto, as ameaças de rompimento feitas por Eduardo Cunha não surtiram o efeito pretendido. A tática da presidente Dilma é isolar Cunha e tirar o ministério do Turismo da  da bancada da Câmara,oferecendo o posto a um senador. Temer afirmou que consultará os dirigentes do partido.

TURISMO

A ideia da presidente seria nomear o senador Vital para o Turismo, na vaga de Gastão Vieira, deputado licenciado do PMDB que deixará o posto para concorrer a novo mandato e deixar o Ministério da Agricultura sob comando de alguém da confiança de Temer.  E o nome mais falado para substituir Antônio Andrade na Agricultura é Neri Geller, atual secretário de Políticas Agrícolas.

“Tudo o que não precisamos agora é dessa crise entre aliados em ano eleitoral. Se avançarmos um pouco nas alianças regionais, o clima já começa a distensionar”, declarou o presidente do PMDB, Valdir Raupp. Dos 27 Estados, o PT e o PMDB só têm parcerias garantidas no Amazonas, Pará, Sergipe e Distrito Federal. No Rio de Janeiro e na Bahia, os dois partidos se conduzem  como verdadeiros inimigos.

PESQUISAS

Pesquisas indicam que Dilma cresce quando reage  á pressões políticas e rejeita o “toma lá dá cá”. Foi assim quando ela fez a chamada “faxina” administrativa que tirou em 2011 sete ministros e está se repetindo agora, de acordo com levantamentos feitos pelo publicitário João Santana, considerado um “expert” no assunto.

O ex-presidente Lula tenha aconselhou Dilma a ser mais “política” e conversar com a cúpula do PMDB, mas a presidente optou por chamar apenas Temer para o encontro  deste domingo. Depois de provocar mais divisão entre setores do PMDB, Dilma Rousseff  quer fortalecer o vice, que deve homologar todas as indicações do partido para o primeiro escalão.