Via MÍDIA Democrática -
Os recentes acontecimentos na Ucrânia
e Venezuela valem uma observação que remete à cobertura jornalística. Enquanto
no Brasil a mídia de mercado denuncia a todo momento a ação de “vândalos” nas
manifestações populares, demonizando um estranho grupo denominado Black Bloc,
nos dois países mencionados os manifestantes, também escondidos com máscaras,
são denominados de “opositores” ou apenas “manifestantes”.
As imagens vindas de Kiev e Caracas
são claras. Os mascarados agem na maior desenvoltura, fato ignorado nos
telejornais, que preferem criticar sobretudo o governo da República Bolivariana
da Venezuela. O silêncio dos editores da mídia de mercado pode fazer com que se
conclua que em matéria de Black Bloc, se o grupo tático apoia quem
desestabiliza governos que não rezam pela cartilha do senso comum e do
Departamento de Estado norte-americano, aí eles são considerados do “bem”.
Em relação à Ucrânia, não se pode
deixar de mencionar que os Black Blocs estão agindo ombro a ombro com grupos
neonazistas, que apoiam figuras nefastas que combateram ao lado de nazistas.
Curioso que Israel até agora não criticou os neonazistas ucranianos,
denunciados inclusive pelo governo russo como antissemitas.
Logo depois que o Parlamento depôs o
presidente VictorYanukovych, o rabino chefe da Ucrânia instruiu os
judeus a deixar a cidade de Kiev, porque teme a ascensão do Setor Direita e o
Partido Svoboda, conhecidos por furioso antissemitismo.
O fato tem explicação, Israel é
aliadíssimo dos Estados Unidos, cujo governo, através da Embaixada em Kiev, tem
manifestado apoio incondicional à oposição que enfrentou as forças
governamentais de armas nas mãos. E os neonazistas opositores são quase
ignorados pela mídia de mercado. Quando apareceram as imagens nas ruas de Kiev,
os telejornais nacionais continuaram referindo-se aos insurgentes apenas como
“manifestantes” ou “oposicionistas”.
Quanto a Venezuela, é notória a ação
da direita que em abril de 2002 tentou derrubar o governo do Presidente Hugo
Chávez, que retornou ao poder com o apoio do povo e das Forças Armadas.
Não é de hoje que a mídia de mercado
de todos os quadrantes tenta apresentar a Venezuela mergulhada no caos. Nos
Estados Unidos, tanto o governo de Barack Obama quanto a oposição republicana
volta e meia se intrometem em assuntos internos de um país soberano.
O senador troglodita Jona McCain,
notoriamente vinculado aos setores mais retrógrados do espectro político
norte-americano, um representante típico do complexo industrial militar, chegou
ao ponto de sugerir uma invasão norte-americana na Venezuela para manter o
fluxo de petróleo.
Aliado a este troglodita, alguns
colunistas de sempre repetem a sugestão para a intervenção externa. Estão
sequiosos em derrubar o Presidente constitucional Nicolás Maduro.
A direita venezuelana não consegue
ganhar eleição e tenta de todas as formas assumir o poder no tapetão e mesmo
pela força. É conhecido o fato dos principais grupos oposicionistas
venezuelanos estarem vinculados à entidades norte-americanas que financiam
grupos suspeitos com o objetivo de desestabilizar o governo constitucional.
Historicamente tem sido assim na
América Latina. No Brasil em 1964, na Argentina, no Uruguai e Chile, entre
outros países que foram vítimas de golpes que contaram com o apoio integral dos
serviços de inteligência norte-americana.
Os tempos hoje são outros, mas os
setores que ainda tentam manter seus países sob a tutela política para a
manutenção de seus privilégios continuam tentando impedir as mudanças
necessárias para tornar o continente latino-americano mais justo socialmente.
Tais grupos econômicos não se conformam com a existência de governos
progressistas que procuram de uma forma ou outra conseguir as mudanças.
Na Venezuela, os antigos detentores
do poder nunca aceitaram a ascensão democrática do Presidente Hugo Chávez e
agora de Nicolás Maduro. A mídia de mercado exerce nesse sentido um papel
fundamental com a edição de matérias manipuladas, mentirosas ou de meias
verdades, com o claro objetivo de tornar ingovernáveis países que não aceitam
mais serem submissos aos interesses de Washington.
Nestes anos todos de governos
bolivarianos, a mídia de mercado tem apenas criticado com veemência as
transformações na Venezuela. Quem acompanha o noticiário tendencioso e se
baseia nele para formar opinião, vai concluir como querem os editores, ou seja,
que a Venezuela é o inferno do mundo. Porque nestes espaços o outro lado não é
apresentado, ou quando é aparece de forma secundária.
Por estas e muitas outras, todo
cuidado é pouco, porque o que está acontecendo na Venezuela em matéria de ação
de forças externas pode estar acontecendo em outras países do continente.
O governo venezuelano conseguiu
identificar três funcionários da embaixada dos
EUA em Caracas, que estavam em contato com manifestantes da oposição e ajudando
a planejar tumultos antigoverno por todo o país. Breann Marie McCusker, Jeffrey
Gordon Elsen e Kristopher Lee Clark foram expulsos, o que já tinha acontecido
em outros momentos com funcionários da embaixada estadunidense em Caracas.
Quando Henrique Capriles Radonski
vocifera contra o governo e manda Maduro apresentar provas da tentativa de
golpe denunciada está apenas jogando para a plateia, porque as ligações dele e
do ainda mais radical Leopoldo Lopez são notórias, até mesmo pelo recebimento
de dólares da Usaid e outras instituições estadunidenses.
*Texto de Mario Augusto Jakobskind.



