CARLOS CHAGAS -
Determinam a lógica e a ética que quem entra numa competição, qualquer que seja, deve dispor pelo menos da possibilidade teórica de vencer. Já na política não é bem assim. Existem candidatos que, se não sofrem das faculdades mentais, disputam eleições sabendo da impossibilidade de sucesso. Agem assim preparando eleições futuras, credenciando-se para outras funções, fazendo um balanço das forças e partidos que os apoiam e até por razões de megalomania.
Não se fala dos pretendentes óbvios à presidência da República, a partir de Dilma Rousseff, que tenta a reeleição, mais Aécio Neves, Eduardo Campos e Marina Silva, mesmo diante da disparidade entre eles, mostrada nas pesquisas.
Com todo o respeito, porém, não dá para entender porque os senadores Randolfe Rodrigues, do PSOL, e Magno Malta do PR, lançaram-se dias atrás. Para defender ideias e propostas, para fazer críticas ou formular programas alternativos, eles já dispõem da tribuna do Senado. São candidatos de si mesmo, prevendo-se que outros apareçam, como Levy Fidelis, na pista há três eleições. E mais uns tantos que fatalmente aparecerão.
Não é o caso de se fazer concurso para candidato, muito menos sujeitá-los a exigências específicas, do tipo diploma universitário ou certificado de saúde mental. Dirão ser assim no mundo democrático, quer dizer, todo cidadão é livre para disputar eleições, de acordo com requisitos constitucionais. Mas desperta perplexidade, até indignação, assistir demonstrações de falta de senso por parte de candidatos que na verdade não são candidatos.
O PAPEL DOS SOLDADOS
Nos idos de 1968, com os estudantes, artistas e intelectuais nas ruas em manifestações pacíficas, o governo decidiu mobilizar as forças armadas. A Polícia Militar do Rio já não conseguia conter os protestos, muitas vezes era posta para correr. O comandante do I Exército, general Sizeno Sarmento, disse ao governador Negrão de Lima que os seus soldados não recuariam nem seriam humilhados. Mandariam bala, se atacados.
Felizmente não foram, mas a gente se pergunta sobre o risco que seria, agora, a intervenção de soldados nos distúrbios prometidos para o período da Copa do Mundo. Como enfrentariam os Black Blocs, por exemplo?



