DANIEL
MAZOLA –
Esses fatos e cenas estão se tornando rotina nas manifestações populares, lugar comum. Mais uma vez, manifestantes e policiais militares entraram em confronto sábado passado durante o protesto que começou na Praça da República, no centro de São Paulo, contra a realização da Copa do Mundo no Brasil.
A manifestação, como ficou nítida através das televisões que cobriram ao vivo o protesto, foi acompanhada desde o início por um contingente de mil policiais, dentre os quais, homens da "Tropa do Braço", com treinamento em artes marciais. Com esse “grupo de elite” o saldo só poderia ser esse: vários feridos, por sorte nenhum morto, dentre os quais cinco policiais, dois manifestantes e o fotógrafo do Portal Terra, Bruno Santos.
230 pessoas foram detidas e encaminhadas a distritos policiais da região central e dos Jardins, o maior número desde os protestos de junho do ano passado. Ao menos duas agências bancárias do Itaú, patrocinador oficial da Copa, foram depredadas no Centro da capital. Em meio ao tumulto, os repórteres Sérgio Roxo (O Globo), Reynaldo Turollo (Folha de S. Paulo) e Paulo Piza (G1) foram detidos suspeitos de integrar o Black Bloc, assim como dois fotógrafos freelancers.
A confusão teve início quando PMs
cercaram em blocos jovens mascarados, em roupas pretas, ao que foram revidados
com lixeiras e cones de sinalização.
No tumulto, o fotógrafo do Terra teve o equipamento
destruído por golpes de cassetete desferidos por policiais. Os golpes acertaram
também suas costas. Santos caiu, torceu o pé e precisou ser encaminhado a um
hospital. Um dos PMs saiu ferido, e uma mulher teve o braço quebrado.
Em meio à ação, policiais militares cercaram e prenderam dezenas de manifestantes na Rua Coronel Xavier de Toledo. No local, dezenas de agentes de segurança formaram um cordão de isolamento e ameaçaram jornalistas que se aproximaram.
A PM foi questionada sobre a detenção dos profissionais
da imprensa, e informou que os jornalistas detidos teriam adotado
"práticas de manifestação típicas dos black blocs". "Quem não
for (black bloc), será liberado na delegacia", informou a PM.
“Estado Autoritário de Direito”
Está muito claro que a ordem
agora é endurecer, e muito. É ano reeleitoral presidencial e para governadores.
Na “república dos banqueiros” vigora esse modelito de Estado
Autoritário de Direito, e parece que não tem previsão de deixar de vigorar. Da
mesma forma como tende a ficar inalterado o esquema de dirigismo da atividade
econômica brasileira, em uma cínica parceria público-privada.
A
maioria vive despolitizada e alienada, lamentavelmente são milhões de
ignorantes, pessoas que não sabem ou preferem não tomar conhecimento daquilo que
teriam obrigação de saber. Esse país é o lugar perfeito para um laboratório de
manipulações midiáticas e safadezas ideológicas. Nosso cidadão médio, padrão,
adora futebol e um “bom debate” de botequim.
A
imensa maioria está sempre pronta a perder tempo com discussões inúteis. Nossos
pretensos intelectuais, remunerados pelas classes dominantes, adoram jogar
tempo fora discutindo um emaranhado de ideias fora do lugar, da realidade. É
preciso confundir a massa sempre. Nossos políticos e juristas, na maioria,
fazem o mesmo. Alguns se superam nesta arte escatológica. Outros mentem
tanto e tão bem que acaba acreditando na própria mentira.
Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda
do Reich na Alemanha nazista ensinou, para o mundo,
que qualquer coisa que for dito, de forma repetida, incansável, será aceito
pela massa, pela sociedade. Assim, tudo é relativo. Tudo pode ser transformado
em pretensa verdade ou suposta mentira, principalmente com essa máquina
monopolista do jornalismo de mercado no Brasil. Basta que o discurso assim o
proclame. É a lógica do “pensamento único”.
Lamentavelmente, quase sempre as ideologias são
usadas pelos controladores sociais de plantão, como meros instrumentos para
conquista, manutenção ou aumento de poder. A tática consiste em formar supostos
consensos. Por tal princípio, todos devem sempre concordar com a maioria. Mesmo
quando o forçado consenso se origina de uma minoria que, ativa em propaganda,
consegue o triunfo de sua vontade, impondo-a goela abaixo de toda a sociedade.
O tempo passa, o tempo voa, e tudo que foi antes imposto acaba sendo absorvido
e repetido pela massa.
A tentativa de construção de uma Democracia Real vem
sendo bloqueada e destruída assim. Financiada pela “república dos banqueiros” e
associados, a propaganda impõe interesses de grupos hegemônicos como se fossem
as únicas “verdades” a serem seguidas. Assim elaboram leis sem legitimidade, pela
“maioria parlamentar” para serem compulsoriamente aceitas por todos.
Com a massa despolitizada e forjada culturalmente
pelos interesses dominantes, imposto à sociedade pela ditadura do “pensamento
único”, a grande maioria, precisa voltar para as ruas, mas continua refletindo e
reproduzindo interesses de grupos hegemônicos. Facilitando assim a provável aprovação
dessa aberração democrática chamada de lei antiterror (que precisamos barrar),
e a manutenção do Estado Autoritário de Direito para alegria e felicidade geral
da “república dos banqueiros”, associados e agregados.
Cidadãos, manifestantes, contribuintes, trabalhadores, eleitores,
desempregados, lutadores, militantes, ativistas, mulheres, homens, crianças,
idosos, foliões, deficientes, torcedores, arquibaldos e ex-geraldinos, UNI-VOS!
Jovem
ferido relata abuso da PM
Um trabalhador que prefere ficar anonimo, técnico de manutenção, 25 anos, está revoltado com o que sofreu na noite de
sábado durante a manifestação em São Paulo. Ele foi detido e ferido na
testa por policiais no momento em que protestava, segundo ele pacificamente, ao
lado da noiva.
“Eu levei, junto com minha noiva, golpes de cassetete na cabeça e fiquei lá sangrando. Isso por volta das 18h30m. Apenas duas horas depois é que fui levado para o hospital, deram os pontos e, de lá fomos para a delegacia. Para mim tudo foi premeditado para nos afastar das ruas. Mas isso só vai fortalecer os protestos. Não entendo porque fazer isso com gente inocente, com jornalistas que estavam fazendo o seu trabalho”.
“Eu vi muita gente
desarmada, que não estava fazendo nada demais, ser agredida. Eu, além de ficar
detido por mais de duas horas, levei quatro pontos na testa. Minha noiva ficou em
estado de choque. Demoraram muito para levar a gente até o hospital”, relatou o trabalhador.
“De lá, fomos para a delegacia e ainda queriam fazer um B.O. contra a gente por estarmos na manifestação. Aí o próprio escrivão falou para o policial que fichar a gente não fazia sentido, pois estávamos desarmados e estávamos apenas cantando, em protesto, quando a confusão começou”, explicou.
“Quiseram nos deter para criar um clima de pânico.
Meteram o cacete em todo mundo. Vi um monte de adolescente ser arrastado,
apanhar mesmo. As autoridades precisam se pronunciar sobre isso”, exigiu o técnico de manutenção.
Fotos impressionantes
Recomendo! Fotografias de manifestações, guerras e conflitos urbanos, um
prato cheio. Material muito bom da recente batalha de Kiev, em mais de 70 fotos
impressionantes: http://www.bitaites.org/fotografia/batalha-de-kiev-em-10-fotos
Tesoura revanchista
E assim caminha a humanidade, digo o desgoverno. Sabe qual foi o
ministério que teve o maior corte orçamentário na tesourada dada pelo ministro Guido
Mantega, na semana passada?
O da Defesa: perdeu R$ 3,5 bilhões. A dotação aprovada para os militares
caiu de R$ 14,79 bilhões para R$ 11,29 bilhões.
Em termos de penúria, tudo ainda fica pior que dantes no quartel do
Abrantes. As dívidas públicas continuam sendo pagas religiosamente. Na “república
dos banqueiros” é assim, “vivemos” e nos sacrificamos em nome do “superávit
fiscal”.
Barrigada luxuosa
A turma foi precipitada. Realmente não procede a
informação de que a Presidenta Dilma tenha comprado a mansão da foto acima por
R$ 5 milhões.
Situada na Avenida Copacabana, 41, bairro Tristeza,
em Porto Alegre, a propriedade pertence ao publicitário Hugo F, Hoffman. Dilma
tem um apartamento no mesmo bairro, onde fica quando está na capital gaúcha.
Caso a presidente venha a comprar qualquer imóvel
nesse valor, é necessário comprovação dos recursos. Mesmo com a bolha
imobiliária rondando a “república dos banqueiros”, e com um salário muito acima da média do brasileiro, o que a presidente ganha não proporciona esse luxo. Ou estou
errado?
*Com informações do Coletivo
Mídia Informal.




