HELIO FERNANDES -
Ele ainda não percebeu a importância e as restrições do
cargo de Presidente da Republica. Com intervenção moralista e desproporcional, pegou
um episodio sinuoso, pegajoso, ruinoso, que podia e devia ser punido, mas por
autoridade policial, da região onde TERIA acontecido.
O destaque que dei á palavra, é que ficaria apenas
isolado e desconhecido, se não fosse à projeção dada estouvadamente pelo mais alto
personagem numa democracia.
Atacou a festa mais popular e democrática do país,
respeitada e admirada pelo mundo. Que reagiu com enorme repercussão, negativa
para Bolsonaro. Que como acontece quase sempre com ele, voltou atrás, recuou,
tentou um desmentido, com fartas e insinceras reverencias ao carnaval.
Devia
ser punido, o presidente da Republica não tem imunidade para atacar
desabridamente dezenas de milhões, em todo o pais que "pulam o carnaval ",
democraticamente, com alegria, satisfação, e não apenas nas brilhantíssimas e popularíssimas
Escolas de Samba.
Bolsonaro cometeu o crime de GENERALIZAR. Se não tivesse
sido expulso do Exercito e proibido de frequentar quartéis, talvez tivesse
chegado a GENERAL. Aí poderia fazer divagações tortuosas com a palavra.
BRIZOLA, SAMBÓDROMO, LINHA VERMELHA, PAULO FREIRE
Ficou asilado, proscrito, sem poder vir para o seu país,
durante 15 anos, de 1964 a 1979. Aí, os generais torturadores, forjaram a "anistia,
ampla, geral e irrestrita". Foram os grandes beneficiários, mas tinham que
libertar asilados e exilados. Brizola entre eles.
Chegou pensando na presidência da Republica. Objetivo e
obsessão dele e de Carlos Lacerda, adversários a vida inteira. Só que Lacerda
morreu de repente, em 1977, 2 anos antes da "anistia", com 63 anos.
Brizola fez toda a carreira no seu estado, vereador, deputado estadual,
prefeito de Porto Alegre, governador. Viu logo que não dava para disputar a
presidência, se elegeu governador do Estado do Rio, em 1982.
Aí, a guinada na sua vida política, como coloquei no
titulo. Em 1984 inaugurou o Sambódromo, confessou a este repórter e ao
extraordinário Paulo Freire, um dos mais importantes personagens da vida
brasileira: "No meu estado, não saía de casa nos dias de carnaval".
"Agora estou aqui para inaugurar a Linha Vermelha,
querendo ser Presidente da Republica, com eleições marcadas, mas sempre
indiretas".
Tinha esperança nas "Diretas, já", derrotadas
por grandes jornais, acumpliciados pelo que se chamou de transição, com o
restolho da ditadura. Houve então a indireta de 1985, isso não admitiu disputar
de jeito algum. Concorreu á presidência na direta de 1989. Collor ganhou o
primeiro turno, indo para o segundo com Lula, que derrotou Brizola por meio
ponto. Chamou Lula de "sapo barbudo", foi para a fazenda, voltou para
apoiá-lo, não tinha escolha.
PS- Como Lacerda, morreu sem ser presidente. Gostaria de
ver um deles, ou os dois, (na época não havia reeleição, comprada por
FHC, com dinheiro de financiadores interessados, em 1998), excelentes governadores.
Brizola duas vezes, por estados diferentes.
PS2- Brizola é citado aqui, numa edição única, com
grandes personagens, que surpreendentemente tiveram participação importante no carnaval.
PS3- Que ainda não acabou, domingo ainda tem desfile no
Sambódromo. Só na segunda feira, desaparece, dá a vez aos grandes
acontecimentos.



