Trocou de advogado e de roteiro, tenta ganhar a
liberdade, comprometendo a liberdade de muita gente, que
"confraternizou" a corrupção com ele. Inicialmente uma duvida enorme:
condenado a quase 200 anos de prisão, terá que revelar muita coisa, fazer
delação, acusação, contar fatos novos e importantes. Comentaristas e os
chamados especialistas, consideram que o ex-governador está
pregando em vão, não obterá sucesso, fará mais 2 ou 3 depoimentos, será
abandonado.
Do lado de Cabral, euforia e alegria. Fazem cálculos
super otimistas.
A estratégia do escritório do novo advogado, se dividiria
em duas partes. A primeira: reduzir as condenações para 20 ou 30 anos, considerado
o máximo de punição individual.
A segunda: reduzida a pena, começaria a cumpri-la,
negociando ano por ano, dentro da lei. Empreiteiras que
publicamente "colaboraram" com ele, garantem,
"a corrupção já confessamos, é coisa do passado". Mas estão
assustadas.
Cabral pode contar muita coisa. Governadores têm
influencia total sobre o judiciário, a nomeação de desembargadores, que formam
o Tribunal de Justiça. Depois dos "acertos" para as nomeações, Cabral
têm muito a contar "sobre venda de sentença" O desconforto
visível no TJ, ratifica o "poder de fogo" do ex-governador. E por
qualquer ângulo que se examine, a constatação: Cabral voltou ao jogo, é
personagem.
Pode ser fortuito, mas isso só se saberá com o tempo que
durarem as negociações.
Cabral justificou seu comportamento publico e político,
com uma afirmação: "Esse meu apego ao dinheiro, é um
vicio", e continuou cumprindo o roteiro escolhido.
O ex-governador teria obtido mais sucesso, se
confessasse: "Tudo que fiz foi uma tentativa de vingança contra o meu
próprio destino". Nasceu em Terra Nova, um subúrbio deserto e abandonado,
só se chegava de trem, o famoso "Maria fumaça". Viveu
miseravelmente, uma adolescência de fome. Conseguiu sair de lá, ninguém sabe
como chegou a Alerj, que dominou por 12 anos. Considerava que era o seu destino
final.
Poderia fazer outra confissão, nestes termos: "Aí
cometi uma BURRICE total, inesperadamente senador, governador, citado e
lembrado para presidente, troquei essa possibilidade, pela realidade
enlouquecida do luxo e do volume de dinheiro roubado, tão grande que
tive que inventar um recurso para GUARDA-LO, não poderia ser em casa ou em banco".
Aconteça o que acontecer, a situação do ex-governador não
pode piorar.



