HELIO FERNANDES -
1- Toda essa
crise, depressão, recessão interminável, começa com FHC em 1998, ha 20 anos.
Quando ele acabou com a alternância no poder, comprando a reeleição, financiado
e patrocinado por empresários poderosos. Não existe democracia solida, sem
renovação política e eleitoral. Rui Barbosa já defendia isso de forma
intransigente, colocando a não reeleição como principal clausula pétrea, na primeira
Constituição da Republica.
Os primeiros á
anos de FHC foram catastróficos, desastrosos, criminosos. Criou a Comissão de
Desestatização, e através dela, DOOU, (palavra utilizada por mim durante o seu
governo) parte importante do nosso patrimônio. Isso é crime de lesa Pátria, não
prescreve. Elevou os juros a 42 por centro, outro fato inominável. Mas o pior
de todos foi a entrega do poder, a grupos que não se renovam.
2- Lula, que
havia perdido 3 vezes seguidas, sem protesto ou desistência chegou ao poder,
tentou recompor as coisas. Ao contrario de FHC, seus primeiros 4 anos foram
excelentes, até inesquecíveis. Se tivesse acabado o mandato em 2006 e ido pra
casa, poderia até ser candidato em 2010. Mas com o roteiro escrito por FHC,
ficou até 2010, e queria mais, agora utilizando o chamado poste, a
insignificante Dilma.
Não queria
renovação dentro do PT, fez acordo: ela ficaria 4 anos, passaria o poder
novamente a ele, num movimento chamado de "Volta, Lula".
3- A traição de
Dona Dilma se recusando a cumprir o acordo dos 4 anos, exigindo os 8 da
Constituição, levou Lula ao desespero, mostrou o seu primeiro grande erro, fora
do Poder. E a economia, que já estava deteriorada e no caminho da destruição
nos 8 anos de FHC, e nos últimos 4 do próprio Lula, se arruinou completamente
com Dilma. Se a ambição desvairada de FHC não tivesse criado a reeleição, não
haveria 2014 na vida política, eleitoral e administrativa de Dona Dilma. Seria eleito
um novo presidente, quem sabe até pior, mas a alternância democrática, seria
mantida.
4- O impeachment
de Dilma, começou a ser tramado logo em 2014, com a sua reeleição. A posse foi
fortuita, incipiente, praticamente inexistente. O país ficou quase 2 anos sem
governo de verdade, o suposto Executivo devorado pela conspiração parlamentar.
Com a derrubada dela sendo apenas questão de tempo, para que mascarassem e disfarçassem
as ações dos corruptos Michel Temer, (vice) e Eduardo Cunha. (Presidente da
Câmara).
Com o Congresso
omisso e silencioso, Temer e Cunha agiram nos bastidores. Quando saíram dos
subterrâneos, tiveram a cumplicidade retumbante de deputados e senadores. Aí o
vice passou a presidente corrupto e usurpador. Cunha presidente da Câmara está
na prisão. Temer também tem pouco tempo de liberdade. Garantidos, não se sabe a
razão, 3 meses e meio até 31 de dezembro. A partir daí, cada dia livre, já será
lucro.
5- Com tudo isso
que resumi, dividiu totalmente o país, a palavra mais repudiada é dialogo. Não
esqueci de Aécio Neves. Com uma semana da eleição de Dilma, antes da posse,
entrou com recurso no TSE, pedindo a cassação da chapa Dilma - Temer, e a posse
dele mesmo como presidente. O TSE nem respondeu. Quando Temer assumiu pelo
malabarismo escabroso, o primeiro a aderir foi Aécio Neves, então presidente do
PSDB. Hoje um partido arruinado, Aécio totalmente execrado, nem sabe se será
eleito deputado, ele que ocupou e disputou os mais altos cargos da Republica.
Sem
investimento, sem desenvolvimento, com total estacionamento, o país totalmente
dividido, sobrevive penosamente, com 13 milhões de desempregados, e outros 27
milhões, que no máximo conseguem receber (?) são 300 reais
mensalmente. Essa é a realidade de um governo sem autoridade ou credibilidade.
PS- Esses
personagens e fatores que enumerei, trouxeram o país para uma sucessão
presidencial inédita e imprevisível.
PS2- Faltam 24
dias para a disputa do primeiro turno. E mais 21 para o segundo. Tudo pode
acontecer ou até não acontecer. Tenho totais duvidas, não só pelo que acontece
a céu aberto. Mas principalmente pelo que tentam tramar para não haver o
segundo.



