15.10.15

MP ADERE À ORDEM DE ESTADO TERRORISTA DE EXCEÇÃO CONTRA A DEMOCRACIA

Via Mídia Independente Coletiva -


Não há novidade no que o G1 - Rede Goebels - nos diz nesta matéria aqui linkada: http://nao.usem.xyz/7n34 . A linha acusatória do MP já foi publicada antes. Adicionaram mais uma conduta criminosa (já previsível) - corrupção de menores* - como estratégia penal da acusação para tentar garantir o encarceramento dos acusados ou, no mínimo, tentar negociar uma via de condenação que não revele as aberrações deste processo e da própria atuação do MP e do juiz, como algoz, neste processo, na ordem do direito penal do inimigo.

Não há qualquer prova concreta de relação direta entre algum crime e os supostos "criminosos", em um inquérito/processo eivado de irregularidades e arbitrariedades (que já deveriam ter servido para anulá-lo).

O que a matéria nos reitera, como fundamento e conhecimento estratégico para a resistência, é a ordem unida que visa consolidar uma nova fronteira paradigmática das políticas de criminalização e controle social, a criminalização da dissidência política, que têm por base a negação dos princípios da desobediência civil, de manifestação e organização política e do direito de resistência a regimes autoritários e injustos de ordenamento do estado (governo). 23 ou 15, quem for condenado será condenado de forma exemplar por mais de um milhão de manifestantes. A condenação, provável, nas mãos de Itabaiana, será uma atentado contra a democracia e contra os direitos civis e políticos de todos nós.

A possível consolidação de jurisprudência em torno das leis estaduais e nacional de "organização terrorista e/ou criminosa", de "vandalismo", "terrorismo", nos revelam é o terrorismo de estado como legado anti-democrático paradigmático.

O processo de rotulação penal, de criminalização, opera pela redução da complexidade dos fatos e do contexto em análise a uma ordem delinquencial arcaica. E assim, por um reducionismo espetacularizado da análise à condenação prévia dos dissidentes. O inquérito não trata da complexidade da luta contra o aumento das passagens, do processo de organização popular que sucedeu ao aumento (como ordem injusta e arbitrária). Um tecido complexo de organizações sociais insurgentes é reduzido à FIP como forma de produção de rótulos criminais compatíveis com a nova "legislação". E nisto, entre outros vários pontos, produz uma série de aberrações.

Qualquer ativista minimamente informado sabe das falácias deste inquérito-processo, sabe mais, através das redes sociais, sobre a complexa rede de coletivos e organizações político-sociais envolvidas legitimamente nas jornadas de 2013, do que a delegacia especializada (DRCI-DOPS) e o MP (público-privado) conseguem supor. O BNDES investiu milhões nas tecnologias da Cidade das Polícias para produzir tamanha aberração contra a democracia, como pressuposto do desenvolvimento social?

Neste processo não cabe, senão como contradição, o enredo da resistência social ao aumento das passagens, às remoções, à militarização de territórios e das práticas de contenção, controle e repressão do acesso e uso dos espaços públicos da cidade privatizados por ocasião dos megaeventos, entre outros regimes de ordem que deveriam, estes sim, estar em questão. O esvaziamento do inquérito, em relação a este conteúdo, cuja complexidade é muito mais densa e intensa do que a redução rotulacionista pretende, faz parte, como mitologia, do próprio processo / estratégia de rotulação / criminalização.

* A linha de investigação da DRCI-DOPS-MP, que começa em 2013, já investigou Bakunin, já teria chegado em Alan Moore, autor da série em quadrinhos "V de Vingança", um conto sobre a luta pela dignidade e liberdade numa Inglaterra dominada pelo fascismo. Adaptada, foi exibida com um dos maiores sucessos de público deste início de século XXI por todo o mundo. Foi um das responsáveis pela disseminação das máscaras de Guy Fawkes, personagem principal da trama, também nas jornadas de 2013. Um dos "menor" acusado é fundador de um grupo da insígnia dos Anonymous. O que significa que tem uma grande capacidade de leitura de informação política e comunicação. O que em si não corresponde à tese de "corrupção de menores", e que contraria a afirmação de uma perspectiva política de protagonismo juvenil. O poeta, escritor e compositor popular Caetano Veloso já havia, em 2013, mencionado o filme em resposta ao comentário jocoso e preconceituoso do comentarista da Rede Globo Arnaldo Jabor sobre xs manifestantes. Foram milhares de jovens Guy Fawkes...