Por KIKO NOGUEIRA - Via DCM -
A nova incursão de Silas Malafaia no terreno da picaretagem
evangélica é um vídeo detonando um comercial do Boticário em que
aparecem casais gays.
“Sou contra e estou aqui pra dizer que a família é milenar, homem,
mulher e sua prole. Tenho o direito de preservar macho e fêmea porque
essa é a história da civilização humana”, avisa.
Sugere um boicote por fazer parte de uma “maioria”, acusa a
propaganda de ser uma tentativa de “querer ensinar a crianças e jovens o
homossexualismo”. Etc etc.
O que incomoda tanto o homem? O que lhe dói tanto?
O comportamento obsessivo e histérico do maior pé frio na história
recente da política brasileira pode ser explicado pela ciência. Um
estudo sobre homofobia, publicado em 2012 no respeitado Journal of
Personality and Social Psychology — publicação especializada mensal que
circula desde 1965 — ajuda a entender o ódio e o medo que ele e seus
compadres sentem.
Durante meses, 784 universitários dos EUA e da Alemanha foram
convidados, primeiro, a avaliar sua orientação sexual de 1 (altamente
gay) a 10 (muito hétero).
Na sequencia, se submeteram a um teste. Imagens e palavras associadas
à sexualidade lhes foram mostradas. Eles foram então instados a
classificá-las de acordo com a categoria apropriada (gay ou hétero) o
mais rapidamente possível.
Houve um elemento crítico adicional, como explicou o professor
Richard Ryan, idealizador da coisa: “Antes de cada palavra e imagem, a
palavra ‘eu’ ou ‘outro’ aparecia na tela do computador por 35 milésimos
de segundo — tempo suficiente para os estudantes processarem
subliminarmente o dado, mas curto o suficiente para que eles não
pudessem vê-lo conscientemente”, escreveu num artigo no New York Times.
“A teoria, conhecida como associação semântica, é que quando ‘eu’
precede palavras ou imagens que refletem sua orientação sexual (por
exemplo, imagens heterossexuais para um heterossexual), você as
classifica na categoria correta mais velozmente do que quando ‘eu’ vem
antes de palavras ou imagens que são incongruentes com a orientação
sexual (por exemplo, imagens homossexuais para um heterossexual). Essa
técnica distingue de forma confiável indivíduos que se identificam como
heterossexuais dos que se definem como gays, lésbicas ou bissexuais.”
Entre o grupo que se disse “altamente hétero”, surgiu uma subseção de
cerca de 20% deles que indicaram uma atração pelo mesmo sexo. Esse
mesmo pessoal era “significativamente mais propenso a favorecer as
políticas anti-gays e a atribuir punições mais severas para autores de
pequenos crimes se o autor fosse presumivelmente homossexual”.
Para o doutor Ryan, “nem todos aqueles que fazem campanha contra gays
e lésbicas sentem desejo por pessoas do mesmo sexo. Mas ao menos parte
deles estão lutando contra si mesmos, tendo sido eles mesmo vítimas de
opressão e incompreensão”.
O caso de Malafaia embute ainda a possibilidade de o pastor ser
apenas um completo idiota oportunista. Mas isso é óbvio, não necessita
de prova científica — e não explica, sozinho, esse grau de indigência
mental.
VÍDEO:



