Por HÉLIO DUQUE - Via AD -
No pós-guerra, foi a fundamental alavanca para a
reconstrução da Europa Ocidental. O
general George Marshall, coordenador da indústria bélica norte americana
durante a II guerra, nos tempos de paz, seria responsável pelo Plano Marshall
que reergueria a economia europeia. O programa implantado, até 1951, teve o
custo de 13 bilhões de dólares. Atualizando aqueles valores para os dias
atuais, equivaleria a 110 bilhões de dólares.
Dois terços investidos na reconstrução da infraestrutura
da Alemanha Ocidental. Levando paralelamente a atração dos investimentos
privados, ancorados em reforma monetária estabilizadora, executada pelo notável
economista Ludwig Erhard, ministro da Economia e criador da economia de mercado
social, base fundamental para o reerguimento da República Federal da Alemanha,
até os dias atuais. O general George Marshall, em 1953, receberia o prêmio
Nobel da Paz.
Essa introdução é para levar o caro leitor a fazer,
conscientemente, reflexão sobre o desastre que atingiu a Petrobrás. No seu
balanço do primeiro trimestre de 2015, registrou dívida líquida de 332 bilhões
de reais. Em dólares, equivale ao montante dos recursos aplicados pelo Plano
Marshall na reconstrução europeia.
No “Relatório da Administração e Demonstrações Contábeis
Auditadas”, 2014, oficializado pela empresa, os números são impressionantes.
Li, com enorme atenção, o balanço da estatal e nele se expressa ativos
imobilizados no valor de 580 bilhões de reais. Os financiamentos para
amortização do endividamento têm escala variável de 1 a 5 anos, sendo
aproximadamente 80% em dólar.
Os investimentos temerários são citados, dentre outros o
das refinarias Premium I (no Maranhão) e Premium II (no Ceará), projetos
desativados por serem inviáveis, representando prejuízo de 2.825 bilhões. No
Japão, a refinaria de Okinawa, comprada na gestão Gabrielli, com capacidade
para processar 100 mil barris/dia, vai ter suas atividades encerradas por
inviabilidade econômica. A refinaria de Pasadena no Texas, não merece
considerações. Outros investimentos desastrosos são mencionados, destacadamente
as investigações na operação da lava jato.
O relatório destaca: “Ao longo de 61 anos, construímos uma
trajetória de superação de desafios. Tornamo-nos líderes mundiais em tecnologia
para exploração e produção em águas profundas e ultraprofundas onde estão cerca
de 90% das nossas reservas”.
A indiscutível competência técnica dos profissionais de
carreira são responsáveis e construtores dessa Petrobrás que orgulha os
brasileiros. Infelizmente levada a viver no presente, o inferno astral que
estamos assistindo. A sua ressurreição ocorrerá nos anos próximos, se a
interferência descabida e incompetente do governo Dilma Rousseff não
atrapalhar.
Impedindo o aparelhamento da estrutura administrativa como
empreguismo terceirizado. A título de exemplo, a nova diretoria descobriu
estarrecida que o setor de comunicação, dirigido por 12 anos pelo sindicalista
Wilson Santarosa (já demitido), tinha 1.146 funcionários contratados. No Banco
do Brasil, o setor tem 105 servidores; na Vale, são 46. Retrata o empreguismo
irresponsável.
O futuro da Petrobrás está na expansão da exploração das
reservas do pós e do pré-sal. Equacionar os desafios para aumentar as reservas
e sustentar o patamar de produção, ante uma dívida líquida estratosférica, precisará
buscar investimentos em diversas fontes de financiamento, O seu fluxo de caixa
para enfrentar novas operações é insuficiente no presente.
Felizmente a diretoria atual tem consciência dessa
realidade: “Um novo rebaixamento do ranking de crédito da companhia pode
resultar em um mercado menos líquido para a dívida”. Na contra mão e dirigindo
um carro sem freio, a presidente da República parece desconhecer o que o seu
governo fez com a empresa.
Em Pernambuco, em cerimônia de inauguração de dois navios
petroleiros, desautorizou o ministro Eduardo Braga, das Minas e Energia, que
defende mudanças na lei de petróleo. Também defendida pela diretora da ANPL
(Agência Nacional do Petróleo), Magda Chambriard. E timidamente, mas na mesma
perspectiva, pela diretoria da Petrobrás.
Hoje o regime de partilha obriga a empresa a ter 30% de
cada campo do pré-sal e ser a principal operadora. Ocorre que não existe
dinheiro para a sua execução, transformando o que seria um “bônus” em obstáculo
na exploração da riqueza tão necessária para a economia brasileira. A mudança é
imperativa. Igualmente na política de conteúdo nacional que vem prejudicando a
Petrobrás e o setor petrolífero, com preços muito acima dos praticados no
mercado internacional.
Para Dilma Rousseff, elas são imexíveis: “Podem contar, no
meu governo, será mantido”. O jornalista Elio Gaspari (O Globo, 17-05-2015),
ironiza: “A doutora sabe que o futuro a Deus pertence, mas, no presente, seu
governo marqueteia essa política enquanto quatro encomendas feitas a produtores
nacionais já foram substituídos por unidades importadas com cerca de 80% de
conteúdo nacional japonês ou de Cingapura. São importadas pelas empresas que
deveriam construí-las”.
Em síntese: no dialeto dilmês a realidade não importa,
vale o poder da incompetência e arrogância que agride a sociedade brasileira e
nela a Petrobrás é a grande vítima.



