CARLOS CHAGAS -
O deputado Eduardo Cunha tem certeza de estar o PT por trás das
sucessivas manifestações contra seus pronunciamentos, sempre que chega a
alguma capital estadual para desenvolver o programa da Câmara
Itinerante. Trata-se, para ele, de uma baderna organizada, trocando-se
apenas os personagens, sempre jovens que ocupam as galerias das
Assembleias Legislativas. É esse o troco dado pelos companheiros depois
que se viram alijados de cargos na mesa da Câmara, em fevereiro. Não há
sinais de que os protestos venham a se interromper, como também não se
cogita de paralisar as viagens aos estados.
Poderia o novo coordenador político do governo, Michel Temer, dar um
jeito na situação? Dificilmente, pois também conta com a má vontade do
PT. Sua função maior é de pacificar o PMDB, mas dificilmente impedirá as
escaramuças legislativas de Eduardo Cunha contra a presidente Dilma
Rousseff. Está previsto para a primeira semana de maio um esforço
concentrado da Câmara para votação da reforma política, quando poderão
ser aprovados projetos contrários aos interesses do PT e do governo.
Como ficará Michel Temer, colocado entre o seu partido e a presidente da
República? Será seu primeiro desafio.
MESMO ERRO DE SEMPRE
Certas maldades costumam vir em ondas, como o mar. Uma delas acaba de
dar na praia, em função da crise econômica. Volta-se a pregar que para
sairmos do sufoco será necessário aumentar impostos e reduzir direitos
sociais. Nas últimas décadas vimos Roberto Campos e Fernando Henrique
Cardoso digitarem a mesma tecla agora acionada pela dupla Dilma
Rousseff-Joaquim Levy.
Só que mais impostos significa menos consumo, enquanto menos
investimentos sociais, mais pobreza. Resumindo: escolhe-se outra vez o
caminho errado. Descapitalizado, o empresário não contrata e até demite.
Desempregado, o trabalhador deixa de comprar o mínimo necessário,
enfraquecendo o mercado. Como o governo não interrompe a gastança,
perde-se o dinheiro de mais impostos sem a contrapartida de sua
aplicação racional.



