Por BEMVINDO SEQUEIRA - Via Blog pessoal -
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| A charge da época ilustra a revolta da população contra Oswaldo Cruz que aparece com uma seringa nas mãos. |
Hoje tomamos as mais variadas vacinas e ainda reclamamos se algumas
delas não existem ou estão ainda em fase experimental. O vírus Ebola
ameaça a Humanidade e já estamos testando vacinas e a população aguarda
ansiosa por ela. Mas nem sempre foi assim. Há exatos 110 anos, em 11 de
novembro de 1904 a população do Rio de Janeiro iniciou a Revolta da
Vacina, como ficou conhecida. O fato é que o Rio estava com uma epidemia
de varíola e era necessário vacinar a população.
Foi decretada pelo Governo uma campanha
de vacinação obrigatória contra a varíola, comandada pelo ilustre médico
sanitarista Dr. Oswaldo Cruz.
Vale dizer que a vacina contra a varíola
havia sido descoberta nos EEUU em 1796, mas a grande maioria da
população do Rio era formada sobretudo por pobres ignorantes e não
conhecia o funcionamento de uma vacina e seus efeitos positivos. Logo,
não queriam ser vacinados.
Muitas pessoas se negavam a receber a
visita dos agentes públicos que deviam aplicar a vacina, reagindo,
muitas vezes, com violência.
Prédios públicos e lojas foram atacados e depredados;
Trilhos foram retirados e bondes (principal sistema de transporte da época) foram virados.
O Governo Federal suspendeu temporariamente a vacinação e decretou Estado de Sítio na Cidade.
A revolta foi imensa. Centenas de
pessoas presas, e loucura maior, depois de presas deportadas para o
Acre. Nunca mais se ouviu falar delas.
Durante a revolta cocorreram 30 mortes e 100 feridos.
Seis dias depois de inicada a revolta
estava sob controle e a campanha de vacinação continuou, erradicando a
epidemia de varíola do Rio de Janeiro.
Desde 1980 a varíola foi considerada pela ONU extinta da face da Terra.



