14.4.14

POLÍCIA DE CABRAL BATE E IMPRENSA INTERNACIONAL ARRAZA COM QUALIDADE DA SEGURANÇA PARA A COPA DO MUNDO. SE NÃO VERGONHOSO, UMA VIOLAÇÃO DO DIREITO INSERIDO NA CARTA MAGNA. PRÉDIO ESTÁ A DEZ ANOS JOGADO AS MOSCAS

ROBERTO MONTEIRO PINHO - 

A Telefonia móvel Oi Telemar mostrou que é deveras forte e influente para conseguir mobilizar o aparato policial que contou com 1.600 homens, para de posse de uma liminar sob a diligencia de 40 oficias de justiça, concedida pela juíza titular da 6ª Vara Cível do Méier, cumprir no dia 11 de abril a reintegração de posse, determinada pela Justiça, de um edifício da empresa Telemar - controladora do grupo Oi, no Bairro do Engenho Novo, zona norte da cidade do Rio de Janeiro, ocupado por 2 mil moradores há 11 dias. Para atingir o objetivo os policiais usaram bombas de efeito moral, balas de borracha, tiros para cima e gás lacrimogêneo. Um balanço parcial revela que um repórter do jornal O Globo foi detido e demais jornalistas que fazem a cobertura foram agredidos fisicamente e verbalmente por policiais, e outras vitimas foram os moradores.

Para atender a poderosa empresa, conhecida dos usuários por sua péssima qualidade de telefonia, e também líder no ranking de reclamações nos juizados especiais, o policiamento contou com reforço do Batalhão de Choque, Guarda Municipal e três helicópteros, além de uma retroescavadeira, utilizada para desobstruir a rua. O quadro foi sinistro, uma guerra entre desesperados sem teto e o Estado todo poderoso, (leia-se governador licenciado Sergio Cabral) com a justiça e a polícia detonando a tudo e a todos, sem o menor constrangimento.

Aconteceu de tudo, manifestantes atearam fogo a um carro da PM e também em um ônibus e feriram três policiais com pedradas. Tentaram incendiar um micro-ônibus da Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb), estacionado na Rua Álvaro Seixas, no Largo do Jacaré e um carro de uma emissora de televisão também foi parcialmente destruído a pedradas. A Rio Ônibus, que representa o sindicato patronal, confirma que um ônibus da Linha 629 (Saenz Peña/Irajá) foi totalmente destruído. Outro foi incendiado na Rua Vigilante Serafim, no Engenho Novo, a poucos metros do prédio da Oi.

Nos dias da ocorrência e seguinte, como reflexo, houve tensão também na entrada da favela do Jacarezinho, onde policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) tiveram que dispersar manifestantes, no acesso pela Rua Álvares de Azeveo, com bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta.  Um Centro Integrado de Educação Pública (Ciep), instalado na Rua Álvares de Azevedo, foi atingido a pedradas. O acesso à rua foi bloqueado por manifestantes que fecharam a pista com pedaços de paus, pedras e pneus.

O evento atravessou fronteiras e gerou notícias nos jornais internacionais, a BBC News destacou em seu noticiário noturno, que desocupação "terminou com violentos confrontos e alguns feridos". Já o jornal americano The New York Times citou que o confronto entre policiais e posseiros aconteceu "há apenas dois meses da Copa do Mundo", além de destacar o alto custo de vida no Rio de Janeiro e a falta de investimentos na construção de novas moradias. Um esculacho medieval, protagonizado tanto pelo estrangulamento social que esta submetida à população pobre, a uma afronta ao direito à moradia que é preconizada na Carta Magna. Uma covardia ímpar, não pela decisão liminar, mas pela forma em que ela foi cumprida pela polícia que aqui já lembrei, é uma tropa sem limite, despreparada e respeito humano.

"O Rio de Janeiro é um estado de exceção policial, aqui tudo está nas mãos desses bandidos, a aliança PMDB/PT criada aqui, para formar um espaço urbano a qualquer preço ou custo social, que dê as condições, sempre totalmente arbitrárias, excludentes e fascistas , a uma cidade de eventos, deu nisso. Aqui é uma ditadura sim, não militar, porém, policial e racista...". Depoimento da legenda e Foto: Francisco Chaves (midiativista e colaborador do Blog Tribuna da Imprensa online).