ROBERTO MONTEIRO PINHO -
A
Telefonia móvel Oi Telemar mostrou que é deveras forte e influente para
conseguir mobilizar o aparato policial que contou com 1.600 homens, para de
posse de uma liminar sob a diligencia de 40 oficias de justiça, concedida pela
juíza titular da 6ª Vara Cível do Méier, cumprir no dia 11 de abril a
reintegração de posse, determinada pela Justiça, de um edifício da empresa
Telemar - controladora do grupo Oi, no Bairro do Engenho Novo, zona norte da
cidade do Rio de Janeiro, ocupado por 2 mil moradores há 11 dias. Para atingir
o objetivo os policiais usaram bombas de efeito moral, balas de borracha, tiros
para cima e gás lacrimogêneo. Um balanço parcial revela que um repórter do
jornal O Globo foi detido e demais jornalistas que
fazem a cobertura foram agredidos fisicamente e verbalmente por policiais, e
outras vitimas foram os moradores.
Para
atender a poderosa empresa, conhecida dos usuários por sua péssima qualidade de
telefonia, e também líder no ranking de reclamações nos juizados especiais, o
policiamento contou com reforço do Batalhão de Choque, Guarda Municipal e três
helicópteros, além de uma retroescavadeira, utilizada para desobstruir a rua. O
quadro foi sinistro, uma guerra entre desesperados sem teto e o Estado todo
poderoso, (leia-se governador licenciado Sergio Cabral) com a justiça e a
polícia detonando a tudo e a todos, sem o menor constrangimento.
Aconteceu
de tudo, manifestantes atearam fogo a um carro da PM e também em um ônibus e
feriram três policiais com pedradas. Tentaram incendiar um micro-ônibus da
Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb), estacionado na Rua Álvaro Seixas, no
Largo do Jacaré e um carro de uma emissora de televisão também foi parcialmente
destruído a pedradas. A Rio Ônibus, que representa o sindicato patronal, confirma
que um ônibus da Linha 629 (Saenz Peña/Irajá) foi totalmente destruído. Outro
foi incendiado na Rua Vigilante Serafim, no Engenho Novo, a poucos metros do
prédio da Oi.
Nos dias da ocorrência e seguinte, como reflexo, houve tensão
também na entrada da favela do Jacarezinho, onde policiais da Unidade de
Polícia Pacificadora (UPP) tiveram que dispersar manifestantes, no acesso pela
Rua Álvares de Azeveo, com bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta. Um Centro Integrado
de Educação Pública (Ciep), instalado na Rua Álvares de Azevedo, foi atingido a
pedradas. O acesso à rua foi bloqueado por manifestantes que fecharam a pista
com pedaços de paus, pedras e pneus.
O evento atravessou
fronteiras e gerou notícias nos jornais internacionais, a BBC News
destacou em seu noticiário noturno, que desocupação "terminou com
violentos confrontos e alguns feridos". Já o jornal americano The New
York Times citou que o confronto entre policiais e posseiros aconteceu
"há apenas dois meses da Copa do Mundo", além de destacar o alto
custo de vida no Rio de Janeiro e a falta de investimentos na construção de
novas moradias. Um esculacho medieval, protagonizado tanto pelo estrangulamento
social que esta submetida à população pobre, a uma afronta ao direito à moradia
que é preconizada na Carta Magna. Uma covardia ímpar, não pela decisão liminar,
mas pela forma em que ela foi cumprida pela polícia que aqui já lembrei, é uma
tropa sem limite, despreparada e respeito humano.



