HELIO
FERNANDES -
Dona Roseana tem 75 dias para ser ou não ser. Já devia
estar desgovernadora, não só pela desadministração mas também pelas
destrambelhadas afirmações. Como governadora transformou o estado num covil de
bandidos, que de dentro para fora, seqüestraram a população.
O sistema penitenciário brasileiro é terrível, mas nada
parecido com o que Dona Roseana implantou no Maranhão. 60 homens decapitados, e
suas cabeças como troféus macabros, exibidos diante de toda a população. E com
a governadora sem qualquer providência.
Enquanto os bandidos de dentro das penitenciarias,
queimavam ônibus, impediam qualquer um de sair de casa, Dona Roseana cuidava
das privatarias alimentares, da mais alta categoria. Isso na casa oficial e na ilha que comprou não
se sabe com que recursos. Como já disse aqui, como cabralzinho, ela jamais
trabalhou na vida.
O
poder do pai satrapa, mantém a decapitada desgovernadora
A intervenção já deveria ser uma realidade. Dona Dilma,
que deveria ter determinado o ato e o fato, se esconde, no momento só se
interessa pela reeleição. Mandou pra lá o Ministro da Justiça, Dona Roseana
ficou apenas com o retrato na parede. Terminado o recesso, o Procurador Geral
da República pedirá a intervenção, logo em 5 de fevereiro.
Haja o que houver, a partir daí Dona Roseana terá mais
60 dias, até 5 de abril. Por que o prazo? Ela terá que deixar o palácio e o
governo, para se candidatar a senadora. Garante que o cidadão do Maranhão
votará nela, “as penitenciárias tem o melhor serviço médico do Brasil, apenas
alguns bandidos querem criar confusão”. E pode ser eleita mesmo, são 48 anos de
capitania hereditária do pai, e ela se locupletando, que palavra.
E
a transferência dos 23 bandidos?
Até agora não aconteceu nada, 4 mil e 700 prisioneiros,
ocupam os espaços onde deveriam estar 2 mil, e assim mesmo numa promiscuidade desgovernada.
A transferência dos 23 presos continua parada. E de que
adiantaria? Façam o calculo sem maquininha. São 4 mil e 700 prisioneiros. 10
por cento, 470. 1 por cento, 47, meio por cento, 23 e meio. Como vão transferir
(vão?) 23, como escolher entre 4 mil e 700 marginais, apenas esses 23? Como
saber que são os culpados de tudo, os lideres, os comandantes da chacina?
Dona
Dilma Atingida
A presidente tem uma preocupação, essa que está no
título, “minha reeleição corre perigo?”. É difícil dizer, pela fraqueza dos
adversários. Mas a cabeça eleitoral de Dona Dilma não está muito segura. A não
ser que determine a intervenção, i-m-e-d-i-a-t-a-m-e-n-t-e.
Maranhão,
terra de grandes poetas
São muitos, notáveis, inesquecíveis, mesmo os de fora
tem que ser esquecidos. Carlos Drummond, com sua intuição e inspiração, “no
meio do caminho tinha uma pedra”, pode fazer o povo lembrar de Pedrinhas,
diminutivo de uma catástrofe, o nome de um complexo da morte ou da existência
sem vida.
O
discurso do Papa, e o de Lincoln, 153 anos antes
Numa reunião histórica na Capela Sistina, Francisco
inovou completamente. Nomeou cardeais, batizou a filha de uma mãe solteira,
recebeu um casal casado fora da igreja. Em tudo isso, usou apenas 186 palavras
no discurso anunciando os 19 novos cardeais.
Em 5 de março de 1861, tomando posse como presidente
dos EUA, (na época a data era essa, hoje, pela Constituição é 20 de janeiro).
Lincoln usou 167 palavras, pode até ser considerado o precursor do twitter.
McKinley,
mais de 8 mil palavras
O discurso mais longo de um presidente dos EUA, foi
esse em 1901. Monótono, cansativo, dispersivo. Naturalmente acredito que não
por causa do discurso, foi assassinado seis meses depois. No seu ligar assumiu o
vice Theodore Roosevelt (tio do próprio), o primeiro a chamar países da América
Central e do Sul, de “banana Republic”. Mas isso já é outra história.
Dorival
Caymmi e Carlos Lacerda, fazem 100 anos no mesmo dia, mês e ano
Nasceram em 13 de abril de 1914, se destacaram muito
cedo. Conheci Caymmi bem antes, nos almoços de domingo na casa do grande pintor
Enrico Bianco. Caymmi, um charme só. Não era assíduo, mas se relacionava bem
com todo aquele grupo da revista O Cruzeiro.
Já começando a mostrar o talento, foi se destacando,
sua carreira, fascinante e festejada. Conheceu Estela, em São Cristovão, numa
época em que se namorava no portão, se apaixonaram, ela extraordinária e jovem
cantora, abandonou todo o projeto musical que seria de grande futuro, decidiu
(decidiram) formar uma família.
E que família, mais musical é impossível. Todos
notáveis, de projeção nacional, Nana, Dori, Danilo, que preparam esse
centenário inesquecível e insuperável, pois Caymmi é eterno. Tudo com amor,
lembranças que não se apagam, inspiração que não se esgota.
Sempre com admiração, vi muitos dos seus shows. Como
admirador ia ao camarim cumprimentá-lo.
Como
serão comemorados os 100 anos de Carlos Lacerda?
Duas vidas, dois destinos, duas trajetórias,
inteiramente diferentes e desencontradas. A musicalidade de Caymmi e o retumbar
da voz do polemista, sons ouvidos pelo povo, com enlevo, mas com reações que
provocavam repercussões nada parecidas. Nem sei se tiveram encontros, só me
lembro de um, em São Paulo, na Rua Libero Badaró. (O extraordinário homem
público, assassinado em 1831, na rua que leva seu nome. “Morre um liberal, mas
não morre a Liberdade”, herança que deixou para todos).
Lacerda,
a voz do Libelo
Tinha uma genética, o pai, Mauricio, grande orador, o
avô, Sebastião, também dominando as palavras, Ministro do Supremo. Um dos
melhores livros de Lacerda, “A casa do meu avô”, mostra e comprova o que me
disse na prisão: “Sou um intelectual desviado para a política”.
Rigorosamente verdadeiro, mas jamais se desvinculou da
política. E mesmo depois de cassado pelo AI-5 monstruoso, refugiado na Editora
Nova Fronteira, não negava: “Só voltarei à política para ser candidato a
presidente da República”. Mais do que constatação, era enorme obsessão.
A
traição do destino
Não quero nem é preciso contar a vida de Caymmi e de
Lacerda. São duas vozes que se ouve perene ou fugazmente, apenas
reverenciá-los, lembrá-los, mostrá-los, o mais rápido que é possível. Lacerda
morreu em 1977, mocíssimo, aos 63 anos. Pouco antes da ditadura ser derrubada
por outra voz, a mais poderosa de todas, a do povo.
O
conciliador, participante da histórica Frente Ampla
Em 1965, quase deixando de ser um governador
importante, concordou em conversar na minha casa, com gente que jamais se
encontrará. Depois dessas oito reuniões, partiu para o diálogo com Jango e
Juscelino, incluiu Brizola, mas este se recusou. Não assinou o documento nem se
encontrou com Lacerda ou Juscelino.
As
multidões que seguiram Lacerda
Aos 34 anos, em 1949, fundou a Tribuna da Imprensa. Mas
já era um nome nacional, tinha admiradores, seguidores, contestadores e
perseguidores. No dia 13 de abril, Caymmi estará merecidamente nas manchetes.
Quem se lembrará de festejar Lacerda? Esta nota é uma lembrança, uma
comparação, mas também cobrança antecipada.
O
aumento dos juros
Em setembro, quando os juros estavam em 9 por cento, e
muitos economistas falavam em 9,75% no máximo, escrevi: “Fechará 2013 em 10 por
cento cravado”. Foi o que aconteceu.
Quando foi para 10, voltei a escrever contrariando a
visão dos binóculos dos economistas do governo: “Pode não haver aumento em
2014”. Disse que “entre janeiro e março pode ou deve ir a 11 cravados”.
Estão reunidos hoje, estudando, pensando, meditando no Banco
Central. Mas até março se entregarão aos 11 por cento.
É bem possível que não passem daí. Mas a amaldiçoada
divida interna, já está exigindo, neste 2014, “superávit primário” de 200
BILHÕES. O secretário do Tesouro e o Ministro da Fazenda, brigarão por cargos,
os cidadãos pagarão mais impostos e não sobreviverão.


