Por
PEDRO ZAMBARDA - Via DCM -
Pouco antes das 20h de sexta-feira (28), a mobilização da
Frente Povo Sem Medo chegou até a frente do bloqueio da mansão do presidente
Michel Temer.
Por praticamente 20 minutos,
houve provocações e palavras de ordem. As pessoas queriam chegar mais
perto e a Tropa de Choque já estava posicionada para impedir o avanço.
No centro da rua, colados no bloqueio,
estavam os manifestantes. À esquerda e à direita estavam os repórteres. Os
Jornalistas Livres estavam fazendo transmissão ao vivo e uma jornalista do SBT tentava
fazer uma entrada.
A repórter de TV foi hostilizada, chamada de
“golpista”, “adoradora de Sheherazade” e “bajuladora do Silvio Santos”.
Mais cedo, por volta das 17h, os
manifestantes mandaram o repórter José Roberto Burnier, da TV Globo, ir embora do
Largo da Batata.
No dia anterior, o Jornal Nacional não deu
uma notícia sobre a greve geral. No didia das mobilizações que
mexeram com o Brasil, a Globo só falou de vandalismo e do “drama”
de quem não conseguiu ir trabalhar.
No momento que os policiais começaram a
atirar bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão, miraram no canto
direito, onde eu estava, e acertaram o meu tórax e meu cotovelo.
A bala acertou em cheio a
jornalista que estava ao meu lado, que ficou protegida por seu agasalho
mais grosso. Meus ferimentos foram leves e ocorreram porque eu estava de
camiseta, com alguns arranhões.
Inalei uma quantidade considerável de gás
tentando fotografar e filmar o momento em que os manifestantes derrubaram a
cerca da mansão de Temer. Recuei para perto do caminhão de som com Guilherme
Boulos, que falou no megafone sobre as pessoas machucadas.
São Paulo teve três grandes manifestações na
cidade toda. A primeira foi de professores na frente da Prefeitura, seguida de
uma na Avenida Paulista da Conlutas com o PSTU que durou apenas uma hora, além
da principal no Largo da Batata com CUT, CTB, os principais sindicatos.
A Frente Povo Sem Medo estimou uma
concentração de 70 mil pessoas.
A Polícia Militar não deu dados de quantos
manifestantes estavam no local.
Havia idosos e crianças pequenas entre os
manifestantes, especialmente mais próximos do caminhão do MTST de Boulos.
Por este motivo, a Tropa de Choque não
avançou tanto com sua habitual brutalidade no fim do protesto, que acabou por
volta das 21h.
“Acho que a Reforma Trabalhista não vai
passar. Sabe aquela proposta de terceirização que lançaram na época do Cunha?
Foi aprovada na Câmara há um ano e não andou no Senado. Essa Greve Geral vai
ter um impacto muito grande e ela começa a derrubar o governo Temer. Há um
grupo de senadores que vai apresentar uma proposta de antecipação de eleições
para outubro de 2017”, disse Lindbergh Farias ao DCM.
No caminhão de som, além de Guilherme Boulos
do MTST, discursaram o próprio Lindebergh, Gleisi Hoffman, Ivan Valente e
líderes sindicais, além de representantes dos indígenas que protestaram em
Brasília.
Foram mais de 130
cidades com manifestações contra Temer no dia 28
de abril, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Santos, Curitiba, Porto Alegre e
outras.
A Folha de S.Paulo informou que 38 delas
interrompeu os transportes públicos. A PM acertou o olho de um idoso em
Brasília, segundo os Jornalistas
Livres.
Houve bancos depredados no Largo da Batata e 21
detidos na capital paulistana, mas muito dos atingidos por balas de borracha
eram manifestantes que não cometeram nenhum tipo de crime.
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