ROGER MCNAUGHT -
O bairro de
Copacabana, no Rio de Janeiro foi tomado por pessoas vestidas de verde e
amarelo, mas não se tratava de um jogo da seleção brasileira. Era mais um ato contra o PT, mas que na verdade se mostrou um festival
de incongruências. Enquanto o discurso era contra a
corrupção e em defesa do Brasil, víamos sem dificuldade bandeiras de outros
países se somando à manifestação.
Enquanto a
manifestação se proclamava popular e contra a violência, terríveis violências
foram cometidas contra nossa cultura e nossa população.
Desde cartazes
altamente preconceituosos contra tradições como o acarajé, em um medonho
cartaz “mais coxinha, menos acarajé” até
uma infame manifestante que pintou o rosto de preto e segurava um cartaz com
mãos negras algemadas, algo que levanta algumas interpretações – mesmo todas as
possíveis sendo altamente questionáveis e covardes.
A parte musical foi
igualmente lamentável, com músicas que não atacavam a atual presidente por sua
política, o que seria o esperado em um ato de democracia, mas atacavam com
orientação sexista, com o refrão “Dilmãe eu quero mamar, dá uma teta, dá uma
teta”.
Outros absurdos foram
ocorrendo durante o percurso, com a clara intenção de se comparar “às avessas”
ao movimento ‘Diretas Já’, falando a todo momento que aquela manifestação seria
maior que as ‘Diretas Já’ - ato político que marcou o fim do regime militar e
as eleições diretas.
Em outro carro de som,
o nível havia quase que desaparecido. Com faixas em inglês, outras
apoiando a candidatura futura de Jair Bolsonaro e pessoas usando camisas com
uma logomarca de uma coalizão anticomunista, um indivíduo chegou ao ponto de
sugerir que caso o ex-presidente Lula saísse do país, iriam atrás do mesmo com
“snipers” (atiradores de elite) para matá-lo, uma ameaça clara a outra
pessoa. Vale ressaltar que mesmo a culpa
do ex-presidente seja comprovada, isso não torna uma ameaça de morte algo
legítimo ou mesmo correto.
A manifestação
milagrosamente se encerrou sem maiores incidentes, mesmo havendo diversas
pichações pelo bairro em apoio à presidente Dilma e ao ex-presidente Lula e,
havendo diversos sobrevoos de um avião que trazia uma faixa “contra o golpe” e
em apoio ao governo federal.



