ROGER MCNAUGHT -
Nas últimas semanas dezenas de protestos de estudantes da
rede estadual de ensino do Rio de Janeiro tem tomado as ruas por todo o estado,
porém o que pouco tem sido abordado pelos meios de comunicação tradicionais são
as razões para este levante estudantil.
Diante de salas superlotadas, atraso no pagamento dos
servidores, cortes no pessoal e na estrutura e para piorar situação altamente
insalubre em algumas unidades, os estudantes estão indo quase que diariamente
às ruas exigir respeito à comunidade escolar do estado.
Professores – incluindo vários pertencentes ao SEPE,
entidade sindical da categoria – tem se somado aos estudantes diante do cenário
de calamidade no sistema educacional. Profissionais de noutros estabelecimentos
de ensino ligados ao governo do estado, como FAETEC e UERJ também aderiram à
greve.
Nesta quinta-feira, dia 10 de março, estivemos em Madureira
acompanhando o ato que saiu do colégio Carmela Dutra, e durante o percurso do
ato e sua pequena parada debaixo do viaduto de Madureira, entrevistamos
estudantes e professores. O que nos foi
relatado foi assustador: problemas de infiltrações na unidade, problemas na
merenda escolar e o mais perigoso, problemas na rede elétrica, com fios
elétricos expostos.
Ao entrevistar um diretor da entidade sindical dos
professores, descobrimos que esta denúncia não é um caso isolado mas sim um
problema crônico que coloca em risco nossas crianças e nossos jovens. E as denúncias continuaram com, pasmem,
denúncias de piscinas abandonadas em pleno surto infeccioso de doenças causadas
pelo mosquito Aedes Aegypti.
Ao retomarem a caminhada em direção ao parque de Madureira,
foi notável o desconforto de agentes da CET RIO que tentaram de toda forma
intimidar e coibir o legítimo pleito dos estudantes, ofendendo alunos e
professores com termos pejorativos.
Mesmo diante disso, o ato prosseguiu de forma tranquila,
recebendo apoio de transeuntes, motoristas e funcionários de lojas que mesmo em
horário de serviço foram à frente do ato e dançaram em apoio aos estudantes e
suas reivindicações. No parque de
Madureira, o encerramento simbólico do ato se deu à frente do símbolo olímpico,
que tanto tem trazido tristeza e descaso à nossa já tão sofrida população.
Continuaremos apurando e colhendo depoimentos sobre os
perigos a que nossa população está sendo exposta por mero descaso e má gestão
do atual governo do estado.



