GERALDO PEREIRA -
Há uns dez
anos escrevi um artigo com o título acima, para o jornal do SINTHORESP, acredito
foi lido por muitos trabalhadores, dados comentários recebidos no restaurante
dessa respeitável entidade sindical, onde de quando em quando, almoçava.
Edemar Cid
Ferreira é o seu nome. Não sei onde nasceu. Se veio de berço de ouro, ou se
constituiu sua imensa fortuna dando duro. Se bem que, realmente, dando dura ninguém
consegue uma fortuna como a de Edemar. Ele é o presidente do Banco Santos.
A televisão
e os jornais exploraram tanto quanto foi possível as cenas de sua prisão. As algemas
colocadas nos seus pulsos foi um espetáculo horrível que tive por alguns
instantes diante dos meus olhos, assistindo ao jornal da TV Gazeta.
Tenho uma
simpatia pela seriedade da apresentadora deste jornal, sempre com uma belíssima
impostação de voz, afinada, de maneira gostosa com o texto.
Edmar é
levado à prisão da Policia Federal. Para trás ficaram os filho e a esposa, esta
também numa situação dificílima e poderá passar pelos mesmos sofrimentos pelos
quais passa o esposo. No outro dia, o filho vai a sede da polícia, mas não
consegue falar com pai. Deixa-lhe algumas roupas, comida e água mineral.
A casa de
Edemar tem cinco mil metros quadrados. Ele gosta de arte. Na casa, grandes
obras se fazem presentes. A residência é um imenso museu, é qualquer coisa de inimaginável.
Imagino o
que se passa na cabeça do Edemar, preso numa sala de quatro metros. Ele está sozinho.
Possuidor de curso superior, tem direito a prisão especial (essa excrescência
sem limites, um desrespeito a Constituição: “Todos são iguais perante a Lei”).
O domingo é
de expectativa, a qualquer momento a desembargadora Ana Maria Pimentel, do Tribunal
Regional Federal pode decidir se concede ou não o habeas corpus impetrado pelo
advogado de Edmar, Arnaldo Malheiros Filho.
Na madrugada
da segunda feira, a notícia triste para Edmar, a Desembargadora negou o habeas
corpus. Ele continuará preso, e o que é pior, seria levado para o presídio em
Guarulhos. Ficará por 15 dias no regime de observação, no CDP, ele poderá ter
companhia na cela de outro preso. Após esses 15 dias, caso Edemar na consiga um
outro habeas corpus, ele irá para uma cela comum. No presídio onde se encontra,
a capacidade é para 768 detentos, mas abriga 1165 – um barril de pólvora!
Leio na
Folha de domingo, uma longa matéria, sobre Bernardo Cerveró, filho do
ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, preso na Operação Lava Jato. Bernardo
é aquele moço que conseguiu gravar um papo num Hotel de Brasília, com o senador
Delcídio do Amaral, e do advogado de seu pai, Edson Ribeiro. Esse papo acabou
levando, além da prisão de ambos, também a do banqueiro André Esteves, dono do
banco BTG Pactual.
Nestor já
foi condenado a 12 anos de prisão, por corrupção e lavagem de dinheiro. Estava recolhido
no Complexo Médico Penal em Pinhais, na grande Curitiba. Diz a Folha, que ele chegou
a defecar na pia da cela. Nestor voltou à carceragem da PF, a contribuição do
filho, acredito eu, foi decisiva para essa transferência. A gravação feita pelo
Bernardo, muito contribuirá a fim de que o pai possa cumprir prisão domiciliar
com uso obrigatória da tornozeleira eletrônica, no futuro!
Um diretor
da Petrobras, acredito que “ganha bem” – muito bem – dar para viver com
dignidade neste regime podre em que vivemos. Dizia o velho líder socialista de
nosso país, o saudoso João Mangabeira, que há certas virtudes que só a pobreza
tem. Ontem constatei essa verdade. Bati um longo papo com um casal que há uns
15 anos vende mandioca descascada aqui em Itapevi (SP). Sou seu freguês. Simpáticos,
sentado em caixões, um descasca a mandioca, o outro corta, lava, pesa e põe no
saco plástico. Sempre os vejo, rindo, conversando, satisfeitos, jogando
conversa fora, a mandioca que eles vendem cozinha mesmo!
Nestor estava
com a vida mansa, seus colegas também diretores da Petrobras (Renato Duque,
Paulo Roberto Costa, Jorge Zelada, Pedro Barusco), também! Os bens de cada um, dos
componentes da turma, para não dizer da quadrilha, chegava a expressivas
centenas de milhões, imóveis no Brasil e no exterior, automóveis importados,
lanchas, obras de arte, residindo em coberturas faraônicas, nos bairros da
altíssima burguesia.
Eles não tiveram
cuidado de zelar pela família. Todos colocaram esposas, filhas, filhos e
genros, nos negócios safados que mantinham dentro e fora do país.
O banqueiro
André Esteves, a bem menos de duas décadas, era funcionário do segundo ou
terceiro escalão do banco. Aprendeu os macetes. O regime é prodigo nessas
coisas, “se colar colou”. Foi em frente, estava prestes a chegar onde chegou
seu colega, Daniel Dantas. Apenas não tinha a inteligência dele. Não se calçou,
cadê os conhecimentos em Brasília? Cadê o prestígio com o ministro Gilmar
Mendes? A sorte, o prestigio do Daniel Dantas, o salvou de 12 anos de prisão,
determinada pelo Fausto De Sanctis
por diversos ilícitos penais, descoberto na Operação Satiagraha.
Permito-me citar a afirmação
de um saudoso jornalista, que também foi membro da Academia Brasileira de
Letras: “No Brasil tudo pode acontecer, inclusive nada”. Daniel Dantas teve de
volta sua imensa fortuna, que há anos estava congelada, conseguiu anular todo o
processo, de acusado passou a acusador. O delegado Protógenes Queiroz que o
diga! Hoje, ele e seus amigos, lutam para que a Camara dos Deputados aprove a
sua anistia. Enquanto isso, homem de fé, católico, Protógenes aguarda, e confia
na justiça de Deus, na justiça Divina, porque a outra está muito cara.



