CARLOS CHAGAS -
Continua prendendo as atenções o V Congresso Nacional do PT, a
instalar-se amanhã em Salvador. Não parece fácil aos dirigentes de
partido, com o Lula puxando a fila, impedir que parte dos companheiros
se manifeste contra o ajuste fiscal do ministro Joaquim Levy e até
contra a presidente Dilma. Afinal, vive-se ou não a democracia
partidária? Calar a voz dos revoltados será boa estratégia?
Claro que a maioria dos 800 participantes fará coro com o governo,
ainda que por via das dúvidas a presidente deva entrar no plenário de
braços dados com o antecessor, garantia de aplausos endereçados muito
mais a ele do que a ela. Não será ameno, porém, o clima da reunião. Há
consciência entre os petistas de sua popularidade estar saindo pelo
ralo, em especial por conta da redução de direitos trabalhistas proposta
pelo ministro da Fazenda e endossada por Madame.
Até o bloco majoritário denominado “Partido que Muda o Brasil”
encontra-se dividido, com partidários da facção “Construindo um Novo
Brasil” e da corrente “Novos Rumos”. Funcionam também grupos menores,
como “Democracia Socialista”, “Mensagem ao Partido”, “Movimento PT”,
“Socialismo 21”, “Articulação de Esquerda”, “Diálogo” e “Ação Petista”.
Senão um balaio de caranguejos, pelo menos um saco de gatos, com
delegados de diversos matizes unidos apenas pela importância de
permanecer no poder.
ESTRANHA NO NINHO
Parece óbvio ser a presidente Dilma “uma estranha no ninho”, tolerada
e olhada de viés pela maioria. Os pronunciamentos dela e do Lula
deverão equivaler-se em termos de otimismo, assim como o do presidente
Rui Falcão. Abre-se o leque, no entanto, para as surpresas de algum
orador mais corajoso, capaz de criticar os termos do ajuste fiscal.
Ignora-se quem será.
Prosperava, ontem, a idéia de o V congresso prestar uma homenagem aos
companheiros condenados no processo do mensalão, como José Dirceu, João
Paulo Cunha, Delúbio Soares e outros. Eles se julgam abandonados, até
com certa razão, ficando a dúvida sobre se serão aplaudidos pelo Lula e
por Dilma, e em que ritmo.
Em suma, estarão voltadas para o PT, neste fim de semana, as atenções
gerais. De olho nos trabalhos, o PMDB espera passar incólume em meio à
má vontade de seus aliados. Como seu presidente, o vice Michel Temer
terá sido convidado a comparecer, mas dificilmente irá. Vaias não
combinam com seu estilo.



