Por LUIZ QUEIROZ - Via Jornal GGN -
Nos últimos anos, a indústria
brasileira de defesa tem ganhado maior atenção do governo federal, que
sem interferir politicamente nos assuntos de segurança nacional está
incentivando projetos inovadores.
Um exemplo disso é o acordo com a sueca Saab para desenvolver no Brasil o caça de quarta geração Gripen NG.
Outro exemplo é a parceria com o governo da França no desenvolvimento
de quatro submarinos convencionais e um de propulsão nuclear, assunto
que foi tema de debate no 59º Fórum de Debates Brasilianas.org
De acordo com contra-almirante Sydney dos Santos Neves, gerente do
Empreendimento Modular de Obtenção dos Submarinos Convencionais da
Marinha do Brasil, o projeto original (de 2008), do Programa de
Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) tinha um valor de € 6,7 bilhões.
“Uma parte é financiada por um consórcio de bancos. E outra vem da
União – e está sujeita aos contingenciamentos da União”, disse. Ainda
assim, ele espera que o programa não seja impactado pelos cortes
orçamentários.
Assim, será possível cumprir o cronograma de entrega, que prevê a
conclusão de um estaleiro até o final deste ano, um estaleiro de
manutenção ao final de 2017 e uma área nuclear até 2021. Tudo isso em um
único lugar, a base do projeto em Itaguaí (RJ). “Em 2025 ele [o
submarino de propulsão nuclear] vai para o mar”, garantiu o
contra-almirante.
E não é apenas o desenvolvimento em solo nacional de uma tecnologia
de ponta. Há de se considerar todas as externalidades positivas, ou
seja, os benefícios para toda uma cadeia de valor.
Apenas no projeto do submarino nuclear, são 145 engenheiros
empregados. “Esse número no pico deve chegar a 400 engenheiros e
técnicos”, prevê Santos Neves.
Como um todo, o PROSUB tem 1600 pessoas envolvidas. A maior parte
oficiais da Marinha, mas também civis. “Só oficiais não conseguem fazer
tudo. Então, estão sendo abertos concursos públicos também”, disse o
contra-almirante.
Mas não são só empregos diretos. Atualmente, 600 empresas estão
envolvidas no processo. “A participação da indústria nacional no projeto
se dá nos itens que ela dispõe para oferecer e nas áreas onde há
interesse estratégico de transferência tecnológica”, explicou Santos
Neves.
“Há 56 projetos prioritários, dos quais 20 estão em execução e 27 em
análise”, o restante está em fases mais iniciais, de busca de
investimentos ou formulação de contratos.
Para o contra-almirante Santos Neves, as empresas buscam participar
do programa até como um desafio e uma oportunidade para crescer. “Mas o
fato real é que a empresa se sustenta por encomenda. Então, a gente tem
que seguir esse projeto. Não pode parar nesse primeiro submarino”,
suplicou.
“É o maior programa da Marinha nos últimos tempos e um dos maiores
do Brasil na área de defesa, construção civil e desenvolvimento. Hoje eu
vejo que o passo foi até ousado demais. Mas deu certo. Na medida em que
o Prosub avança, seus resultados técnicos e tecnológicos comprovam que
estamos vencendo esse complexo desafio”.
Para viabilizar o desenvolvimento, o governo brasileiro foi buscar a
ajuda da França, em um acordo feito entre os ex-presidentes Luiz Inácio
Lula da Silva e Nicolas Sarcozy, assinados pelos ministros da Defesa dos
dois países e pelas Forças Armadas. “Não havia necessidade de fazer
todo o submarino na França para aprender. Pegamos aproximadamente um
terço e trouxemos para o Brasil para terminar. O projeto se mostrou bem
sucedido e com base nisso nós multiplicamos o conhecimento”.
O aspecto nuclear do projeto não envolve a França. “O programa nuclear da Marinha já tem décadas”.
Além dos submarinos convencionais e do nuclear, o projeto prevê
contratos para o desenvolvimento de torpedos e despistadores de
torpedos, além da construção da base naval.
As bases conceituais são: a qualificação de pessoal em novas
tecnologias, geração de emprego e o desenvolvimento da indústria
nacional.



