Via Revolucionários Eternamente -
É evidente que foi queima de arquivo. Haviam mais duas pessoas na
residência (a esposa do coronel Malhães e um caseiro). Ambos foram
rendidos, amarrados e presos em uma peça
isolada. Enquanto isto, os "assaltantes" ficaram com o coronel em seu
poder por 10 horas (isto mesmo, 10 HORAS). O que estaria por trás de tal
ação que os levou a ficar tanto tempo na residência? E por que não
assassinaram as outras duas pessoas, se estavam motivados a cometer
homicídio?
Por que então as 10 horas? Porque estavam atrás de
documentos que o coronel devia ter em seu poder. Que documentos seriam
estes?
Quando a ditadura se encerrou, muitos agentes a serviço
da ditadura comprometidos com crimes graves contra à sociedade
brasileira, como assassinatos, atentados à bomba, torturas (até mesmo de
crianças), estupros e desaparecimentos, tornaram-se arquivos vivos.
Sabiam demais e sabiam o nome dos principais responsáveis, na cúpula da
ditadura e entre as elites empresariais, por ordenar tais crimes.
Por isso estes agentes levaram para casa e ocultaram milhares de
documentos que comprometiam os mandantes dos gravíssimos crimes contra à
humanidade e de lesa-pátria (de traição contra à pátria brasileira)
cometidos durante a ditadura. Foi a forma que encontraram para
proteger-se. Para não se tornarem vítimas da própria ditadura que
ajudaram a manter, através de crimes e ações bárbaras.
Era uma chantagem contra os mandantes, contra os líderes responsáveis pela ditadura (tanto nos quartéis como fora destes).
Se algo acontecesse com estes agentes, tais documentos poderiam ser
revelados. Tanto que no ano passado, um outro agente da ditadura que
tinha profundo conhecimento de atentados terroristas, assassinatos e
torturas cometidos pela ditadura foi assassinado em Porto Alegre. O
coronel Molina. Após sua morte, no entanto, foram encontrados com este
imensas quantidades de documentos secretos que levaram a revelação de
uma série de ações terroristas e assassinatos cometidos pela ditadura.
Ao ficarem por 10 horas com o coronel Malhães em seu poder, a ordem
dada a seus assassinos era para que tal erro não se repetisse desta vez.
Para que todos os documentos que estivessem de posse de Magalhães
fossem encontrados e recolhidos. Por isso ficaram tanto tempo na
residência e por isso assassinaram ao notório torturador confesso, mas
não se preocuparam com as outras duas vítimas, que ficaram imobilizadas e
isoladas por todo este tempo, mas foram polpadas.
E mandaram
uma mensagem para qualquer ex-agente da ditadura que esteja com vontade
de falar o que sabe e se por em dia com sua consciência: "NÃO FALEM
NADA!!!". Ou vamos "visitá-los", também.
A grande mídia,
contudo, os grupos econômicos que monopolizam e controlam à imprensa
brasileira, acham-se comprometidos até o miolo dos ossos com as ações da
ditadura. Não apenas ocultaram estas, como colaboraram abertamente com a
mesma e são frutos da ditadura.
Por isso trataram de
imediatamente noticiar o crime da seguinte forma: "coronel que confessou
torturas foi encontrado morto" (!!!). Encontrado morto!!! Não dizem que
foi assassinado e se esquecem da situação que levou os criminosos a
ficarem 10 horas na residência. Fato completamente estranho a ação de
criminosos comuns, que nunca iriam se arriscar por tanto tempo em uma
cena de crime.
E a grande mídia tenta sustentar a tese de que o
crime teria sido cometido para roubar armas que o coronel colecionava.
Ora, esta coleção estava exposta. Era só recolher e ir embora. Por que
ficar tanto tempo? E por que matá-lo ao final da ação?
Interessa aos grupos que monopolizam à mídia não deixar se formar a
idéia de que o crime envolve à ditadura, a mesma com que estes grupos
tem forte envolvimento. Porque seria denunciar que os crimes cometidos
pela ditadura seguem se repetindo e seguem impunes. Crimes com os quais
esta mesma mídia tem ampla responsabilidade.
Assim é que entendo a situação. Foi queimado o arquivo vivo Paulo Malhães, coronel reformado que
confessou ter torturado, matado e esquartejado centenas de pessoas
consideradas suspeitas pelos ditadores.
