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Com ênfase e voz empostada, o ex-ministro Alexandre Padilha negou na
tarde desta sexta-feira 25, em concorrida entrevista coletiva, que tenha
indicado o ex-integrante do Ministério da Saúde Marcus Cezar Moura para
ser intermediário entre o órgão público e o laboratório Labogen, ligado
ao doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal.
A informação da indicação de Marcus Moura por Padilha foi capturada
em um grampo da Operação Lava Jato, vazado para a mídia, feito sobre uma
conversa entre o ex-vice-presidente da Câmara, André Vargas, e Youssef.
Em uma mensagem, Vargas diz, sobre Marcus: "foi o Padilha que indicou".
"Mente quem diz que indiquei Marcus Cezar Moura para qualquer cargo,
mente quem diz que houve contrato do Ministério da Saúde com a Labogen,
mente quem diz que há envolvimento meu com o doleiro citado", afirmou
Alexandre Padilha.
"Vou buscar esclarecimento de qualquer suposto envolvimento do meu
nome a partir de mensagens de terceiros. Vou interpelar qualquer pessoa
que tiver usado meu nome em vão, inclusive o senhor André Vargas. Não
admito", disse ainda o ex-ministro, acrescentando que irá "constituir
advogado junto à PF para ter acesso a toda documentação" sobre o caso.
O pré-candidato do PT admitiu que foi procurado por Vargas, em visita
à Câmara Federal, para encaminhar um pedido de parceria com o
Ministério da Saúde com o Labogen. Padilha disse que é natural um
ministro ser procurado por parlamentares para este tipo de
encaminhamento. Mas frisou que, a partir desse encontro pessoal,
qualquer pedido passa a circular pelos filtros normais do Ministério da
Saúde, especialmente a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos
Estratégicos.
"Minha obrigação como ministro era receber projetos e encaminhar por
meios regulares. Se alguém pensou que, fazendo lobby, poderia
ultrapassar esses filtros, bateu em porta errada", afirmou.
Ele anunciou que está pedindo à Polícia Federal o "acesso completo"
ao relatório produzido pela Polícia Federal em torno da Operação Lava
Jato. "Estou indignado. Repudio o envolvimento do meu nome por terceiros
que não têm qualquer acesso ao Ministério da Saúde".
Com o presidente Emídio de Souza, do PT de São Paulo, ao seu lado
direito, Padilha desconsiderou o pedido formalizado pelo DEM, em
Brasília, para que ele compareça à Câmara para esclarecimentos:
"A iniciativa do DEM certamente não é para esclarecer as apurações.
Não vou comparecer a qualquer espetáculo que se queira fazer sobre isso.
Nunca o DEM pediu para um prefeito do seu partido comparecer à Comissão
de Fiscalização e Controle", disse.
"Estão destilando raiva contra mim"
Padilha disse
que os ataques que está sofrendo tem a ver com o momento
eleitoral: "Toda a vez que mostro um problema e aponto uma solução, como
a questão da água, vêm para cima de mim destilando raiva".
"Fiquei indignado, repudio fortemente o que saiu nos jornais",
reclamou Padilha. "Nunca antes na história desse País vi isso: meu
assessor de imprensa recebeu às sete horas da noite pedidos de quatro
jornais e duas tevês com a mesma pergunta. Nos dez anos em que estou
nisso, desde o Ministério da Saúde, nunca vi isso", contou.
CANDIDATURA
Na parte final da coletiva, que
continuava às 17h44, sob aviso da assessoria de "última pergunta",
Padilha foi questionado sobre rumores de substituição de sua candidatura
dentro do PT. Ele passou a palavra ao presidente regional do partido:
"Nem se cogita essa hipótese, talvez seja um desejo dos adversários.
Nós caminhamos com a candidatura unificada de Alexandre Padilha",
garantiu Emídio.
Padilha, apesar de reconhecer que foi Vargas quem envolveu seu nome
no imbróglio Lobogen, não quis se comprometer com um posicionamento
sobre a renúncia do parlamentar. "Para a minha missão, que é a de
desenvolver a minha candidatura, essa questão da renúncia ou da
permanência não atrapalha em nada", comentou.
O pré-candidato fez elogios à PF, responsável pela investigação que
envolve o doleiro Youssef, e aproveitou para criticar a polícia
paulista, do governo Geraldo Alckmin (PSDB). "Tenho o maior orgulho da
Polícia Federal brasileira. Queria Deus que a polícia de São Paulo
tivesse a mesma competência, a mesma autonomia que a Polícia Federal
tem. Quero lembrar que todas as apurações em torno dos 15 anos de
desvios no Metrô foram levantados por órgãos federais, o que nunca
aconteceu aqui em São Paulo".
Vargas agora é ex-petista
O advogado Michel Saliba, que defende o deputado André Vargas,
informou que o parlamentar protocolou na manhã desta sexta-feira (25),
no diretório do Partido dos Trabalhadores em Londrina (PR), um pedido de
desfiliação da legenda.
Segundo o advogado, o deputado não tem intenção de renunciar ao cargo
de parlamentar e deixou a legenda porque não tem mais apoio do partido e
quer se dedicar à defesa no Conselho de Ética na Câmara. André Vargas
era filiado ao PT desde 1990.
Vargas sofria pressão do partido para renunciar ao mandato devido às
denúncias de envolvimento dele com o doleiro Alberto Youssef, preso pela
Polícia Federal durante as investigações da Operação Lava Jato. A
operação revelou um esquema de lavagem de dinheiro, supostamente
comandado por Youssef, que movimentou R$ 10 bilhões.
