26.4.14

COMO ENTENDO O ASSASSINATO DO CORONEL MALHÃES

Via Revolucionários Eternamente -

 

É evidente que foi queima de arquivo. Haviam mais duas pessoas na residência (a esposa do coronel Malhães e um caseiro). Ambos foram rendidos, amarrados e presos em uma peça isolada. Enquanto isto, os "assaltantes" ficaram com o coronel em seu poder por 10 horas (isto mesmo, 10 HORAS). O que estaria por trás de tal ação que os levou a ficar tanto tempo na residência? E por que não assassinaram as outras duas pessoas, se estavam motivados a cometer homicídio?

Por que então as 10 horas? Porque estavam atrás de documentos que o coronel devia ter em seu poder. Que documentos seriam estes?

Quando a ditadura se encerrou, muitos agentes a serviço da ditadura comprometidos com crimes graves contra à sociedade brasileira, como assassinatos, atentados à bomba, torturas (até mesmo de crianças), estupros e desaparecimentos, tornaram-se arquivos vivos. Sabiam demais e sabiam o nome dos principais responsáveis, na cúpula da ditadura e entre as elites empresariais, por ordenar tais crimes.

Por isso estes agentes levaram para casa e ocultaram milhares de documentos que comprometiam os mandantes dos gravíssimos crimes contra à humanidade e de lesa-pátria (de traição contra à pátria brasileira) cometidos durante a ditadura. Foi a forma que encontraram para proteger-se. Para não se tornarem vítimas da própria ditadura que ajudaram a manter, através de crimes e ações bárbaras.

Era uma chantagem contra os mandantes, contra os líderes responsáveis pela ditadura (tanto nos quartéis como fora destes).

Se algo acontecesse com estes agentes, tais documentos poderiam ser revelados. Tanto que no ano passado, um outro agente da ditadura que tinha profundo conhecimento de atentados terroristas, assassinatos e torturas cometidos pela ditadura foi assassinado em Porto Alegre. O coronel Molina. Após sua morte, no entanto, foram encontrados com este imensas quantidades de documentos secretos que levaram a revelação de uma série de ações terroristas e assassinatos cometidos pela ditadura.

Ao ficarem por 10 horas com o coronel Malhães em seu poder, a ordem dada a seus assassinos era para que tal erro não se repetisse desta vez. Para que todos os documentos que estivessem de posse de Magalhães fossem encontrados e recolhidos. Por isso ficaram tanto tempo na residência e por isso assassinaram ao notório torturador confesso, mas não se preocuparam com as outras duas vítimas, que ficaram imobilizadas e isoladas por todo este tempo, mas foram polpadas.

E mandaram uma mensagem para qualquer ex-agente da ditadura que esteja com vontade de falar o que sabe e se por em dia com sua consciência: "NÃO FALEM NADA!!!". Ou vamos "visitá-los", também.

A grande mídia, contudo, os grupos econômicos que monopolizam e controlam à imprensa brasileira, acham-se comprometidos até o miolo dos ossos com as ações da ditadura. Não apenas ocultaram estas, como colaboraram abertamente com a mesma e são frutos da ditadura.

Por isso trataram de imediatamente noticiar o crime da seguinte forma: "coronel que confessou torturas foi encontrado morto" (!!!). Encontrado morto!!! Não dizem que foi assassinado e se esquecem da situação que levou os criminosos a ficarem 10 horas na residência. Fato completamente estranho a ação de criminosos comuns, que nunca iriam se arriscar por tanto tempo em uma cena de crime.

E a grande mídia tenta sustentar a tese de que o crime teria sido cometido para roubar armas que o coronel colecionava. Ora, esta coleção estava exposta. Era só recolher e ir embora. Por que ficar tanto tempo? E por que matá-lo ao final da ação?

Interessa aos grupos que monopolizam à mídia não deixar se formar a idéia de que o crime envolve à ditadura, a mesma com que estes grupos tem forte envolvimento. Porque seria denunciar que os crimes cometidos pela ditadura seguem se repetindo e seguem impunes. Crimes com os quais esta mesma mídia tem ampla responsabilidade.

Assim é que entendo a situação. Foi queimado o arquivo vivo Paulo Malhães, coronel reformado que confessou ter torturado, matado e esquartejado centenas de pessoas consideradas suspeitas pelos ditadores.