CARLOS CHAGAS -
Todos estão devendo. Nem
Dilma, nem Aécio, nem Eduardo, muito menos os demais penduricalhos deram
uma palavra sequer a respeito da questão que mais preocupa os
brasileiros. Fala-se da segurança pública. Ou da insegurança que atinge o
país inteiro. Não há pesquisa que não revele essa evidência: mais do
que a saúde, a educação, a falta de transportes coletivos, a corrupção e
a impunidade, é a insegurança que puxa a fila. E não apenas nas grandes
cidades, como Rio e São Paulo. No interior também se registra a mesma
intranquilidade.
Até pouco o cidadão ainda
conseguia refugiar-se em sua casa para evitar assaltos, balas perdidas e
latrocínio. Hoje não consegue mais. Multiplicaram-se as invasões a
condomínios, de luxo ou não, tanto faz se nos subúrbios ou em bairros
sofisticados. Não há um estabelecimento comercial imune a assaltos nem
um posto de gasolina que não tenha sido visitado por bandidos.
Escritórios, também, para não falar nos transeuntes que, de dia ou de
noite, ficam expostos a trombadinhas e trombadões. Nos ônibus, tornou-se
rotina a entrada de menores e maiores com armas na mão.
Não dá para dizer que
sempre foi assim porque não foi. Claro que ladrões existem desde que o
mundo é mundo, em todos os quadrantes. Desse jeito, porém, nem na velha
Chicago.
Sucessivos governos vem
mostrando cada vez mais leniência e inação diante do crime, organizado
ou não. Por certo que o tráfico de drogas ampliou o raio de ação da
bandidagem, A registrar, no entanto, está o sentimento de abandono que
assola a sociedade.
Vem, assim, a indagação: se
nenhum dos governos passados conseguiu minorar o caos, obterão sucesso
os próximos, quaisquer que sejam? Pelo jeito, os candidatos já
reconhecem antecipadamente o fracasso. Nenhum deles anuncia uma simples
iniciativa no sentido de restabelecer ao menos parte da paz a que temos
direito. Sequer prometer ampliar as estruturas dos aparelhos de
segurança eles prometem. Inclusive, ou principalmente, a presidente
Dilma.
