MARCELO MÁRIO DE MELO -
Censores e sensores.
Censores contra sensores
de amor e contestação
palavra gesto proposta
ideia e invenção
tudo que rompa com raias
de rédea e dominação.
Os censores não suportam
nada que saia do trilho
querem ver todos comendo
na sua mão o milho
o pai mandão inclemente
a obediência do filho.
Censores detestam sol
pesquisa espaço aberto
querem cerca e coleira
corda curta e ponto certo
a vitrine cor de rosa
com o cinza encoberto.
Os sensores do censor
fazem viagem reversa
barram a água da fonte
a intenção da conversa
querem morto o embrião
e a estrela submersa.
Mas os sensores da vida
remam na contracorrente
os sonhos sanhas e sendas
no coração e na mente
paixão e rebelião
o horizonte à frente.
São sensores solidários
contra o cupim da ganância
a sanha dos poderosos
a exclusão a distância
o preconceito o abuso
as garras da arrogância.
São sensores de saúde
justiça e liberdade
pulsando afeto e alegria
franqueza e simplicidade
mãos dadas e mutirão
nova vida na cidade.
Contra o fel da opressão
a penúria a ignorância
a humilhação o desnível
o maltrato a intolerância
unindo todos os seres
pela vida em abundância.
Os sensores na ciranda
em semente e lavratura
animam na espiral
flores de desamargura
nos canteiros do presente
plantando a vida futura.
