Por ALTAMIRO BORGES - Via blog do Miro -
O empresário espanhol Amancio Ortega, dono das redes varejistas Zara e
Pull&Bear, já é o segundo homem mais rico do planeta, com uma
fortuna calculada de US$ 71,5 bilhões. Segundo o ranking da agência
"Bloomberg", divulgado nesta semana, ele passou o rentista ianque Warren
Buffet e só está atrás de Bill Gates, criador da Microsoft – que
manteve a liderança mundial dos ricaços com uma fortuna avaliada em US$
85,5 bilhões. Ao divulgar o "Índice de Bilionários da Bloomberg", a
mídia privada foi só elogios ao dono da Zara – uma "generosa" anunciante
publicitária –, escondendo totalmente as várias denúncias sobre uso de
trabalho escravo nas empresas terceirizadas da Zara.
O jornal Estadão – que foi fundado no século
retrasado por alguns escravocratas – publicou uma nota recheada de
bajulações nesta quarta-feira (3). Ela destaca que o fundador e
presidente da Inditex, multinacional que controla várias marcas de
roupa, é um "operador insano" e com visão estratégica. "De acordo com a
agência, a fortuna de Ortega cresceu 17%, para US$ 71,5 bilhões este
ano, enquanto o lucro da Inditex também subiu em função do crescimento
das vendas da empresa. A varejista espanhola opera mais de 6 mil lojas
ao redor do mundo... Mantendo parte da produção perto da sede da empresa
na Espanha, e distribuindo para lojas duas vezes por semana, a Inditex
se tornou apta a responder às novas tendências no mundo da moda mais
rapidamente que seus concorrentes, que concentram a produção na China
para cortar custos".
O jornal oligárquico não cita, sequer uma vez, as denúncias sobre o uso
do trabalho escravo contra as varejistas de Amancio Ortega em várias
partes do mundo – inclusive no Brasil. Este "corte de custos" não conta
para o Estadão, que prefere alfinetar a China. Afinal, a terceirização e
o trabalho precário fazem partem da lógica capitalista da exploração da
mais-valia absoluta.
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