DANIEL MAZOLA -
Nos últimos dias a saudável e livre manifestação política nas redes sociais começou a viralizar uma curiosa antecipação da aparentemente distante sucessão presidencial de 2018. Milhares, talvez milhões de internautas, lançaram uma chapa que pode colocar as barbas do chefão Lula de molho (e de outros cotados como o playboyzinho Aécio Neves, a "divisora" Marina Silva e o "picolé de chuchu" Geraldo Alckmin) Joaquim Barbosa, para presidente, e Denise Frossard, para vice.
Os petistas o consideram o capeta encarnado, mas para
muitos Barbosão virou herói nacional ao detonar os mensaleiros, e a Juíza Denise,
no TJ-RJ, foi quem peitou e cumpriu o dever de condenar os até então intocáveis
chefões da contravenção zoológica carioca, os "bicheiros", de forma bastante corajosa.
Barbosa se manifestou publicamente sobre a ideia dizendo
em entrevista que não pretende ingressar na política partidária. Já Denise
Frossard entrou, de forma séria, na "brincadeira" (que pode se
transformar em algo politicamente sério, se realmente houver uma organização
política em torno de propostas concretas na construção de um Projeto Nacional
fundamentalmente federalista). A juíza afirmou: "Como sou Parlamentarista
proponho Sérgio MORO para Primeiro Ministro! Pronto! Questão resolvida!".
Esse lançamento virtual de uma "campanha" fora
de hora, capaz de angariar muitos adeptos nestes tempos bicudos da crise
moral-econômica-institucional, é um indicador do descontentamento completo
manifestado pelo senso comum do cidadão-contribuinte-eleitor. A maioria dos indivíduos, nos
espaços públicos e na internet, repete o desabafo: "Estou de saco cheio da
política brasileira".
Por hora essa “chapa” virtual é apenas ensaio para
sondar o eleitorado, que está de "saco cheio" e quer mudanças nos rumos da
política nacional. A polarização entre PT e PSDB, as mesmas práticas
administrativas-econômicas evidencia que as duas faces da mesma moeda política-econômica, são partidos desacreditados,
pró-imperialistas e a serviço do grande capital.
Mas embora PT e PSDB apresentem a prática política
muito semelhante em quase todos os aspectos, não são iguais. A diferença está no método
de ação política de cada um desses partidos que decorre da sua relação com as
massas. O PSDB apoia-se diretamente sobre o esmagamento e a desorganização das
massas e sobre a burguesia, o PT usa de demagogia e do seu controle das
organizações operárias.
Apesar dessas pequenas diferenças, com esse modus
operandi muito semelhante, PT e PSDB estão levando as massas a ficarem cada
vez mais de "saco cheio". Assim o espaço vai se abrindo para novos "salvadores
da pátria" ou paraquedistas de plantão. A burguesia agradece! Mas até quando?
2018, se ocorrer, está em aberto e será o maior vale tudo das sucessões desde a
República Velha. Será que o povão verá o início de um verdadeiro Projeto
de Nação ou continuaremos com obstáculos antigos e um permanente freio à luta das
massas.
Veremos...
