EMANUEL CANCELLA -
Lendo os jornais, no fim de semana,
constatamos o quanto a nossa imprensa é venal com nosso país. Nelson
Rodrigues atribuía esse sentimento como “Complexo de Vira-lata”, entendo
eu como a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente,
em face do resto do mundo...”
O Globo destacou a extrema pobreza no
Rio e a Folha , de tão entusiasta pelo fracasso-mania, chegou a ficar de
quatro, com a frase: “Um americano vale por quatro brasileiros na
produtividade”.
Lembretes a esses contaminados pelo
“Complexo de vira latas”: no petróleo, o “Oscar” da indústria do
petróleo é nosso pela terceira vez; a Embraer que tem sido escolhida
como fornecedora de aviões para o mundo, acaba de ser fechar acordo com a
China e França.
Nossos aeroportos não param de ser
ampliados e os brasileiros nunca viajaram tanto; os estrangeiros nunca
aportaram em nosso solo como agora, na Copa e no Carnaval, e saíram
falando bem do Brasil, diferente da nossa mídia; eles também estão vindo
em busca de empregos e negócios, com destaque na área de petróleo, onde
as empreiteiras americanas tentam, a todo custo, entrar no Brasil.
Se no petróleo e na aviação damos de
lavagem nos gringos, na pecuária e na agricultura não deve ser diferente
já que estamos entre os maiores exportadores de commodites, atendendo
exigências cada vez mais exacerbada dos clientes internacionais.
A única situação lamentável de nosso
país é com São Paulo, entretanto a mesma mídia que espinafra o país como
um todo, joga as mazelas de São Paulo para baixo do tapete: em São
Paulo o PIB despencou, crise hídrica, com direito à falta d’água e
racionamento e a dengue proliferou demasiadamente.
A nossa mídia além de “vira lata” é
bastante tendenciosa. Porém também é bastante competente, inclusive
nossas novelas e nossas agências de publicidade são referências no
mundo. Não estamos falando de amadores. São tão competentes que
conseguiram reeleger em São Paulo Geraldo Alckmin, “o governo do caos”
no primeiro turno.
De que lado está nossa mídia? Com um aliado desses não precisamos de inimigos!
*Emanuel
Cancella é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de
Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).
