ALCYR CAVALCANTI -
A política de alianças feita à velha maneira da troca de favores ou
mesmo em espécie prevaleceu, o continente africano garantiu a
permanência de Joseph Blatter que venceu a eleição sem precisar ir ao
segundo turno, devido à desistência do príncipe Ali Hussein da Jordânia
para mostrar a fragilidade de uma 'democracia" mal conduzida onde
prevalecem a troca de favores,ou benesses, onde a corrupção é a regra.
As prisões, suspeitas de corrupção e ameaças da retirada dos países da
Europa membros da UEFA parecem não ter abalado o presidente da FIFA que
fiel aos conselhos de João Havelange que "reinou" na maior entidade
desportiva do mundo durante décadas, parece que vai se eternizar no
poder, fazendo lembrar alguns países onde os dirigentes usam de todos os
recursos para "não largar o osso".
As denúncias feitas pela policia
norte americana, o FBI em conjunto com as autoridades da Suíça são de
fato uma clara violação a uma soberania nacional, uma clara invasão em
outro país, como aliás tem feito a "policia do mundo", em quase todos os
continentes. As duras críticas do Ministro das Relações Exteriores
Sergei Lavrov quando declarou que "A atitude em relação às prisões de
dirigentes da FIFA se tratam de outro caso ilegal extraterritorial da
lei norte americana. Espero que os Estados Unidos parem de tentar fazer
justiça além de suas fronteiras". As prisões e tentativas de extradição
vem mostrar que a "guerra fria" não acabou, está mais viva do que
nunca, e as acusações todas fundamentadas fazem parte do jogo
geopolítico desde que a Rússia foi escolhida como sede da Copa 2018 e os
Estados Unidos foram preteridos pelo Catar na Copa 2022. Não é sem
motivo que o principal opositor de Blatter é o príncipe Ali Al Hussein
da Jordânia. Desde 1999, um ano depois de ter sido colocado no poder
pelo seu padrinho político Jean Marie Havelange acusações pairam sobre
Blatter. As eleições de 1998, quando começou seu reinado, foram
colocadas sob suspeita com sérias acusações por parte do escritor David
Yallop em sua obra How They Stole The Game, com o título em português de Como Eles Roubaram o Jogo,Segredos e Subterrâneos da FIFA, em
que a eleição de 1998 teria sido fraudada para iniciar a Era Blatter
sob a orientação da dupla Havelange/Teixeira. Em 2001 o escândalo da ISL
empresa Suíça de marketing esportivo veio trazer à tona um mar de lama
envolvendo João Havelange e Ricardo Teixeira, que teria recebido U$9,5
milhões em propinas da ISL para garantia de direitos de exclusividade em
patrocínio e na retransmissão de jogos da Copa do Mundo, dinheiro
obtido por meio de empresas de fachada. A ISL que já havia feito
negócios com o Flamengo e com o Grêmio de Porto Alegre acabou com um
pedido de falência, encerrando suas atividades fraudulentas.
Teixeira afastado da CBF saiu do Brasil fixou residência em Boca Ratton
nos Estados Unidos, de onde saiu repentinamente há dias atrás quando o
FBI iniciou a caçada aos dirigentes da FIFA. Ricardo Teixeira está no
Brasil em paradeiro desconhecido. Apesar de toda confusão Joseph Blatter
diz estar perplexo com o ódio por parte dos dirigentes da UEFA, em
especial com "um dirigente", que é com certeza Michel Platini. Platini,
que conseguiu os votos da UEFA para o candidato da oposição, ameaça
retirar os países europeus da FIFA, o que poderá acontecer dia 06 de
junho, após a final entre Barcelona e Juventus. Para o escritor Andrew
Jennings que diz ter cedido documentos para o FBI, relativos à corrupção
no futebol, "A Máfia perto da FIFA é uma brincadeira de crianças", uma
verdadeira e compacta rede de corrupção com tentáculos em 209 países,
inclusive ( ou principalmente) no Brasil, o "País do Futebol".



