24.4.14

RANÇO MILITARISTA ESTÁ IMPREGNADO NAS MAIS DIVERSAS INSTITUIÇÕES.‘DESPOLICIZAÇÃO’ DA VIDA É A DEMANDA MAIS URGENTE NO BRASIL

DANIEL MAZOLA -

Durante a tarde e a noite do dia 22 de abril, moradores dos morros Cantagalo e Pavão-Pavãozinho, na zona sul do Rio de Janeiro, se levantaram em um combativo protesto em repúdio ao assassinato de três jovens, provavelmente por PMs da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

A primeira morte aconteceu durante a madrugada. O jovem dançarino do programa "Esquenta", da Rede Globo, Douglas Rafael da Silva Pereira, teria sido espancado até a morte por policiais da UPP. Logo pela manhã, moradores revoltados começaram a protestar. Barricadas foram feitas pelas ruas da favela durante um intenso confronto entre moradores com paus, pedras e garrafas; e policiais armados com granadas e fuzis.

Duas pessoas que estavam protestando também foram baleadas e mortas, provavelmente por PMs. Um garoto de 12 anos identificado como Matheus e um rapaz de 27, identificado como Edilson da Silva Santos. Segundo a equipe do Jornal A Nova Democracia, que foi conduzida pela favela pela líder comunitária Deise Carvalho, desde as 18h o Cantagalo ficou sem luz. A reportagem também conversou com a mãe de Douglas, a técnica em enfermagem, Maria de Fátima da Silva. Muito revoltada, ela criticou a UPP e exigiu justiça para os assassinos de seu filho.


A causa da morte de Douglas Rafael da Silva Pereira foi "Hemorragia interna decorrente de laceração pulmonar decorrente de ferimento transfixante do tórax - ação perfuro contundente. Mataram meu filho". Já sabemos que realmente o dançarino morreu em função de um tiro, mas de quem? Por que?


‘Despolicização’ 

Será que alguém ainda consegue ter dúvidas acerca da necessidade de acabar com a "guerra às drogas"? Antes de falar-se em "desmilitarização da polícia", dever-se-ia propugnar a "despolicização da vida".

Desmilitarizar a polícia em um contexto no qual a vida é perenemente policizada é de uma inocuidade atroz. De fora parte os mais variados aspectos da vida em que o viés policizante e as práticas policizadas encontram-se introjetados nos corações e mentes, basta mencionar outras corporações em que o viés militarizado encontra-se impregnado para perceber que a demanda mais urgente é a da "despolicização da vida". 

Há que despolicizar a sociedade, a política, o Poder Judiciário, o Ministério Público (que posssuem verdadeiras e abstrusas "gendarmerias" próprias), os conselhos tutelares, os órgãos incumbidos do cumprimento das medidas socioeducativas (DEGASE, Fundação Casa, etc.) e a própria polícia. No Rio de Janeiro, a existência da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) na polícia civil e a estrutura da Guarda Municipal do Rio de Janeiro demonstram que há um ranço militarista até mesmo fora das hostes da polícia militar. 

Barbárie em Copacabana. Vídeo do jornal A Nova Democracia:
https://www.youtube.com/watch?v=OF1_mdFSTjA 

Outra manifestação hoje 

"Hoje, (24), familiares e amigos de Douglas Rafael e Edilson Santos e moradores da comunidade Pavão-Pavãozinho farão uma manifestação em memória e por justiça dos jovens mortos por policiais militares.

As mortes geraram revolta nos moradores, que realizaram um longo protesto e foram duramente reprimidos pela polícia. A comunidade ficou sem luz e as entradas bloqueadas.

Não podemos permitir que mais pessoas sejam mortas pela polícia em nossa cidade e comunidades. Não há paz sem justiça.

Não podemos admitir que nossas vidas sejam levadas por uma guerra que não é LÓGICA! BASTA DE BARBÁRIE ESTATAL EM FAVOR DO CAPITAL!

A concentração será às 13h, na creche situada na Rua Saint Roman (entrada pela Sá Ferreira), em Copacabana e caminhada até o cemitério São João Batista, em Botafogo. 
 https://www.facebook.com/events/506899666088684/