DANIEL MAZOLA -
Acabou o suspense, a relatora Rosa Weber entregou o voto, agora é certo, inevitável, teremos a CPI da Petrobras no Senado, com ou sem as facilidades de Renan Calheiros. Com isso já começam os rumores que o principal operador dos negócios da petrolífera, agindo nos bastidores da presidência do Conselho de Administração, o ministro Guido Mantega vai deixar a pasta da Fazenda. Seu substituto (provável) será Alexandre Tombini, atual presidente do Banco Central do Brasil.
Acabou o suspense, a relatora Rosa Weber entregou o voto, agora é certo, inevitável, teremos a CPI da Petrobras no Senado, com ou sem as facilidades de Renan Calheiros. Com isso já começam os rumores que o principal operador dos negócios da petrolífera, agindo nos bastidores da presidência do Conselho de Administração, o ministro Guido Mantega vai deixar a pasta da Fazenda. Seu substituto (provável) será Alexandre Tombini, atual presidente do Banco Central do Brasil.
Sua cabeça já era pedida por Dilma há muito tempo,
mas o chefão Lula insistia em mantê-lo onde sempre quis que estivesse: no meio
de campo das principais transações da estatal de economia mista, principalmente
nas finanças. Mantega saindo também pode forçar a saída de Almir Guilherme
Barbassa da diretoria Financeira da Petrobras.
Esses figurões do Planalto, Mantega e Barbassa, são
previsivelmente alvos preferenciais da CPI que tende a ser a principal fonte de
desgastes para inviabilizar o projeto reeleitoral de Dilma Rousseff. Focada na
tática oposicionista de investigar fortes indícios de fraudes em negócios da
empresa, além de desgastar Dilma, a comissão também pretende atingir José
Sérgio Gabrielli. A tática de bater no ex-presidente da empresa tem o objetivo
de acertar o padrinho Lula. Afinal, como Presidente da República e controlador
majoritário da companhia, nada poderia ou deveria acontecer na empresa sem o
conhecimento do chefe.
Tudo leva a crer que ocorrerá um grande desastre
político, tudo em função desse mente e desmente entre Dilma e José Sérgio
Gabrielli. É ridículo, humilhante, a presidente ser obrigada a sair de seu
trono de rainha, para discutir com um ex-presidente da Petrobras apadrinhado
por Lula. Essa rusga entre a "chefe" máxima da Nação e um mero
secretário de Planejamento de Jaques Vagner, frustrado porque o PT não o deixou
disputar o governo baiano, pode ser fatal.
O governo sofreu uma forte derrota com a decisão da
ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, de determinar, como manda
claramente a Constituição, a instalação de uma Comissão Parlamentar de
Inquérito com “objeto restrito, bem definido” para apurar indícios de
corrupção, má gestão ou abuso de poder do acionista controlador da Petrobras.
Agora, só restará à Lula e Dona Dilma Rousseff tentar aparelhar a indicação de
nomes que vão compor a CPI. Manobras protelatórias podem render ainda mais
prejuízos aos aliados do governo.
A ‘oposição’ tem um arsenal de dossiês sobre a
Petrobras e seus dirigentes. A Operação Lava Jato, que já se transforma em
processos na Justiça Federal, deve lançar muita sujeira sobre a companhia, a
partir do quase certo indiciamento de seu ex-diretor de abastecimento, Paulo
Roberto Costa. Além disso, representações de investidores minoritários na
Justiça Federal denunciam as três principais causas dos problemas na
petrolífera: gestão corporativa ruim, política de preços de produtos
subsidiados por questões claramente eleitoreiras e descumprimento de metas na atividade
fim de explorar e produzir petróleo & gás.
O caso Pasadena, que recebe os destaques da mídia amestrada, é peixe pequeno perto de outros tantos problemas. Vamos recapitular: tem também as pouco claras compras das refinarias Nansei (Japão) e San Lorenzo (Argentina); o desastre de planejamento e gastos na refinaria Abreu e Lima (Pernambuco) e no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (em Itaboraí); as caixas pretas da Petrobras Internacional Finance Company (Pfico), Petrobras Global Finance BV e as misteriosas aplicações no fundo BB Milenium; sem falar na Gemini, nas Plataformas holandesas alugadas a preços exorbitantes, a Conta Combustível que nunca fecha, os segredos desde o fechamento de capital da BR Distribuidora, um empréstimo milionário para a Oi, etc.
O caso Pasadena, que recebe os destaques da mídia amestrada, é peixe pequeno perto de outros tantos problemas. Vamos recapitular: tem também as pouco claras compras das refinarias Nansei (Japão) e San Lorenzo (Argentina); o desastre de planejamento e gastos na refinaria Abreu e Lima (Pernambuco) e no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (em Itaboraí); as caixas pretas da Petrobras Internacional Finance Company (Pfico), Petrobras Global Finance BV e as misteriosas aplicações no fundo BB Milenium; sem falar na Gemini, nas Plataformas holandesas alugadas a preços exorbitantes, a Conta Combustível que nunca fecha, os segredos desde o fechamento de capital da BR Distribuidora, um empréstimo milionário para a Oi, etc.
Mas mesmo que tudo acabe em Pizza, apesar dos
desgastes que a CPI provocará, é dada como certa ação judicial movida por
investidores da Petrobras na Justiça de Nova York (EUA), em cuja bolsa de
valores a Petrobras negocia suas ações no exterior. Junto com ela, podem vir
pedidos de investigação junto à SEC (Security and Exchange Comission), a
‘xerifona’ do mercado de capitais nos EUA que age com mais rigor, bem diferente
da nossa Comissão de Valores Mobiliários, uma autarquia do Ministério da Fazenda,
o que torna questionável sua autonomia para analisar conflitos de interesses em
companhias de economia mista, nas quais a União é acionista majoritária.
O que nós brasileiros esperamos e queremos, é a
garantia de uma Petrobras 100% estatal, com as reservas petrolíferas a
disposição do interesse nacional e não servindo a especuladores, burgueses
espertalhões, empresas estrangeiras e governos. Se a CPI tivesse esse objetivo, de garantir que “O PETRÓLEO É NOSSO” realmente, seria fundamental, mas o que
veremos será uma avalanche de ataques de ambos os lados apenas visando à vitória eleitoreira em
outubro.
Crônica de uma morte anunciada
A
morte do dançarino Douglas Rafael da Silva Pereira, conhecido como DG, foi anunciada
por ele mesmo em 2013, em mais uma prova cabal de que a vida imita a arte.
Até que há um tiroteio. Ele é abordado por PMs que o agridem e, afinal, o executam com um tiro na nuca. A idéia do diretor Wanderson Chan era contar uma história sobre “os nossos problemas sociais em paralelo com a euforia da Copa”.
A realidade acabou por dar ao filme despretensioso um caráter transcendente. O corpo de DG, você sabe, foi descoberto na escadaria daquela creche. Segundo o IML, ele teve uma “hemorragia interna decorrente de laceração pulmonar decorrente de ferimento transfixante do tórax. Ação pérfuro-contundente”. Leia-se tiro. O secretário de segurança do Rio, Beltrame, declarou que não descarta uma “possível culpa de PMs”.
A mãe de Douglas, Maria de Fátima, crê que houve tortura. “Eu fiquei com o corpo do meu filho até as 3h30 da madrugada e vi que ele tem um afundamento no crânio, um corte no supercílio e está com o nariz roxo. Eu acredito que mataram ele. Tenho certeza que ele foi torturado pelos policiais da UPP”, disse.
“Crônica de Uma Morte Anunciada”, de García Márquez, começa assim: “No dia em que iam matá-lo, Santiago Nasar levantou-se as 5 e 30 da manhã para esperar o barco em que chegava o bispo”. No livro, Santiago é acusado de desonrar Ângela Vicário. Todo o vilarejo fica sabendo que o pior está a caminho, mas Santiago segue adiante para cumprir seu destino pelas mãos dos irmãos gêmeos de Ângela.
Maria de Fátima diz que pessoas registraram em vídeo o ataque a seu filho. Pediu a elas que tenham a coragem de divulgar as imagens. Talvez os vídeos não existam, mas não é necessário. “Made In Brazil”, feito um ano antes da morte de Douglas, explica muito sobre a morte e a vida de Douglas.
*Com informações do DCM.



