LUIZ ANTONIO SIMAS -
Me perguntam o que é que defendo como prática do axé. Entendo a pratica do axé como aquela que designa um modo de relacionamento com o real fundamentado na crença em uma energia vital - que reside em cada um, na coletividade, em objetos consagrados, alimentos, elementos da natureza, procedimentos rituais, na sacralização dos corpos pela dança, no diálogo dos corpos com o ritmo, etc. - que deve ser constantemente potencializada, ofertada, restituída e trocada/transformada para que não se disperse. E falo de um axé praticado que transcende os limites da prática religiosa dos terreiros.
Eu defendo uma educação de axé como experiência de transformação radical, prática mundana e pedagógica contra o desencantamento do mundo.
Urge a restituição da vivacidade a partir da aproximação cotidiana com táticas de frestas, franjas, brechas, fendas, síncopes, gingas, dribles, rumores, brisas constantes, gargalhadas na mata e artes de garrinchar o horror com a instabilidade sorrateira das pernas tortas, que ameaçam ir para um lado e caminham com a bola para o outro.
Vamos defender o dendezeiro, atentar para o miúdo, encantar o trivial com a palavra, a política com a poética, resguardar a sanidade, proteger os corpos expostos, aprimorar afetos bordados na solidariedade das catacumbas, entender o cotidiano como instância educativa, fortalecer gramáticas não normativas e ousar o encanto como prática subversiva.
Como Garrincha e o vira-lata nos gramados.
Fonte: Facebook
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