REDAÇÃO -
Em uma das mensagens trocadas com Deltan Dallagnol, o então juiz da Lava Jato Sergio Moro traçou uma estratégia para o Ministério Público Federal: privilegiar denúncias contra os políticos delatados pela Odebrecht que supostamente tinham envolvimento com crime de corrupção. Estes representariam um universo de 30% dentre todos os delatados.
Para criminalistas entrevistas pelo portal UOL, Moro e Dallagnol deveriam ser investigados pela seletividade acusatória.
“É inominável em qualquer democracia” que um juiz junte-se a um investigador para decidir quem será denunciado, afirmou ao UOL, segundo publicação deste sábado, o presidente regional da Anacrim (Associação Nacional de Advocacia Criminal), Bruno Espiñera.
O criminalista Marcelo Leal defendeu que “é preciso aprofundar a investigação para saber se houve seleção”. “Se houve, é muito grave”, disse. Além disso, “é a revelação de um juiz tratando com o Ministério Público sobre a estratégia de acusação”.
Para Leal, Moro “violou o princípio da indisponibilidade da ação penal, escolhendo quem denunciar e quem perdoar, numa atuação pessoal incompatível com o distanciamento que o cargo impõe”.
Em resposta, Moro escreveu uma nota pública afirmando que “não reconhece a autenticidade de supostas mensagens obtidas criminosamente por hackers, que podem ter sido manipuladas, sendo necessário que o site divulgador apresente o material original para análise de sua integralidade”. (…)
Fonte: GGN
