HELIO FERNANDES -
Anunciaram espalhafatosamente que o ditador que está no
poder ha 20 anos, "não quer tentar o quinto mandato". Na Argélia
nunca houve eleição, foi sempre ditadura comunista. A Argélia pertencia á
França. Em 1960, De Gaulle foi eleito presidente, assumiu com a Argélia tentando
se libertar pelas armas. Compreendeu que era melhor libertá-los para evitar uma
guerra. Festejaram, empossando um ditador comunista.
Agora, como Arraes entra no circuito e se transforma num
poderoso personagem dessa mesma Argélia.
Em 1964, em 1 de abril, Arraes, governador de Pernambuco,
foi logo preso. Do Recife a Fernando de Noronha, 40 minutos, foi mandado para lá.
Mas se transformou num tremendo problema para a ditadura. Preso indefinidamente,
temiam que fosse considerado herói ou mártir. O Alto Comando decidiu fazer
acordo com ele.
Mandaram um general (fardado) conversar com Arraes. A
proposta: "Arraes seria libertado, poderia ir para o exterior morar no
país que escolhesse, "providenciaremos tudo". Arraes aceitou na hora,
não tinha como recusar. Saiu de Fernando de Noronha no avião do general.
Ficou livre no Recife, em uma semana comunicou ao general: "Quero ir para
a França, sozinho, minha mulher prefere ficar aqui".
Foi, a França era um artifício e um ponto da estratégia
para chegar ao objetivo, à Argélia comunista. Em mais ou menos 10 dias fez
todos os contatos, o governo comunista seduzido em receber um herói comunista do
Brasil.
Ficou 15 anos numa posição confortável, tinha carro
oficial, respeitadíssimo e mandando de verdade.
PS- Em 1979 voltou para o Brasil.
PS2- Preso como governador, depois de
"asilado", novamente governador.
PS3- Morreu moço, tinha planos de disputar a presidência.
Confiava, tudo deu certo na sua trajetória política.
RÁPIDO SOBRE FERNANDO DE NORONHA
O governador, coronel (da ativa) Costa e Silva, de nenhum
parentesco com o "presidente", adorava morar lá. Tinha uma casa
confortável, mas não luxuosa. Um dia me pediu: "Jornalista, quando for
libertado, logicamente vai escrever sobre seu desterro. Por favor, não diga que
o tratei bem, me transferem daqui. Quero ficar, mesmo quando passar para a
reserva".
Pediu o mesmo ao governador Arraes, foi fundamental para
a conversa dele para o acordo de libertação.
Quando não havia aviação, os portugueses Sacadura Cabral,
decidiram atravessar o Atlântico, num avião chamado de "casca de
noz", tão pequeno era, quase não dava para os dois. Saíram de Portugal pretendiam
chegar ao Brasil, se perderam no caminho, caíram em Fernando de Noronha, um
pedaço do avião, ficou encravado para sempre, é atração, os pilotos se salvaram.
