WILSON DE CARVALHO -
Há 17 anos, quando eu editava a Revista da Bolsa de
Gêneros Alimentícios, aconteceu uma greve dos caminhoneiros. Semelhante quase
em tudo, à de uma semana, o que me fez escrever sobre o “PAÍS DO DIESEL”, com
destaque para outro problema, não apenas grave, mas vergonhoso: os pedágios
implantados até em vias urbanas e caros demais. Um verdadeiro roubo.
A matéria de duas páginas, pasmem, poderia ser
republicada sem tirar uma só linha. Em especial, a legenda de uma das
fotos “O povo aprovou a greve dos caminhoneiros”. Publicamos também um mapa do
Brasil cortado apenas por rodovias, ao contrário de todo o mundo. Claro, para
interesses de políticos ladrões e empresários. No Jornal A Nova Democracia,
escrevi outra matéria mais ampla “O BRASIL DOS ÔNIBUS E CAMINHÕES”.
De lá para cá, nada mudou e, ao que tudo indica nada
mudará após nova greve dos caminhoneiros. A exemplo, aliás, da passeata
histórica de 2013, quando se pediu, em especial, uma reforma política e uma
verdadeira democracia. Mas voltemos à greve recente. As estradas, inclusive,
continuarão com má qualidade e os empresários tomando conta apenas das melhores
como a Via Dutra. Continuaremos com 80% dos trilhos ainda do tempo do império e
desativados. E os 20% entregues a empresas como, por exemplo, a que liga Rio a
São Paulo para servir interesses que nada têm a ver com o país. Ou para alguém
levar por fora. Sim, tudo indica que sim. No Brasil, salvo raríssimas exceções,
os políticos tratam apenas deles e de seus familiares, ignorando totalmente as
necessidades da sociedade. Uma realidade que precisa mudar. Os caminhoneiros
mostraram como será possível. Sem violência e baderna, vale enfatizar.
