ALCYR CAVALCANTI -
O desfile das escolas vencedoras do Carnaval 2017 começou com a Beija Flor de Nilópolis sexta colocada e teve seu final com a Portela, escola com mais títulos. O Carnaval 2017 vai ficar marcado como o Reino da Desorganização que deixou um rastro de muitos feridos em vez de lembranças de sonhos e só alegria. Desde a invenção de carros alegóricos enormes, da invasão das estrelas globais, dos sambeiros e popozudas tendo com meta agradar a transmissão televisiva com imagens para todo o planeta que o desfile deixou de lado a espontaneidade e alegria espontânea dos verdadeiros sambistas para se transforma em uma indústria perfeitamente inserida na fria lógica do capital.
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As escolas do Grupo Especial necessitam de alguns milhares de dólares para fazer um bom desfile dentro das regras atuais. Algumas modificam seus enredos para conseguir patrocínio ao adaptar o desfile para conseguir dinheiro suficiente para o desfile. Enredos estapafúrdios que nada tem a ver com nossa cultura são inseridos para satisfazer o dono do capital.
O capitão do Exército Ailton Guimarães Jorge um dos "notáveis do Samba" que foi durante muito tempo presidente da LIESA em entrevista no ano de 1988 para a Folha de São Paulo fez uma apologia ao Consenso de Washington: "A nova organização se insere na filosofia global de privatização da economia com o afastamento do Estado daquelas atividades que tanto o desgastam em detrimento de outras funções de maior densidade social e que podem ser desenvolvidas pela iniciativa privada". A escola passa então a funcionar como uma empresa e não mais como uma "Escola de Samba" ou como um "Grêmio Recreativo", onde somente o faturamento interessa. Embora o ponto alto do Carnaval, o desfile do Grupo Especial seja apenas um negócio rentável para alguns, os verdadeiros sambistas de raiz e a chamada "Velha Guarda" conseguem ainda manter a chama e de fato "vestem a camisa" de sua escolas e dão seu sangue e seu suor para apresentação na Passarela do Samba onde durante alguns minutos seus sonhos são realizados. A emoção de um mestre sala e de sua porta bandeira transcendem a fria lógica que rege atualmente os desfile das escolas de samba do carnaval carioca.




