CARLOS CHAGAS -
Daqui a uma semana, entre os dias 11 e 13, o PT estará realizando em
Salvador o seu V congresso nacional, com direito à presença da
presidente Dilma, do Lula e demais cardeais do partido. Tomara que o
Senhor do Bonfim ilumine os companheiros e faça cair sobre eles a
benção da lucidez e do retorno aos antigos ideais dos tempos da
fundação. A pauta dos trabalhos é desconhecida, mas circula nos meios
petistas a versão de que vão elaborar um roteiro destinado a
devolver-lhes a credibilidade e o apoio da classe operaria. Não se trata
da oportunidade de mais uma crítica ou sequer da análise da
performance do governo, de resto sofrível, mas do reconhecimento de que
em vez de lamentações e até de queixas contra a presidente Dilma, o PT
deveria fornecer-lhe meios para a recuperação. Um elenco de iniciativas
capazes de ir de encontro às necessidades do país, desde a retomada do
desenvolvimento econômico à elaboração de novas conquistas sociais.
Afinal, em seus dois governos, além do assistencialismo que aumentou o
consumo entre as massas, não surgiram atos concretos de ampliação dos
direitos do trabalhador. Pelo contrário, o que se vê são restrições ao
salário desemprego, ao abono salarial e às pensões das viúvas. Oito
milhões de desempregados e as sucessivas demissões em centros de
produção atingidos pela crise exigem mudanças até na legislação, de
forma a devolver ao trabalho aquilo que o capital lhe vem tomando. As
bases trabalhistas, com as centrais sindicais à frente, rejeitam a
teoria do sacrifício, da supressão de prerrogativas, dos cortes em
investimentos sociais e da contenção de salários. Essas formulas só
trouxeram mais dificuldades aos países que as adotaram.
A garantia do emprego e sua ampliação através de políticas públicas
que atendam as necessidades do crescimento econômico e estendam a todos
os frutos de um esforço nacional estava no cerne do PAC, quando
lançado. Hoje, virou fumaça. Mais importante do que evitar vaias e
panelaços será adotar medidas concretas de recuperação, capazes de beneficiar o conjunto, não apenas os privilegiados de sempre.
Boas intenções poderão ser enunciadas na capital baiana, mas
redundarão em nada caso as bases do PT não consigam livrar-se da
acomodação e da prática de usufruir do poder em beneficio de suas
cúpulas. Uma lufada de ar puro renovará o partido e seu governo. Ficar
vociferando e acusando os adversários só aumentará a distância entre o
trabalhador e os que se dizem seus representantes.
