HELIO FERNANDES -
Antes de escrever sobre economia, política, (desmoralizada), juros (em
alta) investimento (em queda), inflação (elevadíssima), dívida (impagável),
desemprego (assustador), quero exaltar o futebol de dentro de campo, cantar
hinos mesmo apenas com palavras a um time que se chama Barcelona.
E dentro desse time, localizar a parceria Messi-Neymar, que muita gente
acreditava que não daria certo, por falta de futebol, mas sim por excesso de
vaidade, que não consolidaria a indispensável solidariedade.
Pois construíram alguma coisa invencível, se destacaram juntos e juntos
ganharam tudo que disputaram. Campeões da Espanha, da Copa do Rei, vencedores
do Campeonato da Europa.
Em nome da igualdade e do direito de todos disputarem tudo sem vantagem
antecipada, Messi e Neymar deveriam ser proibidos de entrar em campo defendendo
o mesmo lado. E para os que não sabem, escrevo isso com total isenção e
sinceridade.
O fato de meu pai ter nascido em Barcelona, nada a ver. Fora do Brasil,
a cidade que mais adoro e que visitei mais vezes. A luta de Barcelona durante
mais de 30 anos contra o ditador Franco, talvez tivesse me influenciado.
Mas fora de tudo isso, Messi e Neymar, que parceiro. Se jogassem pela
seleção do Catar, seriam campeões do mundo, mesmo o Catar sendo corruptissimo.
E não irá sediar a Copa de 2022. Seria a consolidação do poder do dinheiro
ilimitado e ilegítimo.
Estatais
Nem preciso ou precisaria explicar. Sou a favor de qualquer devassa,
folha corrida, exame do passado, que a opinião publica saiba quem está sendo
nomeado para estatais, bancos oficiais, órgãos públicos. Mas isso é função do
executivo e não do Legislativo.
Transferir essa obrigação do Executivo para o Legislativo,
inconstitucionalidade.
Quando o Legislativo tenta transferir essa delegação, passando-a para
sua alçada, é uma clara violência e violação. Cabe ao legislativo, como a toda
comunidade, o poder de fiscalização e denuncia sobre a atuação dos denunciados.
Mas quando as medidas são propostas por Renan Calheiros e Eduardo Cunha,
deviam logo ser processados por “falsidade ideológica” ou o que houver de mais
grave e repressivo.
Aproveitando o feriado de Corpus Christi, que chamaram de “feriadão”,
decidiram passar 10 dias viajando entre Israel e Moscou com tudo pago.
Incluindo apaniguados e familiares. Isso depois “da ideia genial” de aprovarem
o “Legislativo Center”.
Na mão de Cunha e Renan, a Bíblia passa ser um “livro pornográfico”.
Maduro não vê o papa
O presidente-ditador da Venezuela estava embarcando para o Vaticano,
tinha encontro com Francisco. Na última hora foi informado: “O Papa vai pedir a
libertação dos oposicionistas e presos arbitrariamente”. Cancelou a viagem.
“contraiu” uma gripe.
Pensou em telefonar para Dona Dilma, (que se recusou a receber a mulher
dos presos, uma delas em greve de fome) desistiu. Não sabe o que fazer, não
pode remarcar a visita ao Vaticano, nem ficar “gripado” para sempre.
Paulo Maluf-Tancredo Neves
Deu entrevista á Globonews, baladissima. Naturalmente tem o seu estilo,
gosto e credibilidade. Não passa de farsa, tolices, amontoado de mentiras,
citando quase sempre pessoas mortas. Com “revelações” que não podem ser
contestadas.
As “chamadas” durante a semana, insistiam: “Maluf financiou a campanha
de um presidente”. Houve expectativa, mas revolta, quando falou: “Financiei a
campanha de Tancredo Neves para senador e governador”. E acrescentou: “Com meu
dinheiro legitimo” (Sic). Continuou sem constrangimento, mentindo
descaradamente sobre Tancredo.
Quando ele era deputado foi ao Departamento Médico, fez exames recebeu a
resposta: “O senhor está com infecção no estomago. Fui aconselhado a usar isso
na campanha contra ele, recusei”. Ora, a ultima vez que Tancredo foi deputado,
em 1950. Em abril de 1954 tinha que sair para disputar a reeleição, Vargas
pediu, “fique Ministro”, houve o suicídio de Vargas, ficou sem mandato. Em 1960
foi primeiro Ministro de Jango, outra vez sem mandato, senador, governador,
Maluf transferiu tudo para 1985, sem o menor protesto do
repórter-entrevistador.
Ainda sobre a eleição de 1985: “O deputado Gustavo de Farias mandou me
pedir 100 mil dólares para votar em mim, recusei”. O repórter diante de tanta
mentira, devia ter informado, quem era o personagem. Mais ou menos 20 anos
antes, capitão do exercito, morava num apartamento na Delfim Moreira,
prolongamento da Vieira Souto, locais mais caros do Rio.
Correram rumores que vendera essa casa monumento, cuja propriedade não
podia explicar, a Juscelino, ex-presidente que não tinha recurso para
compra-la. Nada foi desmentido nem comprovado, mas o Exercito passou o capitão
para a reserva. Não se incomodou, comprou uma agencia de publicidade, em 1985
era realmente deputado.
Posso continuar indefinidamente, não existe uma palavra verdadeira.
Termina com a repetição do lugar comum sobre sua famosa conta numerada no
exterior. Perguntado sobre ela, respondeu: “faço uma procuração para você, fica
com a conta”. Já disse isso dezenas de vezes. Foi até preso (algemado) com o
filho, ficou três dias, bons advogados conseguiram sua liberdade.
Afirmou: “Não vou depor no exterior, como querem, é um direito meu”. Não
vai porque há um mandato de prisão com a Interpol, vale para 201 países. Menos
para o Brasil, a legislação não permite isso.
Uma entrevista anunciada com estardalhaço, toda ela um monologo sem
interrupção.
PS- Aumenta assustadoramente o número dos que jogam salva-vidas para as
empreiteiras corruptas e corruptoras. Só existe uma possibilidade de acerto, de
compensação de perdas.
PS2- Foi feita pelas próprias empresas, numa proposta textual:
“Devolveremos á Petrobras, seus prejuízos, de forma integral”. Como revelou
Dona Graça, esses prejuízos totalizaram 88 milhões. Por esse valor, conferido a
entrega á empresa, não ficarão inidôneas.
PS3- Ainda Lava-jato: Descobriram que Renato Duque comprou imóveis no
valor de 12 milhões. Em vez de Duque devia ser Lorde. No Brasil só havia um
Duque, o Caxias. Agora, na República surge esse, do PT.


