HELIO FERNANDES -
Se o Aurélio ou o Houaiss, fossem vivos, retirariam de seus dicionários
a palavra representatividade. Pelo menos em relação ao Legislativo. O movimento
de rua que começou e acabou em junho de 2013 (está completando dois anos)
acertou totalmente quando bradou diante da Câmara e do Senado: “Vocês não nos
representam”. Isso é cada vez mais verdadeiro.
Eduardo Cunha e Rena Calheiros ou “calhau”, fazem de tudo para escapar
da Lava-jato. Quando alguém pergunta, porque se mantêm no cargo, não renunciam,
respondem tranquilamente: “Somos apenas investigados e nunca encontra, alguma
coisa para nos indiciar”.
E continuam tentando destruir o executivo, enquanto se escondem atrás de
CPIs. Fizeram uma sobre a Petrobras, continuam “em atividade”, mas não convoca
ninguém de importância, mas sabidamente corruptos. Por que não ouvem nenhum
dirigente ou proprietário de empreiteiras?
Romário criou uma CPI para investigar a CBF. Com 53 assinaturas, estava
consolidado. Foi chamado pelo presidente da Câmara, ouviu a sugestão: “Vamos
fazer uma CPI mista”. (só eu publiquei isso).
O ex-jogador não aceitou, Cunha convocou os apaniguados da “bancada da
bola”, criaram outra CPI. A CPI do Romário é para apurar. A da Câmara é para
esconder. Por que não organizam uma CPI para investigar Cunha e Calheiros?
Podia ser mista, mais completa.
O congresso vota por perseguição e não
convicção
Em junho de 2013, na primeira manifestação autentica e relevante das
ruas, muitos protestos. O principal, atingiu o legislativo, com a frase: “Vocês
não nos representam”. Gritado em massa na frente da Câmara e no senado,
provocou mais do que susto e sim pânico.
O Legislativo ia aprovar a PEC 37, que por unanimidade restringiria e
praticamente acabaria coma Independência do Ministério Público. Logo o “colégio
dos líderes” (uma excrescência), se reuniu, mudou radicalmente, votou e recuou
por unanimidade a mesma PEC 37.
Respiraram aliviados conscientes de que poderiam mistificar e enganar a
opinião pública. Agora, varias demonstrações neste sentido. Aprovaram a PEC da
bengala, represália contra Dona Dilma, os Ministros do Supremo ficam na ativa
até os 75 anos.
Mas para que os Ministros do Supremo não se julguem poderosos e
vitoriosos, querem trair a dignidade, a ética, a moral e o bom senso. Preparam
interpretação: “Os Ministros terão que se submeter a nova sabatina”. Absurda e
inconstitucionalidade.
Celso de Mello há 29 anos no Supremo, vão perguntar o que a ele? Marco
Aurélio Mello (que como é do seu estilo logo se manifestou contra) há 24 no
Supremo, a que perguntas responderá? E os outros idem, idem.
Imediatamente o Supremo considerou essa segunda sabatina imoral e
inconstitucional, o legislativo, humilhado, não pôde fazer nada. Mas humilha
diariamente o Executivo, (como mostrei ontem) acumulando mais poderes para esse
legislativo aético, caquético, capenga.
Lava-jato sem restrição
Acusado de irregularidades quando presidente do BB em vez de responder e
ser responsabilidade, foi protegido e promovido. Passou a presidente da
Petrobras, até agora nenhum resultado. Se a apresentação do balanço for
colocado como ponto positivo, "blindagem" proporcionada pelo próprio
governo.
A Caixa Econômica vem sendo apontada como "fabrica" de
"contratos" altamente favorecidos. Agora surgiram denuncias de
"contratos sigilosos", que deveriam ser imediatamente apurados e
investigados.
Num momento em que se fala, se pede e até se exige transparência, por
que sigilo nas concessões? E o BNDES, nenhuma surpresa, mais uma vez envolvido
em escândalos colossais. Aí os números são inimagináveis, embora depois dos
assaltos aterrorizadores da Petrobras, nada seja inadmissível, tudo é mais do
que visível.
Em nome da transparência, poderiam exigir desse antigamente "banco
de fomento", a publicação ou quebra do sigilo de empréstimos favorecidos e
privilegiados.
Dois dados que o BNDES não explica, mas que o
cidadão-contribuinte-eleitor, precisa conhecer com urgência. Duas declarações
sigilosas de empréstimos a Eike Batista. Quantos foram, o total dos valores, as
garantias.
2- A declaração de um economista famoso, nomeado por Lula para a
presidência do banco, e com quatro meses, denunciando escândalos
internos.
Textual: "O BNDES empresta os três ou quatro por cento, atravessa a
rua, são reemprestados a sete ou oito por cento". (O BNDES e a Petrobras
ficam na mesma Avenida Chile, um de cada lado).
Mas é preciso que não se confirma a reviravolta da Lava-jato, que se
esboça no horizonte. Sabendo do que acontecia no BNDES, Lula tomou uma só
providencia: "Demitiu o presidente que nomeara, e fornecera o roteiro das
negociatas e dos escândalos".
PS- O amalucado e desequilibrado futebol brasileiro, ultrapassa seus
próprios limites negativos. O técnico Marcelo Oliveira foi campeão brasileiro
pelo Cruzeiro em 2013 e 2014. Começou 2015, desfalcadissmo, foi logo demitido.
PS2- Não satisfeitos com tanto malabarismo que pensam ser maquiavelismo,
contrataram para substituí-lo, Wanderley Luxemburgo. Que 48 horas antes havia
sido demitido do Flamengo, não esconderam que era por incompetência.