HELIO FERNANDES - Via blog do autor -
Cresce assustadoramente (a palavra é essa) não a exigência popular pelo
impeachment, mas a tentativa do PSDB de colocar o assunto como prioridade
absoluta. Só que os principais líderes da legenda, não aparecem nas ruas, não
falam em público, não defendem a derrubada do presidente de forma clara e
límpida: "O impeachment de Dona Dilma é a solução para recuperação do
país".
Os movimentos do PSDB são visíveis, apesar de só agirem nos bastidores,
em plena escuridão. Através de intermediários escusos, tentam inovar na
matéria, modificar o que está na Constituição, procurando obter a votação indispensável
na Câmara.
Não por decisão parlamentar, mas através de um requerimento dito
popular, não se sabe com quantas assinaturas. Isso não está escrito na Lei
Maior ou "Carta Magna".
Quem analisa, traduz, pensa, conhece historia, sabe que o pós-impeachment
é uma incerteza total. No Brasil só aconteceu um, contra o presidente Collor.
Foi um desastre completo, apesar um personagem serio, correto, politicamente
acima de desconfiança, Itamar Franco.
Mas na época não havia reeleição, assumiu apenas 20 meses por
“sugestões” desequilibradas caiu no movimento pro-FHC.
Não deu outra, foi releito. O mandato era de cinco anos, com medo de
Lula, antes da eleição, reduziu para quatro. Mas assim que se viu eleito,
comprou a reeleição. (Foi Ministro da Fazenda, Ministro do Exterior, teve todos
os favores da máquina).
Como eu já disse, no impeachment, os articuladores não são sempre os
vencedores. Se houver o segundo impeachment, quais são os articuladores, quais
serão os vencedores? Pesquisas no último manifesto apontariam 33 por cento a
favor do impeachment. Mas 25 por cento desses traziam também, meio oculto, um
papel, com a chamada, “Volta, militar”.
Para terminar por hoje, o debate sobre o assunto será longo e
tumultuado, não adianta nem teria sentido descarregar a arma com tanta
precipitação. Sou irrefutável e irrevogalmente contra o impeachment, o que não
me leva por instantes a defendê-la ou amenizar as criticas á sua
desadministração, contradição, falta de convicção.
Se o vice que viesse depois do impeachment, se chamasse Nilton Campos,
Afonso Arinos, Osvaldo Aranha, Gustavo Capanema e alguns da mesma geração ou de
uma seleção de grandes homens públicos, talvez apoiasse a substituição.
Mas com os “herdeiros” que se vê no horizonte, com o homem do
“retrocesso de 80 anos em 8”, comandando o PSDB, os incautos se surpreenderão.
E vou provar a razão de dizer que FHC está debaixo dos holofotes.
Petrobras
As ações da empresa atingiram a maior cotação desde o ano passado. Em
janeiro estavam em 8,20 as ordinárias e 8,27 as preferenciais. Vieram subindo
nos últimos pregões.
Ontem as ordinárias fecharam a 12,48 e as preferenciais um pouco acima
de 13 reais. É a maior cotação dos últimos tempos. Muito longe do auge em 43
reais, mas bem melhor do patamar de 8 reais.
Supremo
Indícios de que o Tribunal passará a atuar completo. Dona Dilma não
preenchia a vaga com medo do veto de Renan. Este liberou três nomes para
aprovação garantida, dois deles agradam a Dona Dilma.
O Presidente do senado, com processo antigo no Supremo, e agora investigado
serio na Lava Jato, recebeu informes de que havia insatisfação contra ele, fez
“acordo”. Ele não é de confiança, mas no momento, não tem muita resistência a
oferecer.
Respostas
Celso Pereira Junior quer saber se a "anistia ampla, geral e irrestrita"
foi uma blasfêmia totalitária. Isso e muito mais, na verdade muitíssimo.
Inicialmente foi a tentativa de livrar ou absolver Médici e Geisel os dois
"presidentes" que ainda estavam vivos. E mostrar ou demonstrar
generosidade.
Não consultaram ninguém, apenas alguns coronéis também torturadores,
muito civis que colaboraram com a ditadura, e principalmente o General Otávio
Medeiros, Chefe do SNI, e que aparece igualmente o 1º de maio de 1981. Fato que
comentarei, a seguir, respondendo a outro leitor, que esqueceu de assinar, (ou
não quis, se quiser pode fazê-lo agora, o assunto é importantíssimo).
Os que combateram a ditadura de armas nas mãos (apenas 60, chamados de
"guerrilheiros" e muitos outros assassinados nos subterrâneos da ditadura)
não podiam se beneficiar. Os que estavam no exterior, asilados ou exilados,
puderam voltar, "grande benefício".
Os generais (e coronéis ainda não promovidos) queriam se livrar de
punições, tinham pânico de morrer na cadeia como aconteceu na Argentina e no
Chile. Conseguiram a auto-absolvição e a proclamação da inocência avaliada
pelos civis, tão culpados quanto eles.
Bastam dois exemplos para mostrar qual a intenção deles. Dois anos
depois dessa "anistia" demoliram a Tribuna da Imprensa. Pura vingança
por tudo o que o jornal representou na luta contra eles. E o fato do repórter
não ter saído do país nos 21 anos em que torturaram, assassinaram, perseguiram,
fiquei agressivamente combatendo.
E um episódio que não esqueceram: o fato de logo em 1979, vários
advogados famosos entrarem com pedido de indenização (com minha autorização)
não contra a União, mas pessoalmente responsabilizando Médici e Geisel. Tiveram
contratempos, foram incomodados, precisaram se defender no então Tribunal
Federal de Recursos (que acabou com a Constituição de 88) e no Supremo Tribunal
Federal. Este teve a covardia de declarar: "Geisel e Médici não tem nada
com isso, responsável é a União".
Ainda bem que nenhum dos ministros de hoje integrava a tribunal de
1979/80. Os ministros de 1979/80, se comparam aos ministros do Supremo da Era
Vargas, Estado Novo, mas com o Supremo funcionando que autorizaram o ditador a
entregar Olga Benário aos nazistas. (Ela nunca foi Prestes).
Esse general Chefe do SNI, poderosos, pedia a prorrogação da ditadura,
pois era candidatíssimo a "presidente" em 1985. Foi o autor e
realizador em comando de tudo o que aconteceu cm a Tribuna em 1981. Fui então
depor na CPI do Terror que funcionava no Congresso. O relator Franco Montoro
(depois seria governador de São Paulo) veio ao Rio me convidar, fui depor,
construí um libelo nominal que durou 6 horas.
Esse libelo desapareceu completamente. Tempos depois precisei
consulta-lo, (falo sempre de improviso), não conseguiram encontra-lo. Ninguém
sabia do 1º de maio, desse mesmo 1981, nova tentativa de prorrogação da
permanência dos generais, no caso o mesmo Otávio Medeiros.
Foram incompetentes, a bomba era para explodir em outro lugar e não no
carro, matando militares. Para os autores, um desastre. Era preciso fazer
inquérito, a repercussão foi enorme. Garantiram a transição com a "eleição
indireta" de 1985, monitorada por eles, chamada de "transição".
E o inquérito?
O chefe do SNI providenciou tudo. Conhecia um coronel negro (já morto)
que não seria promovido a general, chamou-o e determinou: "Você vai
assinar o inquérito sobre o "Atentado do Rio Centro". Não terá nenhum
trabalho, é só assinar. E será promovido a general".
Não podia recusar, se o fizesse seria preso, teria um fim de carreira
injusto. O inquérito foi o mais incompreensível, logo arquivado. Mas os
generais torturadores continuaram mandando. Eleição direta só em 1989. Com
tanto tempo sem povo, sem voto, sem urnas, surgiram oito candidatos.
O general Otavio Medeiros morreu 5 anos depois completamente
desconhecido. Continuou morando em Brasília, ia ao supermercado sem segurança
alguma, não era incomodado, ninguém sabia quem era.