INFORMAÇÃO LIVRE

6.3.15

PARAR A PONTE - DE ONDE NASCEM OS DIREITOS?

Por VINICIUS CAMARGO - Via APN - 

É preciso conquistar mais direitos e garantias para o exercício cotidiano dos mesmos. 


Os trabalhadores do COMPERJ estão reivindicando os seus direitos já há dois ou três meses e nem a negociação com a Alusa, ou com a Petrobrás, ou no Ministério Público e até Decisão Judicial de Tribunal não resolveram a situação. Já fizeram greve, manifestação na obra do Comperj, na Sede da Petrobrás, passeatas pelas ruas e avenidas do Centro do Rio de Janeiro e não asseguraram um direito que, pela lei, seria líquido e certo de quem trabalhou, que é receber o salário, e de quem foi demitido, que é receber a rescisão. Imagine ficar sem o próprio salário por três meses ou ser demitido e não receber sua rescisão? A situação piora a cada dia. Sem renda, muitos passam dificuldades para manter a família. Mais de mil famílias já começaram a ser despejadas e muitos sem ter para onde ir, vivem nas ruas de Itaboraí ou contam com a solidariedade para não dormir na rua. Um de seus cartazes é emblemático: “Papai cadê o meu biscoito?”.

Os direitos nasceram e nascem da luta dos trabalhadores e do exercício de cada direito conquistado, mas só são garantidos no dia-a-dia pela organização coletiva. A conquista ou a perda de um direito estão ligadas à correlação de forças sociais, de um lado trabalhadores, do outro lado patrões e governo. É como num cabo de guerra (e é uma verdadeira guerra), dependendo do lado com mais força para puxar, direitos são conquistados ou retirados. E os trabalhadores só tem força coletivamente, como classe.

Os operários do COMPERJ deram uma lição de coragem ao não se intimidar, que deve ser seguido por mais e mais trabalhadores conforme a crise se aprofunda e, com isso, resistam aos ataques por parte dos patrões e do governo. A situação demonstra, de forma arrebatadoramente triste, como as empresas e a justiça podem mal lidar com a vida dos trabalhadores e suas famílias, e como, em segundos, toda a lei desaparece quando se trata de atender os direitos dos trabalhadores contra o interesse dos ricos e poderosos.

Quando a crise aperta, estas falsas instituições democráticas mostram sua verdadeira face, a de superestrutura do Estado que tem como único fim impedir as manifestações e garantir a exploração e a opressão dos trabalhadores pelos patrões, sob administração do Governo. É preciso impedir que este tipo de coisa seja permitido ou aceito. Só a ação coletiva e apoio de instituições dos trabalhadores e suas manifestações garantirão a conquista do direito de cada um.

Em situação de pobreza e fome, vendo sua família lentamente se desfazer em tristeza e desesperança, com os patrões que tanto lucraram às suas custas lhe dando as costas, com a justiça lhe dando as costas, lutar e se manifestar é mais do que justo, é necessário. E não só pela situação especificamente destes trabalhadores, mas por todos os trabalhadores que são e serão atacados e aviltados para pagar pela crise criada pelos patrões, até mesmo para quem momentaneamente é afetado por alguma dessas manifestações.

Quem prejudica a população é o ladrão e o corrupto. Trabalhadores que se manifestam por direitos defendem a população toda, inclusive dos ladrões e corruptos. A coletividade, a população, mais se beneficia do que é prejudicada por manifestações por direitos, sejam para garanti-los ou os ampliar.

Quando um só trabalhador se manifesta e luta pelos seus direitos contribui com todos os demais. E quando muitos se manifestam e lutam por seus direitos fazem a humanidade avançar e evoluir: assegurando mais direitos para mais pessoas e melhorando os próprios direitos e as garantias para o exercício cotidiano dos mesmos.

Quem trabalha tem que receber. Quem foi demitido tem que receber rescisão. E se isso não ocorre, é necessário se manifestar, é necessário parar as vias, as pontes, parar o Brasil, pois nosso silêncio é caminho aberto para mais ataques. Nesse sentido, as lutas do COMPERJ contribuem para garantir o direito ao emprego para muitos trabalhadores e famílias, não só deste empreendimento, mas do país. E o direito ao emprego assegura o acesso a muitos dos outros direitos, até do direito de ir e vir já que sem dinheiro não se passa nem na ponte Rio-Niterói.
 
* Vinicius é diretor do Sindipetro-RJ.