17.4.14

“OPOSIÇÃO” E SITUAÇÃO (PSDB-PT), UNIDOS NA DESGOVERNANÇA E NO ENTREGUISMO DA PETROBRAS. EM ANO REELEITOREIRO, CPI (AMPLA OU NÃO) PODE FAZER A CRIATURA (OU POSTE) SE VOLTAR CONTRA O CRIADOR

DANIEL MAZOLA -
Após os cruciais depoimentos de Dona Graça Foster (anteontem) e Nestor Cerveró (ontem), para pavor e desespero da cúpula petista, ficou evidente, definitivamente, que a CPI precisa sair para o bem da empresa e o interesse estratégico e econômico do País. Mesmo havendo interesses eleitorais (e reeleitorais) por trás, o caso precisa ser desvendado e esclarecido, existem algumas “caixas pretas” na empresa, (muitas nuvens, biombos e cortinas) precisamos começar abrindo uma delas, Pasadena pode ser a primeira.

De quem era a obrigação de ler e estudar o relatório completo sobre (a operação Pasadena) a compra da refinaria nos EUA? Nestor Cerveró, ex-diretor Internacional da Petrobras, em depoimento que fez ontem na Câmara dos Deputados, não conseguiu livrar a “gerentona” Dilma Rousseff da besteira que cometeu quando era presidente do Conselho de Administração da estatal, na gestão de Lula. O depoimento dele caiu em contradição com o de Dona Graça Foster, porém os dois se mostraram profundos conhecedores da empresa.

Dona Dilma Rousseff, Lula, postes e agregados querem incriminar o ex-diretor internacional da estatal como o único responsável pelo erro que a levou a aprovar o negócio com o grupo belga Astra Oil. Como já revelamos aqui, uma reportagem publicada por um “grande” jornal paulista informou que a compra da refinaria teve o aval da “gerentona”, que na época era ministra-chefe da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobras. Não tem volta: Lula, Dona Dilma Rousseff, Gabrielli, Graça Foster e os demais conselheiros e diretores da Petrobrás foram responsáveis pela decisão desastrosa da compra da refinaria de Pasadena, e agora correm risco de sofrerem ações judiciais, com direito a pedido de reparação por seus erros. 

A estratégia foi mandar Dona Maria das Graças Foster ao Senado para jogar a culpa na diretoria anterior da Petrobras pelo prejuízo de pelo menos US$ 530 milhões da compra da velha refinaria texana. Porém tomar decisão com base em resuminho executivo incompleto (como aquele escrito por Cerveró, que provavelmente não advertia sobre perigosas cláusulas) é coisa de amador ou de preguiçoso. Graça acabou expondo ainda mais Dilma e ferrou completamente com o ex-presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli, afilhado de Lula. Com isso, tudo indica que a guerra interna entre os grupos (de Dilma e Lula) pode se acirrar, e o poste ou criatura se voltar contra o criador.

A ministra Rosa Weber avisou que só decide na semana que vem, se aceita ou não o Mandado de Segurança da “oposição” para criação de uma comissão para investigar vários temas. CPI é quase sempre inútil, e essa provavelmente não será diferente das que sempre acabam no rodízio de pizza, ainda mais em ano reeleitoreiro.

O melhor caminho para resolver vários escândalos na Petrobras, ou fora dela (ainda maiores), depende do Ministério Público Federal, da Procuradoria Geral de Justiça, da própria Justiça Federal ou do Supremo Tribunal Federal, dependendo do extremismo da situação.

Mas mesmo que a CPI não resolva nada e não puna ninguém, a Petrobras não será ou ficará comprometida enquanto empresa. A CPI (ampla ou não) trará a tona os erros e desmandos, desacertos e irresponsabilidades, negociatas e negócios honestos para que sejam identificados, e quem sabe, posteriormente ressarcidos na Justiça.

Uma nova governança (com amor e ética) na maior empresa do Brasil é fundamental para os rumos políticos e econômicos do País. Saber que temos reservas sobrando para no mínimo os próximos 50 anos, campos de petróleo sendo descobertos a toda hora e que isso acaba sendo explorado por outras empresas e governos que não os nossos, é frustrante, vergonhoso, crime de lesa-pátria. A CPI pode servir para abrir esse debate mais profundo, sobre o entreguismo do PSDB-PT-PMDB que assola o país há décadas. 

Servidores do IBGE protestam no RJ

Cerca de 200 técnicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) se reuniram em frente à sede na manhã de ontem por volta das 10h, para protestar contra a crise institucional que se instalou no órgão em protesto à decisão de suspensão até 2015 da divulgação dos resultados da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios Contínua (Pnad). Em discurso, eles propõem entrar em greve.

De acordo com Susana Drummond, funcionária do IBGE. “Agora é a vez do Pnad contínua, amanhã será outro projeto. A autonomia do IBGE está em primeiro lugar e não vamos abrir mão disso. Eles estão preocupados com o IBGE? Que tenha verbas efetivas para fazer nosso trabalho. Que façam concursos. Pessoas que entram e saem continuamente não permitem capacidade, treinamento e condições de representar o nome da instituição".

Segundo Aristides Lima, que é funcionário do IBGE desde 1976: “O que nós queremos é a democratização do IBGE. Precisamos ampliar esse movimento. Temos que pedir ao sindicato que convoque uma reunião para que possamos ampliar para as estaduais. Precisamos ir para o congresso institucional já. Para ampliar essa luta que não pode ser só da sede aqui do Rio".

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Fundações Públicas Federais de Geografia e Estatísticas (ASSIBGE) informou que centenas de trabalhadores paralisaram as atividades no Rio para a manifestação em frente à sede da Avenida Chile. E outros atos coordenados pelo sindicato em outras filiais do IBGE pelo Brasil estão previstos.