Após os cruciais depoimentos
de Dona Graça Foster (anteontem) e Nestor Cerveró (ontem), para pavor e desespero
da cúpula petista, ficou evidente, definitivamente, que a CPI precisa sair para
o bem da empresa e o interesse estratégico e econômico do País. Mesmo havendo
interesses eleitorais (e reeleitorais) por trás, o caso precisa ser desvendado
e esclarecido, existem algumas “caixas pretas” na empresa, (muitas nuvens,
biombos e cortinas) precisamos começar abrindo uma delas, Pasadena pode ser a
primeira.
De quem era a obrigação de
ler e estudar o relatório completo sobre (a operação Pasadena) a compra da
refinaria nos EUA? Nestor Cerveró, ex-diretor Internacional da Petrobras, em
depoimento que fez ontem na Câmara dos Deputados, não conseguiu livrar a “gerentona”
Dilma Rousseff da besteira que cometeu quando era presidente do Conselho de
Administração da estatal, na gestão de Lula. O depoimento dele caiu em
contradição com o de Dona Graça Foster, porém os dois se mostraram profundos
conhecedores da empresa.
Dona Dilma Rousseff, Lula, postes e agregados querem
incriminar o ex-diretor internacional da estatal como o único responsável pelo
erro que a levou a aprovar o negócio com o grupo belga Astra Oil. Como já
revelamos aqui, uma reportagem publicada por um “grande” jornal paulista informou
que a compra da refinaria teve o aval da “gerentona”, que na época era
ministra-chefe da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da
Petrobras. Não tem volta: Lula, Dona Dilma
Rousseff, Gabrielli, Graça Foster e os demais conselheiros e diretores da
Petrobrás foram responsáveis pela decisão desastrosa da compra da refinaria de Pasadena,
e agora correm risco de sofrerem ações judiciais, com direito a pedido de
reparação por seus erros.
A estratégia foi mandar Dona
Maria das Graças Foster ao Senado para jogar a culpa na diretoria anterior da
Petrobras pelo prejuízo de pelo menos US$ 530 milhões da compra da velha
refinaria texana. Porém tomar decisão com base em resuminho executivo
incompleto (como aquele escrito por Cerveró, que provavelmente não advertia sobre perigosas
cláusulas) é coisa de amador ou de preguiçoso. Graça acabou expondo ainda mais
Dilma e ferrou completamente com o ex-presidente da empresa, José Sérgio
Gabrielli, afilhado de Lula. Com isso, tudo indica que a guerra interna entre os
grupos (de Dilma e Lula) pode se acirrar, e o poste ou criatura se voltar
contra o criador.
A ministra Rosa Weber avisou
que só decide na semana que vem, se aceita ou não o Mandado de Segurança da “oposição” para criação de uma comissão
para investigar vários temas. CPI é quase sempre inútil, e essa provavelmente não
será diferente das que sempre acabam no rodízio de pizza, ainda mais em ano reeleitoreiro.
O melhor caminho para
resolver vários escândalos na Petrobras, ou fora dela (ainda maiores), depende
do Ministério Público Federal, da Procuradoria Geral de Justiça, da própria
Justiça Federal ou do Supremo Tribunal Federal, dependendo do extremismo da
situação.
Mas mesmo que a CPI não resolva nada e não puna ninguém, a Petrobras
não será ou ficará comprometida enquanto empresa. A CPI (ampla ou não) trará a
tona os erros e desmandos, desacertos e irresponsabilidades, negociatas e
negócios honestos para que sejam identificados, e quem sabe, posteriormente ressarcidos
na Justiça.
Uma nova
governança (com amor e ética) na maior empresa do Brasil é fundamental para os
rumos políticos e econômicos do País. Saber que temos reservas sobrando para no
mínimo os próximos 50 anos, campos de petróleo sendo descobertos a toda hora e
que isso acaba sendo explorado por outras empresas e governos que não os
nossos, é frustrante, vergonhoso, crime de lesa-pátria. A CPI pode servir para
abrir esse debate mais profundo, sobre o entreguismo do PSDB-PT-PMDB que assola
o país há décadas.
Servidores
do IBGE protestam no RJ
Cerca de 200 técnicos do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) se reuniram em frente à
sede na manhã de ontem por volta das 10h, para protestar contra a crise
institucional que se instalou no órgão em protesto à decisão de suspensão até
2015 da divulgação dos resultados da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios
Contínua (Pnad). Em discurso, eles propõem entrar em greve.
Segundo Aristides Lima, que é funcionário do IBGE desde 1976: “O que nós queremos é a democratização do IBGE. Precisamos ampliar esse movimento. Temos que pedir ao sindicato que convoque uma reunião para que possamos ampliar para as estaduais. Precisamos ir para o congresso institucional já. Para ampliar essa luta que não pode ser só da sede aqui do Rio".
O Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Fundações Públicas Federais de Geografia e Estatísticas (ASSIBGE) informou que centenas de trabalhadores paralisaram as atividades no Rio para a manifestação em frente à sede da Avenida Chile. E outros atos coordenados pelo sindicato em outras filiais do IBGE pelo Brasil estão previstos.



