Via Justiça Global -
A Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale apresentou a uma semana um
panorama das violações de direitos humanos e ambientais cometidas pela
mineradora em todos os seus empreendimentos. Foi mostrado como a empresa
vem investindo seu dinheiro de forma irresponsável no Brasil e em
países como Peru, Moçambique e Canadá. Somente no caso da mina de
Carajás, são US$ 19,5 bilhões previstos na ampliação da exploração do
minério de ferro, cuja cadeia produtiva causou dezenas de mortes no Pará
e no Maranhão. O projeto, porém, pode ser paralisado a qualquer
momento, por burlar o licenciamento ambiental. Em coletiva realizada
nesta manhã no Rio de Janeiro também foi relatado como a Companhia
Siderúrgica do Atlântico (CSA), na Zona Oeste do Rio, da qual a Vale é
acionista, opera ilegalmente no Rio de Janeiro desde 10 de abril, entre
outros casos.
As informações foram divulgadas no dia 17 de abril por ser o mesmo dia em que a
mineradora faz sua assembleia de acionistas, na qual tenta passar a
imagem de que é uma empresa com preocupação social e ambiental. Há
cinco anos, a Articulação Internacional participa dessa reunião para
tornar públicas as denúncias, mostrando aos investidores os crimes
cometidos pela empresa. Além disso, foi lançada uma contrapropaganda
para desmascarar a nova campanha da Vale na mídia. Veja abaixo as
informações:
TKCSA - Sem nunca ter obtido o licenciamento para
funcionamento, a Thyssenkrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico
(TKCSA) opera na ilegalidade desde o dia 10 de abril, quando venceu o
Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado com o Instituto
Estadual do Ambiente (INEA). A empresa vem tentando de todas as formas
conseguir a licença de operação, embora continue sem cumprir as
determinações da legislação ambiental. “A usina vem causando danos
graves ao Rio de Janeiro, elevando em 76% a emissão de gás carbônico
(CO2) de toda a cidade, além de ter destruído cerca de 8 mil postos de
trabalho gerados pela pesca na Baía de Sepetiba. Há também a chuva de
prata que continua a cair em Santa Cruz e a causar problemas de saúde e
mortes de moradores da região”, disse a economista Sandra Quintella, do
Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS).
CARAJÁS – O projeto de ampliação da produção de
ferro da mina e de duplicação da Estrada de Ferro Carajás (EFC) é o
maior investimento da Vale no mundo. Para conseguir realizar a obra, a
Vale fragmentou o licenciamento ambiental da ferrovia, pedindo
autorizações diferentes para cada trecho. Essa trapaça já foi
denunciada na Justiça, que concedeu uma liminar que suspendeu a obra
por 45 dias em 2012, e que pode vir a paralisá-la permanentemente. ” A
Vale vem descumprindo algumas das condicionantes dessas licenças, como
por exemplo a Licença de Instalação 895, expedida pelo Ibama em 2 de
dezembro de 2013. Ela impôs um prazo de 60 dias para a Vale apresentar
estudo de frequências das composições ferroviárias, estudo de tráfego e
mapeamento atualizado das comunidades vizinhas à ferrovia. De lá pra
cá se passaram mais de quatro meses e os estudos até o momento não
foram apresentados. Existe a necessidade de construção de travessias
seguras de um lado para o outro da ferrovia, que segue causando
sucessivas mortes de pessoas por atropelamento pelo trem”, explicou o
advogado Danilo Chammas, da rede Justiça nos Trilhos.
PIQUIÁ DE BAIXO – A atividade siderúrgica a serviço
da Vale em Piquiá de Baixo, bairro em Açailândia (MA), gera graves
problemas de saúde nas mais de 300 famílias que ali vivem. São cinco
usinas que processam o ferro da mineradora, jogando no ar uma fumaça
tóxica que provoca mortes constantemente. A última vítima foi a dona de
casa Deucivânia Oliveira Lima, de 32 anos, falecida no dia 18 de março
por embolismo pulmonar, deixando três filhos. A professora Joselma
Alves de Oliveira, de 36 anos, nascida e criada em Piquiá, conta que os
moradores agora lutam para serem reassentados em outro local: “Há
muita gente adoecendo aqui. Não há mais condições. Estamos lutando
agora para que todo o bairro seja reassentado em outro lugar de
Açailândia. Já conseguimos responsabilizar as cinco siderúrgicas locais
que trabalham para a mineradora por isso, mas a Vale afirma que não
tem responsabilidade, apesar de toda essa poluição só existir por causa
dela”.
PERU - No dia 12 de novembro de 2013, a Vale foi
multada pela contaminação do ar provocada por falhas no processo de
carregamento de fosfato no porto que a empresa possui na Baía de
Sechura, na província peruana de Piura. A multa no valor de em 370 mil
soles (US$ 132 mil ou R$ 309 mil) foi imposta pelo Órgão de Avaliação e
Fiscalização Ambiental do Estado Peruano. “No Estudo de Impacto
Ambiental, a Vale prometeu que a infraestrutura portuária eliminaria a
possibilidade de que o concentrado fosse arrastado pelo vento
nas operações de carregamento dos navios. No entanto, segundo os
operários da Petroperu, que trabalham no porto vizinho ao da Vale, o pó
em suspensão resultante das operações de embarque de fosfato afeta a
saúde e o ambiente de trabalho”, explica a pesquisadora da Justiça Global
Melisanda Trentin, acrescentando que a Vale também está sendo
denunciada pelos pescadores de Piura por causa da contaminação do mar
pelo fosfato, que está destruindo o ecossistema e a economia local.
MOÇAMBIQUE - Em janeiro deste ano, após quatro anos de
críticas e protestos dos moçambicanos, a Vale afirmou que ia indenizar
os moradores de Moatize, na província de Tete, que tiveram suas casas
destruídas pela Vale por causa de uma mina de carvão. Apesar das
declarações dadas à imprensa, os moradores de lá até hoje não foram nem
ao menos procurados para falar do pagamento, informa a Liga
Moçambicana de Direitos Humanos. Essa população foi reassentada em
casas de péssima qualidade em regiões impróprias para a agricultura –
sua fonte de subsistência.
ESPIONAGEM - Em março de 2013, por meio da denúncia
de um ex-funcionário, veio à tona a existência de um esquema de
espionagem operado ilegalmente pela Vale. Esse dito setor de
inteligência seria destinado a monitorar movimentos sociais como o
Xingu Vivo para Sempre, o MST e a rede Justiça nos Trilhos. Para isso, a
mineradora teve acesso a informações do INFOSEG e da Receita Federal,
que só o Estado pode ter, além de infiltrar espiões em reuniões e
encontros. “A empresa afirmou que ia fazer uma investigação e se
posicionar publicamente sobre o caso, mas isso não ocorreu. Assim como
também não há informações de que ela abandonou esse tipo de prática”,
explicou o pesquisador Gabriel Strautman, da Justiça Global.
CANADÁ – A falta de segurança nas operações de cobre
em Sudbury, no Canadá, levaram a quarta morte de um operário em menos
de três anos. O último foi Paul Rochette, de36 anos, que teve
traumatismo craniano dentro das instalações de Copper Cliff.
http://www.cbc.ca/news/canada/sudbury/paul-rochette-36-dies-in-vale-sudbury-smelter-incident-1.2602090
CONTRAPROPAGANDA - Veja a campanha de contrapropaganda
preparada pela Articulação Internacional para mostrar os verdadeiros
valores que a Vale
defende:https://www.facebook.com/atingidospelavale/photos_stream
