INFORMAÇÃO LIVRE

26.4.14

CRÔNICA DA DERROTA ANTECIPADA

CARLOS CHAGAS -

Fazer previsões em política geralmente equivale a dar palpite em questões desconhecidas. Mesmo assim, algumas situações surgem tão claras que a tentação é grande: Alexandre Padilha não ganha de jeito nenhum as eleições para governador de São Paulo. Já era missão quase impossível imaginá-lo vencendo Geraldo Alckmin, em pleno exercício do poder. Saído de mais uma incursão do Lula no reino dos postes, tinha poucas chances por não ser conhecido sequer da militância do PT paulista. Agora, porém, ficou pior.

Apesar da sóbria nota oficial com que negou haver indicado um antigo assessor para executivo de um laboratório lambão especializado em lavagem de dinheiro do doleiro Youssef, Alexandre Padilha está denunciado pela Polícia Federal. Como ministro da Saúde, teria se envolvido com o Labogen.

É claro que muitos companheiros votarão nele, como votaram em Fernando Haddad para prefeito da capital e até em Dilma Rousseff para presidente da República, mas só o PT não bastou para elegê-los. Nos dois casos, o eleitorado independente resolveu a eleição. Agora, nem por milagre. Tanto pela seriedade das acusações quanto pela solidez do governador.

A pergunta que se faz em São Paulo é se o partido não tinha outra alternativa. Aloísio Marcadante, Marta Suplicy, Eduardo Suplicy e, se fosse questão de vida e de morte ganhar no estado, por que não o próprio Lula? Tem limite repetir a formula de tirar um desconhecido da cartola. Em especial se sobre ele pesam, justa ou injustamente, versões desabonadoras. Ainda mais quando o PT se encontra sob fogo batido, com muitos de seus líderes acusados e mesmo renunciando por corrupção.

Uma derrota anunciada, em São Paulo, prejudica a reeleição de Dilma Rousseff. Talvez até favoreça Aécio Neves, claro que não a ponto de impedir o segundo mandato da chefe do governo. A conclusão é de que, desta vez, a mágica do Lula não vai dar certo. A menos que ele surpreenda todo mundo a aceita candidatar-se ao palácio dos Bandeirantes. Há precedentes: Rodrigues Alves governou São Paulo, virou presidente da República e, terminado seu mandato no Catete, voltou aos Campos Elíseos. De onde, aliás, saiu para novo mandato presidencial, não tendo assumido por doença mortal. A História costuma ser um amontoado de repetições. 

POR BEM OU POR MAL 

Parece definitiva a saída de André Vargas da Câmara dos Deputados. Ou renuncia ou será cassado pela Comissão de Ética e pelo plenário, com a votação maciça de seu próprio partido. O PT procura antecipar a degola, se possível antes do recesso do meio do ano.