INFORMAÇÃO LIVRE

18.4.14

APESAR DO “FERIADÃO”, PETROBRAS É MAIS DO QUE UM ASSUNTO OU UMA PALAVRA, TORMENTO, INCÓGNITA E INCERTEZA QUE DIVIDE AINDA MAIS, SITUAÇÃO E OPOSIÇÃO. TODOS PENSANDO EM ELEIÇÃO

HELIO FERNANDES - 

Dois depoimentos importantes, no Senado e na Câmara, não surgiu esclarecimento. Dona Graça fez pronunciamento profissionalmente surpreendente pelo conhecimento que revelou. Como eu disse comentando “em cima do laço”, ela aproveitou muito bem os 33 anos de “casa”.

Mas tinha obstáculos que precisava superar, um deles dificílimo: absolver Dona Dilma. Mas como absolver um personagem que confessou o que ela mesma adora identificar como “malfeito?”.

Saiu bem em parte

Dona Dilma e o Planalto "se consideraram" satisfeitos, e o que é que poderiam dizer? Mas na verdade, acharam que ela devia ter citado nominalmente o diretor internacional Cerveró, que entregou o relatório para todos os conselheiros lerem e decidirem. Se assinaram sem ler a culpa é deles.

O depoimento do diretor internacional

Dona Graça acabou de falar na terça quase noite, no Senado. No dia seguinte, quarta, bem cedo, Cerveró já estava na Câmara, depondo durante horas. E usando mais tempo do que Dona Graça, foi quase um diplomata, não hostilizando Dona Graça ou Dona Dilma, mas não deixando nada sem resposta. 

Examinou minuciosamente a fala de Dona Graça, a confissão de Dona Dilma, mostrou tudo o que forneceu, detalhadamente.

Ainda “gozou” a presidente da Petrobras, que insinuou (não nominalmente, e precisava?) que ele fora rebaixado. Riu amavelmente, trocou as palavras, afirmou:

“Fui substituído e transferido como diretor para outro setor importantíssimo”, (o financeiro, HF). E perguntou, atingindo a própria Graça: “Quem na empresa, com tantos anos de casa, já não ocupou vários cargos de direção? Não são maiores ou menores, é a praxe e a carreira”.

Contrariou Dona Graça, Dona Dilma em suspenso

Defendeu a transação, disse que “foi um bom negócio”, e que “continua sendo”. Discordou de Dona Dilma no total e no desdobramento. A favor dele: em quase 40 anos de Petrobras, sua vida é imaculada. Se não é, por que a carreira sem falhas?


A CPI, longe de ter sido descartada 

Curioso é que nem situação nem oposição estão satisfeitos. E podem até chegar a um acordo sobre “o negócio” de Pasadena, se foi bom ou mal. Para o Planalto e Dona Dilma, o grande problema não é mais Pasadena e sim o ex-diretor preso, Paulo Roberto Costa.

Muitos não dormirão tranquilamente até terça feira, quando Brasília reabre para balanço. Este repórter que é seguramente o mais antigo e o mais intransigente petrobrasista, defende a CPI.

Estou convencido que a CPI não vai absolver a todos. Mas a empresa, retomará o rumo e ritmo da administração, sadia, ética, moral, responsável, dando enormes alegrias ao povo brasileiro. 

Uma chapa, o primeiro com menos votos do que o segundo, pode ser levada a sério?

Fizeram festa enorme, discursos com fartos elogios entre Campos e Dona Marina, nenhuma comoção ou repercussão. Seis meses depois da união, continuam desunidos, e a espera de pesquisas.

Tudo indica que Campos ficará na iminência de manter os dois dígitos iniciais. Dona Marina tem tudo para ficar perto dos 20 por cento, o dobro. O cidadão-contribuinte-eleitor entenderá? Ou Campos acabará entendendo?

A bobagem de Dona Dilma

De qualquer maneira, embora não signifique muito, faturaram enorme promoção. Nas televisões, nos jornalões, menos nas redes sociais. Ridícula a manobra de Dona Dilma de “estar” em Pernambuco, no mesmo momento.

Renan recuou

Ontem sua idéia era protelar o mais possível as informações pedidas pela ministra Rosa Weber. Mas por “sugestão” de gente da cúpula do próprio PMDB, mudou o rumo. Aceitou o que foi proposto.  E ontem mesmo mandou entregar a resposta.

“O melhor é tentar convencê-la, em vez de ignorá-la” 

O conselho da cúpula do PMDB, era mais inteligente do que tentar prorrogar o tempo da resposta. E Renan, que não tem caráter mas não é burro, entendeu logo. De acordo com o entendimento da cúpula do partido, ela poderia se convencer. E votar contra o pedido da oposição.

Por isso Renan pediu ao departamento jurídico do Senado, para que a resposta fosse longa, e cheia de argumentos fundamentados. E que levassem a ministra a demorar a elaborar o voto de relatora. De qualquer maneira, reposta só na terça feira. Brasília política que trabalha pouco o ano todo, descansa para valer na Semana Santa, para eles, que palavra.

Além de corrupto, burro

Quando foi conhecido o escândalo André Vargas, revelei, não custa repetir e comentar. Lula Chamou o deputado, aconselhou: “Renuncia, agora”. Vargas riu, respondeu: “Presidente, vou tirar licença de 60 dias, quando voltar ninguém mais fala no assunto”. Lula não conseguiu demovê-lo.

Agora, menos de 30 dias passados, se licenciou, renunciou à vice-presidência da Câmara, indiciado na Comissão de Ética, disse, “vou renunciar ao mandato”. Vai ficar inelegível por 8 anos, era o que Lula estava prevendo. Perguntinha ingênua, inócua, inútil: como é que um deputado medíocre, corrupto, burro, chega a vice presidente da Câmara?

Agora “renunciou a renuncia”, está vagando nos escombros do vazio. O que fazer?

A Venezuela é uma democracia?

Maduro teve 50,04 dos votos, a oposição, 49,06. Eleitoralmente o país completamente dividido. Mesmo que essa inexistente vantagem fosse a favor da oposição, a divisão seria a mesma. Desde o início insisti que só a conciliação uniria o país.

Mas Chávez, perdão, Maduro, logo no início mostrou uma volúpia ditatorial, tentando esmagar a oposição, apenas desperdiçou a herança que recebeu de Chávez. Prendeu arbitrariamente lideres da oposição, presos até hoje. Cassou mandato de deputados, agora recebidos nos Parlamentos do mundo.

Maduro não sabe o que é diálogo

Depois de mais de 1 ano, sem saída e sem solução, imprensado de todos os lados, aceitou conversar e negociar. Mas não imaginava que esse diálogo fosse mais duro do que está sendo. Se queixa que estão exigindo muito, “não posso ceder”. Como foi longe de mais na repressão, agora tem que sofrer.

O Millôr dizia, “a incompetência não dói”. Em Maduro está realmente doendo, só que não percebeu que ainda pode ter um mínimo de salvação num governo de conciliação. Mas para isso, tem que governar democraticamente. Na Venezuela de hoje, um poço gigantesco de petróleo, o povo morrendo de fome e torturado por um “ditador eleito?”.

Maduro, ditador de fato

Chávez era Chávez, combatia, liderava, mandava, conquistou espaço. Seu “bolivarianismo” era duvidoso, mas dominava. Maduro não tem nada a ver. Prende líderes da oposição, que ficam presos até agora, sem resposta.

Cassa mandatos de deputados, que agora são recepcionados nos Parlamentos do mundo. Tem que se “democratizar”, unir o país, deixar o povo viver seu dia-a-dia. 

Maduro aprendeu com os generais do Brasil? 

Só pode ter sido. Quer conversar, negociar, se entender. Mas se recusa terminante e intransigentemente a soltar líderes da oposição, presos arbitrariamente. Que tipo de diálogo é esse? E o Brasil, omisso, “protegendo” Maduro.