INFORMAÇÃO LIVRE

25.4.14

A DOR PELO ASSASSINATO DO JOVEM DANÇARINO. AÉCIO TEM QUE TER VICE DE SÃO PAULO. ROSA WEBER FINALMENTE VOTA PELA CPI EXCLUSIVA

HELIO FERNANDES – 

Exatamente há 15 dias, senadores liderados por Pedro Simon e Aloísio Nunes Ferreira, atravessaram o descampado entre o Senado e o Supremo, para protocolarem Mandado de Segurança. O que pretendiam eles? Que o Supremo cumprisse a Constituição, e declarasse que “CPI só pode ser exclusiva”, não existe essa via tortuosa de “CPI ampla ou múltipla”.

Recebido Mandado de Segurança, foi sorteado relator, a ministra Rosa Weber. A partir daí, praticamente todos os dias eu “cobrava” da Ministra a decisão. Que era e continua sendo simples e irrevogável.


Diariamente dizia aqui: Rosa Weber terá que decidir pela CPI exclusiva. Se inovar e mandar instalar a CPI ampla, estará LEGISLANDO, não tem poderes para isso. Em várias oportunidades, Ministros do Supremo afirmaram e afirmavam: “Somos o guardião (ou guardiães) da Constituição”.


Rosa Weber acertou mas que demora inútil


A devassa sobre escândalos da Petrobras, dominou o noticiário, apesar de existirem outros fatos importantíssimos sendo discutidos, debatidos, desenvolvidos. Mas o suspense das CPIs foi superado pelo suspense do atraso e da lentidão da relatora.


A CPI foi criada pela Constituição de 1946. Nesses 68 anos, não foi constituída nenhuma CPI ampla. E dos que participaram da Constituição de 1946, (jornalistas, deputados, senadores) só este repórter continua acompanhando tudo, os outros se despediram. E jamais houve CPI ampla. Mocíssimo “cobri” a Constituinte de 46 para a revista O Cruzeiro.


O roteiro tortuoso e o suspense da relatora


Logo nos primeiros dias, escrevi: “Rosa Weber podia decidir na hora, não precisava nem preencher uma lauda, bastava citar a Constituição”. Está lá, textual: “A CPI pode ser instalada para apurar fato DETERMINADO, desde que tenha as assinaturas regimentais”. Por que 15 dias para determinar o óbvio?


O tempo foi passando, rumores do Supremo, diziam, “a relatora decidirá hoje a questão”. O suspense e a indecisão eram de tal ordem, que quarta feira, às 7 e meia da manhã, a TV-Globo resolveu entrar em ação.


Acordou e convocou uma das estrelas do “Jornal das dez” (22 horas) Renata Lo Petre, para dizer em 1 minuto, “a relatora entregará seu voto hoje”. Quase perdia o tempo, pois Rosa Weber entregou o voto faltando 5 minutos para as 22 horas, quase amanhã.


O suspense desses 15 dias


O tempo passava, a decisão não saía. Até que finalmente Rosa Weber quebrou o silêncio, entregou o voto, mas não pelos caminhos normais. Diariamente, até agora, o noticiário constava apenas de comunicados da assessoria da relatora. E ela não entregou seu voto em sessão coletiva, o habitual, foi sua assessoria que divulgou a decisão.


A própria relatora informou: “Dei à decisão o caráter de liminar para que o plenário possa examinar e votar também”. Exagero. Em qualquer circunstância o plenário pode ser ouvido. Como na Câmara e no Senado, a última palavra é sempre do plenário.


Reuniões e mais reuniões no Planalto


Dona Dilma cada vez mais assustada. Todos têm certeza de que o plenário do Supremo acompanhará a relatora. Podem fazer quantas CPIs quiserem, mas não querem.


Como o objetivo era atrasar, demorar, tumultuar, estão examinando se criam a CPI para atingir o PSDB de São Paulo e outra na tentativa de criar problemas para Campos e o PSB.


Ficou tudo para a outra semana


No Supremo, sessão interessante, mas longe de qualquer relação com a CPI. Estavam todos presentes. O que se falava: o plenário discutirá o voto de Rosa Weber, quarta e quinta da próxima semana.


No Senado, o PSDB “comandou”


O senador Álvaro Dias fez discurso sobre o voto da Ministra Rosa Weber. Com Aloísio Nunes presidindo. O senador do Paraná deixou claro: “Queremos apurar os fatos, sem atingir a empresa”.


Acabou, foi presidir, enquanto Nunes Ferreira discursava. Em Brasília isso é comum, não há número para nada. O senador de São Paulo chamou o voto de Rosa Weber de “histórico”, visível exagero. Também deixaram para a semana que vem. Isso é Brasília.


Quem será o vice de Aécio?


O candidato do PSDB pediu ao partido para acelerar e lançar oficialmente seu nome. Nada mais justo. Ninguém contesta a indicação, o único que tinha cacife, José Serra, desistiu. Só que existe um problema: é preciso completar a chapa.


Aécio não tem nome decidido para vice, mas sabe de uma ciosa: tem que vir de São Paulo. 120 anos depois de Prudente, o “novo” candidato recorre à famosa fórmula “café com leite”.


Os três primeiros presidentes civis vieram de São Paulo, Prudente, Campos Salles, Rodrigues Alves. Minas reclamou, elegeram o primeiro mineiro, governador Afonso Pena, que morreu no cargo. Mas naquela época não existia o que chamam de “chapa pura”. O vice vinha sempre do Norte/Nordeste. Aécio está perdido, sem vice e sem votos.


Gabrielli na Câmara


Convidado para depor em duas Comissões da Câmara, aceitou logo. Não tinha como recusar, antes e depois da entrevista ao Estadão, quando pediu a Dilma “que assuma suas responsabilidades”. Basta responder quais eram as responsabilidade dela, e já terá cumprido sua obrigação.


Dona Dilma irritada e revoltada com ele. Já revelei que a presidente, não se conteve e disse que “Gabrielli praticou traição e ingratidão”.


Além de assumir as responsabilidades por Pasadena, tem que explicar: por que rotulou a fala do ex- da Petros, como “traição e ingratidão?”.


Dona Dilma não é boa em palavra, basta lembrar o que ela dizia sobre sua própria participação no roubo do cofre da amante de Ademar de Barros. E depois a respeito da sua formação universitária, jamais confirmada.


Só que agora se complica, exagerou e desrespeitou o vernáculo. Com a qual, é público e notório, não tem muita intimidade.


O massacre da representatividade não é o gasto enorme na campanha

O Ministro Marco Aurélio, deu entrevista coletiva, ontem, sobre campanha eleitoral. Disse textualmente, “que é preciso modificar ou impedir a utilização de recursos pelos candidatos, não apenas presidenciais”. Ele é presidente do TSE. (Tribunal Superior Eleitoral).


Todos pareceram concordar, e insistiram nas perguntas praticamente localizadas no tema. É evidente que o uso do dinheiro, público ou particular, tem importância. Mas perde longe para o que precisa ser feito com urgência, a REFORMA POLÍTICA.


O grande fato do ano


No mundo inteiro não existe o que vigora no Brasil, o sistema PRESIDENCIALISTA-PLURIPARTIDÁRIO. Essa é a maior excrescência ou extravagância, incapaz de produzir resultados positivos.


Textual de Marco Aurélio: “O fato mais importante do ano no Brasil, não é a Copa do Mundo. São as eleições gerais e a escolha do presidente da República”.


PS – No Brasil grande repercussão, dos “450 anos de Shakespeare”. Não disseram se da morte ou do nascimento. Só no Brasil, no mundo nada parecido. Não sei em que ano ele nasceu, mas sei o da morte: 1541.


PS1 – Foi no dia 12 de Abril, quando morreu também Dom Miguel de Cervantes, genial criador de Dom Quixote. (Um dos meus ídolos de sempre). Ainda nesse 12 de abril de 1541, a implantação no mundo, do Calendário Gregoriano, um dos maiores avanços da humanidade.


PS2 – Acontece que a Espanha aceitou e referendou o Calendário no mesmo dia, a Grã-Bretanha só 17 dias depois. Assim Shakespeare, para a História, morreu no dia 29, Cervantes no próprio dia 12.


PS3 – A culpa deve ser do Google, a maior calamidade que pode se abater sobre a cultura, o conhecimento e o saber. Principalmente para os mais jovens. O Google até pode representar “saída circunstancial”, mas também preguiça intelectual total.


PS4 – Na terça feira, dois colunistas do Globo, tidos e havidos como de primeiro time, identificaram Paulo Brossard, como “ex-Ministro do Supremo”. No Supremo ninguém é ex. Da ativa ou aposentado, só isso.


PS5 – Um dos colunistas a seguir, sobre o mesmo Paulo Brossard, Chamou-o de ex-Ministro da Justiça. Aí, corretamente, Ministro de Estado é sempre ex.

PS6 – O melhor exemplo: Delfim Netto, na ditadura foi 12 anos Ministro, da Fazenda e da Agricultura. Será sempre ex.


PS7 – Lamentável e criminoso: um homem morreu anteontem, por que o plano de saúde não “autorizou” o hospital a atendê-lo, apesar de estar na obrigatoriedade. Teve que ser transferido, morreu na ambulância.


PS8 – E Dona Dilma “enxertou” numa medida provisória o perdão das multas aplicadas a esses planos por excesso de ganância, de lucros, de imprudência e imprevidência.


PS9 – O que Dona Dilma fará agora? Lamentará a morte do cliente em nota pública? Ou fará isso pelo twitter? 

PS10 – Quando Lula dá entrevista a blogueiros e explica que eram “blogueiros confiáveis” ou “jornalistas confiáveis”, nenhum deles protestou? Acreditaram que era elogio?


PS11 – Nem sei o que dizer ou escrever sobre a morte desse jovem dançarino, assassinado no Pavão-pavãozinho. Um crime inominável, indescritível, inexplicável. Deram várias versões, todas estapafúrdias e deliberadamente mentirosas.


PS12- Até que o próprio Secretário de Segurança veio deliberadamente a público com uma história que se aproximava da realidade, mas falou cheio de restrições e deixando bem claro que não queira ser “surpreendido”. 

PS13 – Beltrame não acusou ninguém, mas também não defendeu. Quase ao mesmo tempo, a verdade da morte do jovem saltava para o noticiário. Ele fora morto, ASSASSINADO, por tiros.


PS14 – As versões “quase oficiais” de que morrera “pulando um muro de 10 metros de altura”, foram substituídos por fatos que não podem ser desmentidos.

PS15- Muito bonita e lamentada a nota oficial de Regina Casé. Como ele trabalhava no seu programa, “Esquenta”, foi lindo e comovente. Mas e daí? As mortes se repetem, vão se repetir, como estancar esses “ASSASSINATOS?”.