CARLOS CHAGAS -
Divulgada ontem, mais uma pesquisa do
Datafolha surgiu desastrosa para o governo, o PT, Dilma e Lula. Eles
perderam a credibilidade, depois de terem perdido a popularidade. Em
termos da próxima sucessão presidencial, o Lula perde para Aécio Neves
por 10 pontos, um alento para o tucano que vinha sofrendo erosão no
ninho, por conta dos paulistas empenhados em Geraldo Alckmin.
Junte-se aos números o recente desabafo do primeiro companheiro a um
grupo de religiosos e se terá a receita do naufrágio dos detentores do
poder. Será o fim, caso não consigam dar a volta por cima,
recuperando-se e fornecendo as boas notícias que Madame não conseguiu
dar desde que reeleita, conforme diagnóstico do Lula.
Qual poderia ser essa boa notícia entre as dez más, elencadas pelo
ex-presidente? Seria possível estancar a inflação, reverter o aumento do
desemprego, das tarifas de luz, água, do preço dos combustíveis, dos
alimentos e dos impostos? Pelo menos a atualização dos salários, bem
como a preservação do salário-desemprego, do abono salarial e das
pensões das viúvas. Que tal o reconhecimento de que é possível sair da
recessão crescendo, jamais impondo mais sacrifícios ao trabalhador e às
categorias menos favorecidas?
Só que não será, nunca, com Joaquim Levy e sua turma. Nem com o PT
esquecido de sua pregação inicial, dos tempos da fundação, hoje
empenhado no futuro financeiro de seus líderes. Boa notícia realmente
seria o segundo governo Dilma começar a reconhecer que vai mal, que não
se apresenta à opinião pública nem dialoga com o trabalhador. Madame
precisaria aposentar a bicicleta, por alguns meses, dedicando-se a
viajar pelo país e sentir, ao vivo, as causas do fracasso de seu
governo.
Em suma, a pergunta que não quer calar
limita-se a saber por quanto tempo mais a presidente da República se
manterá sem discurso e sem iniciativas sociais, fechada em torno das
propostas de uma equipe econômica retrógrada e aferrada aos postulados
do neoliberalismo. Essa fórmula é letal para países como o nosso. Em vez
de ajuste fiscal, por que não ajuste social?
O festival de roubalheira que assola o poder público e as elites
financeiras oferece a cada dia um novo episódio mostrando como faz falta
o retorno do PT às suas origens. Ou, pelo menos,um novo ministro da
Fazenda...



