CARLOS CHAGAS -
Vão de mal a pior as relações entre o palácio do Planalto e o
Congresso. Será derrubado o veto da presidente Dilma ao projeto que
extinguiu o fator previdenciário, assim como será desfigurada ou
rejeitada a medida provisória que mudou o regime das aposentadorias. Os
presidentes da Câmara e do Senado tem suas divergências no varejo mas
concordam no atacado: acima de tudo, preservar a independência do
Legislativo.
Eduardo Cunha e Renan Calheiros andam com os nervos à flor da pele
por conta dos inquéritos abertos contra eles no Supremo Tribunal
Federal em função da Operação Lava-Jato. Correm o risco de ser
denunciados e submetidos a julgamento. Ninguém lhes tira da cabeça estar
o governo por trás dessa operação desenvolvida pelo procurador-geral
da República, em vias de ser reconduzido para mais um mandato.
Os pedaços da reforma política que a Câmara aprovou serão apreciados
pelo Senado e servirão para irritar o Executivo. Há quem pense na
extinção das medidas provisórias, assim como não foi abandonada a
proposta de subordinação de dirigentes de empresas públicas ao crivo do
Legislativo.
Em suma, há ebulição na Praça dos Três Poderes. O vice-presidente
Michel Temer esforça-se para recompor as relações mas vem sendo sabotado
pelo chefe da Casa Civil e por líderes do PT, enciumados com suas
atribuições de coordenador político. Aloísio Mercadante conta com o
apoio da presidente Dilma e a má vontade do ex-presidente Lula. E do
PMDB, certamente.
No fundo desse mal-estar repousam as queixas generalizadas dos
partidos da base do governo, com exceção do PT, é claro, diante da
demora nas nomeações para cargos de segundo escalão da administração
federal. A Casa Civil dificulta a publicação no Diário Oficial de
escolhas já sacramentadas pelo vice-presidente, sendo que a equipe
econômica também atrapalha, em nome da contenção financeira. Deputados e
senadores, assim, reagem como podem.
GOVERNADORES, ADEUS...
Houve tempo em que nada se resolvia em matéria de política sem a
palavra dos governadores. Nem todos, é claro, mas especialmente os dos
estados mais importantes, influíam no governo e no Congresso. Eram
chefes partidários e opinavam sobre as principais questões políticas e
econômicas. Esse tempo passou. Ganha uma passagem aérea só de ida à
Venezuela quem citar governadores de influência nacional. A safra é
lamentável em termos de participação dos chefes dos executivos
estaduais. Alguns poderão até ser bons administradores, mas
politicamente, nada.
Essa constatação se faz por conta da longínqua sucessão
presidencial. Qual o governador que desponta como possível candidato?
Nenhum. Haverá tempo para reviravoltas, mas do jeito que estão as
coisas parece que não vai dar...



