Por FABIO SERAPIÃO - Via Carta Capital -
Email citado em relatório da Polícia Federal sugere participação de ex-governador em cartel de empreiteiras.
Um email citado pela Polícia Federal no relatório no qual pede as prisões, buscas e apreensões da fase Erga Omnes da Operação Lava Jato sugere que a entrada da Odebrecht
na disputa pela estação de tratamento de água do Comperj teve
participação do ex-governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral. Datado
de outubro de 2007, a mensagem eletrônica foi encaminhada pelo diretor
da empreiteira, Rogério Araújo, preso ontem pela PF, a outros executivos
da construtora.
Nele, Rogerio elenca os itens a, b e c relacionados à obra. No item
c, Araújo cita que a “Petrobras\PR irá conversar com o Governador sobre
este novo arranjo com a participação da CNO”. Em complemento, entre
parênteses, Araújo observa que “é importante o Sergio Cabral
ratificar!(sic) e também definir o seu interlocutor neste assunto que
atualmente junto a Petrobras e Mitigué é o Eduardo Eugênio”.
Diz o relatório da PF: “Rogerio provavelmente estava se referindo ao
pacote ETDI (Unidades de Geração de Vapor e Energia, Tratamento de Água e
Efluentes) do Comperj, onde o consórcio formado pela Odebrecht, Toyo e
UTC foi contratado diretamente pela Petrobras. Destaque-se que a
mensagem refere-se a orientação que a “Pb” (PETROBRAS) daria a Julio
Camargo e a Ricardo Pessoa para que a parceria com a CNO se
concretizasse”.
Principal nome do PMDB no Rio de Janeiro, Cabral é alvo de um
inquérito no Superior Tribunal de Justiça no âmbito da Lava Jato. A
abertura da investigação tem como base um depoimento do ex-diretor de
Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. Segundo o delator,
Cabral teria recebido 30 milhões de reais oriundos de desvios no mesmo
Comperj citado no email. O dinheiro teria como destino sua campanha à
reeleição de 2010. São alvo da investigação, além de Cabral, o atual
governador Luiz Fernando Pezão e o ex-chefe da Casa Civil Regis
Fitchner.
Além de embasar o pedido de prisão do presidente da companhia,
Marcelo Odebrecht, os e-mails em posse na Polícia Federal, na visão dos
investigadores, confirmam a participação da maior empreiteira da América
Latina no cartel de empreiteiras a atuar na Petrobras. O material foi
arrecadado ainda na fase da 7 da Lava Jato, denominada Juízo Final,
quando a força tarefa realizou uma busca e apreensão da sede da empresa e
nos escritórios dos diretores Márcio Faria e Rogério Araújo.
Ao contrapor os e-mails apreendidos com os depoimentos dos delatores e
dados sobre as visitas recebidas por ex-diretores da Petrobras, a
Polícia Federal conseguiu detalhar encontros e negociações relacionadas
as obras possivelmente fraudadas pelo empreiteira.
Na sexta-feira 19, em nota, a Odebrecht confirmou as buscas em seu
escritório e as prisões. Segundo a empreiteira, “estes mandados são
desnecessários, uma vez que a empresa e seus executivos, desde o início
da operação Lava Jato, sempre estiveram à disposição das autoridades
para colaborar com as investigações”.
Até a publicação desse post, o Blog não havia conseguido contato com o ex-governador Sergio Cabral.



